Já ouviram falar de gente coisinha?
Mas de pronto, arrisco que gente coisinha, tem tendência para o menor.
Embora mais popular, do que reconhecida ou nomeada ,o sucesso das tipologias é que com pouco , você identifica.
O chato, por exemplo , mal você vê e imediatamente teu metabolismo muda e você se esquiva , às vezes de forma sutil ,e às vezes afrontosamente.
O pernóstico , aquele pentelho que se acha , sempre a procura de palco e platéia , um saco e você já entra numa de competir mesmo não querendo , ou querendo, e é mexido nas inferioridades e superioridades narcísicas.
Estes são apenas dois exemplos , mas vamos falar de gente coisinha .
O que é gente coisinha?
Como o próprio nome indica é aquela gente que tudo diminui , que tudo tem defeito , que tudo nunca tá bom, é aquela criatura menor e que não saca isto , e que fica tentando te convencer à entrar na dela .
Entram nas situações pela porta dos fundos e de imediato buscam o defeito , o que criticar , o que mal-dizer . Por vezes, parecem ter o que dizer ,e quando em geral têm um pouco de cultura, de certa forma um tanto anã , ficam tentando enfiar o mundo ali de qualquer jeito, o que lhes obriga à criar opiniões intocáveis e de arrogâncias particulares.
Adoram cumplicidades e às amizades se referem a um tipo de conluio por aprovação, onde a regra é concordar, o que torna estas criaturas pobres no convívio, pois impõem uma suspensão da crítica , no intuito de não serem criticados pelos seus modos mesquinhos.
Parecem sensitivos dos defeitos alheios e completamente cegos em relação aos próprios e independentemente de raça, credo, cultura habitam o mundo mental em todos os níveis sociais , não havendo desigualdes hierárquicas.
A grandeza da vida parece invejada e os outros também , pois se sentem denunciados facilmente por qualquer coisa , ato ou situação que mostrem o quanto lhes falta identidade com o maior, por isso vivem oprimidos pela insegurança de seu próprio valor.
Não perdem a oportunidade de faturar em cima de quem quer que seja , não importando aqui o constrangimento do outro , sempre coadjuvante para uma boa cena.
Mas o que talvez caracteriza mais o coisinha, é que sem escuta mais apurada ,e sem comprometimento pessoal , se autoriza a blefar sem grandes escrúpulos , pois a verdade só é importante como versão de suas razões , enfim, uma subversão das máscaras , a caricatura do que nunca foi e nem poderá ser.
Eis aqui o sofrimento irrecusável, pois como não há conquista que possa ser mostrada, o coisinha se transforma num personagem de seus próprios enredos fantasiosos , em que por uma lado lhe induz ao temor de ser denunciado e por outro lhe seduz um brilho que não tem pois não conquistou.
É ôco e de difícil penetração , pois, se deixar ver, poderia ser um golpe fatal, ou seja, à admissão da inconsistência dissimulada numa teatralidade de ocasião. A sempre sensação de algo que simula estar, com certo estrondo ou de forma emudecida , mas não está , uma presença por dever.
O que parece também interessante é que o coisinha não tem noção do que suscita nos outros, já que seu sistema de crença o faz acima do " simancol", isto é, não se manca, o que torna sua presença a marca de seu estereótipo , já que a dialética do te ver -se vendo fica prejudicada.
Há aqui um certo círculo neurótico que se volta contra si , pois na medida em que não há essa dialética e o outro vira uma projeção maciça de pouco retorno , o sentimento de rejeição passa a ser constante , pois dessa forma perde-se o que o contato tem de abertura e renovação , onde o outro é uma alternativa credenciada à mim mesmo, uma opção que só a sinceridade permite.
Ser sincero é uma arte de elite , digo, na alma , pois é a expressão do modo como cada um se tem em conta, como é seu narcisimo de vida , seu gosto de ser quem é , sua celebração por ter nascido .Quem é coisinha não se celebra , pois não tem o seu nascer na conta de um momento de grande com-sideração da vida, não vivifica à diferença que se impôs no ato de ter nascido. Em outras palavras , o coisinha não se tem na conta da diferença , o que é uma condição básica para singularidade por vir , o estilo único de uma consagração cósmica.
Este registro é o que o faz ficar prisioneiro da busca de atenção do outro , sem a segurança de estar sendo aceito e querido , é o seu tormento de afirmação, a prisão de ter que fazer malabarismo para impressionar , o seu a mais que o nascer não reconheceu.
O exibicionismo , um tanto alardeante, ou o apagamento ressentido , se interpolam num mundo pouco compartilhado e com fantasmas rudes de solidão , um estar só , na fantasia onde o outro lhe deixou, levando consigo uma parte que faz falta , e deixando o que é a marca de sua reprovação estrutural.
É o drama da rejeição um tanto incurável , pois a princípio já acha que não tem e não pode ser dado , só tomado. E o cruel, é que isto é tão verdade no plano psíquico , que por mais que se garanta não ser assim, não funciona. São os que não se sentem amado , pois o amor é a falta do que foi tirado , e deixou a estranha marca da falta de merecimento.
O coisinha é um desmerecido que se desmerece , desmerecendo o que acha não poder ter ou ser.Um tipo de inveja , que dependendo do grau leva à violência, um se apoderar do outro , em muitos casos pela humilhação e pela exposição pública onde o diminuir do outro é sua ascensão imaginária nos aplausos que acha que lhe tiraram, ou por sacanagem ou porque deram para outro .
Essa lógica rancorosa é de difícil conversa , uma inacessibilidade pela falta de uma explicação que não permite o encaixe do sentido , pois a significação não é capaz de conter elementos , por vezes de um destino estranho .
Pessoas desmerecidas são perigosas , pois recusam a ordenação da ordem social, na conta de que essa ordem , além de injusta, é o depósito do que lhe foi roubado e que dependendo do que esteja em jogo , há de ser devolvido .
Isso perpassa desde crimes hediondos , na conta de devoluções absurdas onde a vida dos outros entra como moeda corrente , até em bullings , inexplicáveis do aonde pode estar o gozo de se humilhar o outro.
Especialistas se vêm em dificuldades para explicarem isso na conta de conceitos mais convencionais , pois há aí uma enorme vigência de acerto de contas , principalmente , porque nenhuma ordem social pode prescindir das ordens do amor.
O vínculo social há de ser antes de tudo amoroso e interessado , uma ordem coletiva humana e com um olhar mais dedicado , não só ao coletivo conceitual , mas a cada membro em particular , pois os efeitos dissociativos , aqueles que muitos conseguem se esquivar ou transformar em outra coisa , para outros é a senha de uma lesão irrecuparável que o diminuem na ordem do valor pessoal , e que por isso se sentem autorizados a cobrarem ressarcimentos , que só podemos ter acesso depois.
No laboratório íntimo as forças da vida interagem , combinam e descombinam , o coisinha que há em cada um de nós , sofre pela falta de alcance e de confissão ,e que no orgulho particular refletem os brios feridos de tudo que nos obriga a ser o que não somos , inclusive ser chamados de "coisinha".
Valeu
26.5.11
15.5.11
O dia que vi a cara da morte e ela me dispensou
Tudo pronto para as férias .
Tínhamos decidido retornar a Floripa, pois ficamos impressionados com sua beleza .
Conhecíamos um casal lá , donos de uma pousada e ela carioca tinha o maior prazer em receber-nos. Acertamos tudo pelo telefone, fizemos os depósitos e partimos .
Aliás , convém dizer que fujo do carnaval e em Floripa tudo é tranquilo , de formas, que atendia o meu desejo ,de minha mulher e minha filha , além de uma sobrinha que sempre nos acompanhava.
Eis uma festa que me sinto pouco a vontade . Já era freudiano, antes de conhecer Freud, e me espantava o comportamento da turba. Atitudes, que jamais seriam tomadas em outro momento, parecem sentir-se a vontade, nesta época .
Na fenomenologia do carnaval destaco dois aspectos que me parecem determinantes:
primeiro o consentimento , é preciso consentir e ter a fantasia de que o carnaval é a senha do consentimento , em geral, pra tudo .Na fantasia parece que não há o que não possa , tudo pode.Uma des-repressão súbita de tudo que faz força para se conter , provavelmente.
Talvez , uma forma de testar a relação custo-benefício da civilidade e neste lugar , realmente parece que é a repressão o pilar da vida social , como queria Marcuse , o filosófo da contra-cultura.
O outro ítem, é o esquecimento , algo como esquecer quem sou , ou mostrar o que não sou , ou mesmo um protesto de ter que ser quem sou ou mágoa do que não sou.Muitos acertos simultâneos na ordem libidinal, parecem ser feitos aí.
Sem estes dois aspectos o carnaval , principalmente em cidades mais carnavalescas não se sustenta. Liberação é a palavra de ordem e junto , o que é bestial .Libera-se a chatice bêbada, o mau gosto das palavras, as mãos rápidas e invasoras , um certo sacrifício estético que abre passagem para o vulgo , já que não há nenhum problema em ser vulgar, afinal hoje é carnaval, pode.
Os intelectuais, que em geral ,pouco participam do carnaval , festa do povo , costumam dizer que o carnaval é um brado de guerra contra opressão .Sinceramente , que saco de brado . Não me parece que nenhuma ordem mudará desta forma , pelo contrário.
Mas é uma festa , que curiosamente permite uma certa alteração do estabelecido e sendo uma festa do imaginário , contém elementos interessantes , como a possibilidade de ser outro .
Homens adoram virar mulher , um exercício misto de curiosidade e zombaria , ou então gay.
Se o carnaval não acabasse , o mundo que segundo minha amiga já é, seria gay, talvez um alerta contra uma certa masculinidade decadente, onde a afirmação viril sem gosto estético, é a prova de que o imaginário também tem seus requintes para sustentar o gozo.
A festa do arco-íris , uma homenagem ao meu amigo Juão , autor do livro “ Mutações do arco-íris”, que me contestou quando coloquei no início do blog, que era”machu paca”, sem observar o sic?, na sequência ..
Em o “Sexo dos Anjos” ,M.D.MAGNO, nos convida à suas incursões sobre o terceiro sexo, uma aposta que me parece mais para um terceiro lugar , um neutralidade entre o que chama de alelos , ou seja , mais uma suspensão da linguagem do que uma questão anatômica.
Às vezes, me atrevo a supor que o determinismo da forma , enquanto anatomia , é repressivo,e não fosse a ordem cultural, reificar, como dizia Marx, e sei lá como seria.
Mas para não ficar só no lado crítico, acho o humor um ponto alto no carnaval . Coisas criativas, fantasias inimagináveis , ídolos ficando bem pertinho , políticos des-mascarados embora com máscaras , uma folia de combinações sem compromisso lógico, e talvez , um exercício de non-sense coletivamente aprovado. Sem dúvida , alguma sátira inteligente no ar.
O pulsional libidinal , a baixaria , o tô nem aí , talvez tenham sido incorporados ao carnaval depois , seguindo as tensões de uma civilização ,que cada vez mais parece decadente ou líquida como quer Bauman ou uma transição para algo melhor , segundo alguns. Façam suas apostas.
OBS : Dois dias depois de escrever este relato , Jabour na sua crônica no jornal Globo , diz , numa espécie de reconciliação com o carnaval, depois de condená-lo muito tempo "Sem comparações esquemáticas (relativo as reações na África do Norte) sente-se o renascimento de um desejo gregário , até de contato físico entre as pessoas , uma explosão de liberdade e de encontro que nos leva a concluir que houve uma democratização da convivência , um irresistível desejo de existir em comunidade". Quanta coisa viu Jabour , minha questão é porque reduzir tão nobres manifestações, então, ao carnaval? Porque não operar uma ocupação pacífica das ruas no sentido de expandir a concepção de nosso viver , incluíndo aí o cuidado, a estética, o gozo coletivo, a preservação do patrimônio, as estratégias políticas pra quem vive na rua , enfim, aproveitaríamos esta expansão gregária e utilizaríamos estas forças a nosso favor.Pena que quarta -feira de cinza , tudo pareça tão egocêntricamente normal.
Este furor que se tornará melancólico logo, poderia ser uma constante manifestação criativa, uma folia permanente de vida e criatividade, uma ação não só catártica mas a consecução de novos laços e alegrias de se celebrar a vida, celebrando o outro no que tem de melhor.
Evitaríamos assim , um tipo de escrotização do amor enquanto objeto anônimo , sem sujeitos nomeados que desaparecem como aparecem.
Fico me perguntando se não é esta fugacidade o que tomamos como gozo, um gozo de objeto rápido sem que os sujeitos tenham que apresentar suas feições?
Este tipo de cogitação em mim lá estava sem palavras desde sempre.
Viver é aprender a falar ou a se dizer. Que difícil , diga-se.
Escutem minha mãe :
"É a última vez que trago você , faço fantasia e você parece desanimado, carnaval não é a tua.
O que minha mãe não via e que eu também não , é que não conseguia achar graça naquela roda pra lá e pra cá ,esquizoidia que me custaria anos de análise .Nem desconfiava que ali meus níveis de adaptação a vida já estavam sendo questionados.
Nascido na capital suburbana do samba , Madureira, costumo brincar com meus amigos que nasci no Leblon de frente para o mar, e que no Leblon, sim, tinha tudo . Tudo , obviamente que Madureira não tinha.
Mas não consegui fazer o carnaval entrar nas minhas veias a ponto de me tornar um folião e hoje tenho mais dificuldade ainda . Gosto do carnaval com os pacientes onde vejo o quanto se alegram, cantam, dançam e se divertem , uma festa cheia de intenções humanas .
Ou então aquele carnaval de marchinhas que levava a um tipo de confraternização quase inocente , mesmo que os desejos espreitassem , mas os modos são tudo.
Como o erótico depende disso , de um certo não poder , do exercício de burlar , de tornar mais difícil o objeto do desejo, sem isto dizia Lacan " o corpo vira carne" e que triste assim.
O que sustenta o desejo é a Lei , e se há a Lei do desejo ,há também o desejo da Lei , diz Lacan.
Corpos engordam , despencam, arrotam, peidam , roncam e ficam disfórmicos ,haja tratamento , negar o escatológico é se precipitar nele.
O Marques de Sade que passou de forma tão vulgar a história era um libertino culto, dos prazeres , a magia da sensualidade , e diga-se de forma refinada .
Nada haver com o grosseiro que lhe foi atribuído .( Em algum momento escreverei sobre a alma libertina" , por razões próprias provavelmente e para fazer jus a almas de amigos queridos, e estudar estas almas me possibilitaram um clarão clínico espetacular )
Talvez, tenha sido esta a motivação de Lopez -Ibor ao escrever sobre loucos egréjios, embora a meu ver , sem deixar de subtrair à loucura seu aspecto questionador da vida neste mundo , contentou-se em explicá-la por conta de doença.
Há um desconforto em viver aqui e Freud sabia disso . Seus estudos finais não falam de outra coisa senão do mal-estar.Obrigar determinadas almas a este mundo chato, é matá-las aos poucos ou de súbito. Artaud escreveu suas peças dentro do hospital psquiátrico , Niynjisk surtou na hora da apresentação e não voltou mais , Ernesto Nazaré foi encontrado morto na Colônia Juliano Moreira dentro do lago , Artur Bispo do Rosário teve seus momentos mais lúcidos e criativos também na Colônia ,enfim, almas especiais que merecem muitos estudos para serem compreendidas de forma ampla. A vida burguesa aí, não tinha vez. Parece entediante e me lembro de Don Juan de Marco , onde o paciente é o revirão que faltava à vida entediante do Psiquiatra.
O carnaval tem um quê de libertino , mas vulgar e também criativo .
Fico torcendo para invertermos a ordem e o criativo dite a alma do carnaval.
Embora possamos achar estranho , talvez haja uma pedagogia não didática do erótico.
Pelo menos como forma de consagrar sua alma. Os libertinos que compunham a cultura literária da Europa em torno do século XVII, sabiam disso, e Lacan , outro companheiro libertino foi buscar o amor cortês como inspiração para o erótico que contorna, mas não adere.
Diz Milan Kundera " é preciso livrar o amor da tolice da sexualidade" . Obviamente se referindo como Lacan, que é degradante quando o corpo vira carne . Esta qualidade da vida anímica que sustenta o erótico requer cultivo e dedicação prazerosa , pois aí mora as fantasias e as figurações que nos livram do concreto .
Mas se livrar do concreto não pode ser um ato histérico bruto e compulsivo.
Lá vai eu rumo a Floripa , tá custando a chegar né? haahahahahah
O carnaval parece palavra de ordem , como símbolo de uma cidadania normótica . Não gostar de carnaval é suspeito, pois ou você é religioso e pré-conceituoso , ou é um bundão esquisito que está na contra-mão da história. A falta de contágio requer melhores explicações do que simplesmente não gostar.
Achava que Floripa funcionava como um tipo de solução de compromisso que Freud , lugar onde o desejo e o sintoma combinam algum tipo de encontro e satisfazendo um pouco a cada um . Floripa era então nossa solução de compromisso .
Espiríto de férias , 15 dias , pois como liberal sofro daquela exigência, onde sem mim , não ganho, e férias familiares , onde o nível de permissividade aumenta bastante ,pois não se pode limitar tanto o desejo , ao preço de não se sentir de férias, é cara.
Lá vamos nós de carro , bom, confortável , eu e Ana, minha mulher ,na frente , minha filha Luana com minha sobrinha Bianca no banco de trás . Ambas púberes, algo em torno de 15 anos.
Pernoitamos logo após passarmos por S.Paulo e de manhã seguimos , pegando a famosa rodovia chamada de rodovia da morte que liga S.Paulo a Curitiba . Muitos caminhões e pouco cuidado do poder público, sem dúvida , bastante perigosa e difícil de ultrapassar .
Até aí , tudo bem. Chegamos a Curitiba e após algum descanso seguimos, na estrada que nos levaria a Floripa. Sol gostoso , música e risos , festa das férias e um clima de alegria e tranquilidade no carro. Partimos bem e cheios de desejo de chegar, pois cansa dirigir demais.
Esta estrada é boa e perigosa, pois de três vias, logo passa a duas e às vezes uma.
Subíamos , e conversávamos, quando de repente, o anúncio de 3 vias que todos aproveitam para fazer as ultrapassagens, principalmente de caminhões.
Peguei a pista da esquerda e seguia tranquilo numa velocidade razoável , que nos salvou.
Pois, ao fazermos a curva para esquerda e continuávamos deste lado, a pista virou duas , sendo que , justo a que estávamos desembocava num retorno com uma forte mureta de concreto, e que já não nos permitia parar . É impossível descrever com precisão o que aconteceu , pois vi perfeitamente que só me restava duas opções terríveis , um tipo de decisão relâmpago , pois a mureta era uma questão de segundos . Ou eu jogava o carro na mureta e arrebentava o carro , nos arrebentando ou entrava na mesma velocidade no retorno passando para pista contrária , ou seja, eu contra todos , pois ficaria na contra-mão numa estrada de alta velocidade. Para se ter uma idéia é como se alguém decidisse andar na pista contrária ao fluxo na Avenida Brasil.
O cérebro humano é extraordinário , pois em milisegundos pensei o que me daria chance ou o que faria menor estrago, se é que é possível pensar nisso, numa hora dessas.Me pareceu como se estivesse entrado em algum estado alterado de consciência, que conheço bem, mas de forma diferente. Sofri um tipo de suspensão de mim mesmo .Um estranho silêncio me pareceu chegar , que tive a impressão de ser o da própria morte.
Sinceramente, a mureta de concreto me pareceu dura demais .Me arrebentar ali me parecia fatal ou trágico demais , me ocorreu rapidamente que poderíamos nos mutilar e decidi passar a pista contrária , enfrentando carros , ônibus e caminhões que vinham em alta velocidade.
Achei, sei lá porque, que poderia haver alguma brecha, algum intervalo mágico entre os carros , algum lugar mágico que ninguém via, nem eu, que nos acolhesse por alguns instantes .
Até então minha filha dormia e me pareceu que Ana ou não se deu conta de pronto ou foi tomada dessas lerdices que nos acomete em situações de perigo, pois gritava " tá na contra-mão , tá na contra-mão " e eu já achando que estavámos não na contra-mão , mas no outro mundo , confirmando que se morre sózinho, talvez como se viva.
Minha filha acordou e gritava . Biba , minha sobrinha mais calada, e eu de repente escuto uma voz, vinda não sei de onde " calma , calma" busque o acostamento .Os motoristas se apavoravam quando me viam, pois não podiam acreditar que alguém pudesse estar ali ao contrário , 500 contra um .Buzinas, derrapagens , desvios rápidos , pois na verdade, também estavam em perigo . A voz me tranquilizava e me orientava , ao que prontamente obedeci .
Uma senhora que assistiu a tudo, desde o início, rezava .
Consegui encostar e embora sem sair de todo da zona de risco , fui dando marcha ré torcendo para ninguém me bater. O mundo pareceu parar pra assistir a tragédia anunciada e o carro que ia entrar no retorno, parou para que eu pudesse virar meu carro ainda de ré para outra pista , na direção certa.
Quando consegui sair a senhora agradeceu a Deus e vibrou muito .
Eu em estado de choque e Ana também , as meninas tensas e vibrando .
Orei em agradecimento ,pois sempre oro agradecendo os presentes que recebo ,acho que fui poupado de algo e minha família também , mas fiquei deslumbrado com a voz que me conduziu, um tipo de alucinação sem formato psiquiátrico.
Até hoje, não entendo racionalmente como foi possível sair dali , mas a voz , aquela voz viria a ouvi-la de novo em muitas ocasiões, desta vez me conduzindo para outras direções, principalmente, para ajudar aos que precisam, pois me apareceu, justo, quando eu mais precisava e nenhum mortal poderia nos salvar .
Me pareceu que fui poupado para fazer da minha vida um grande gesto de amor , uma celebração positiva , uma alegria de um carnaval cheio de amizades , e uma escuta dos que sofrem e me ensinam e me ajudam apurar minha escuta do humano, compreendendo modelos e indo além deles. E tenho buscado assim fazer.
Desenvolvi , junto com amigos queridos , um trabalho com pessoas menos favorecidas , pobres , são famílias que oferecemos cestas básicas e com diversos trabalhos de solidariedade e conscientização , já há 15 anos.
E recebo toda quarta -feira gente com todos os tipos de sofrimento que busco confortar , como posso .Não tenho nenhuma religião e ao mesmo tempo, cada vez mais, sinto o sagrado da vida em tudo .Não acredito na morte , e respeito quem assim quer . Grandeza demais, para ficar num cemitério .Mas foi com esta voz que Sócrates chamava de" Daimon", dizendo escutem o seu Daimon , e que lhe disse para não evitar a sicuta , que fiquei por aqui mesmo , sinal que ainda tenho muito o que fazer e farei, mesmo não me sentindo a vontade no carnaval, pois tive uma experiência-culminante , aquela que Maslow dizia que tinha o poder de alterar os valores de um homem.
RETOMAREI POSTERIORMENTE O ESTUDO DESTA VOZ QUE LONGE DE SER EXTEMPORÂNEA, PARECE ESTAR PRESENTE NO OUVIDO DA HUMANIDADE DESDE SEMPRE.
CABO FRIO DIA 7 DE MARÇO
2.5.11
sacrilégio do amor . Ah! que pena
Tempos líquidos, amores líquidos , modernidade líquida , Bauman quase nos
mata afogados , o que quer dizer o grande sociólogo afinal?
Que optamos pela inconsistência em nosso modo de viver , como se a força do consumo em sua voracidade tivesse autorizado que o conceito de mercadoria pudesse perpassar inclusive, os requintes de nossa alma.
Aos poucos ou aos muitos, fomos sendo tomados por transações no convívio que regidas pela idéia de consumo , ou seja , pelo modo como tudo é consumido chegou ao campo da alma , fazendo um tipo de subversão tão espetacular quanto perniciosa .
É como se críassemos um tipo de percepção onde as raízes de tudo, pudessem ser ignoradas, às custas ou com a promessa de uma soltura , em que nada é tão merecedor de dedicações que não seja por um curto período de tempo .
Subverte-se assim dois deuses perigosos , Éros e Cronos , tanto o amor enquanto ligação perene , quanto inventa-se um conceito de tempo fugídio demais , um ataque frontal a idéia de compromisso.
A inconsistência passa ser um território onde muitos estratagemas definem suas potências enquanto compensações , não exatamente para o que se ganha ,mas para o que se deixa de perder. É a face temida do amor , seu lado sombrio , onde o medo da entrega é tanto, que impõe o se contentar com resultados pífios , com a falsa promessa de que assim se sofre menos.
Parece que as dores do amor não são para serem vivídas , como se houvesse um meio de se livrar delas , e ficar sómente com aquele lado saboroso do bolo , numa recusa da dialética espiritual , onde a dor e seus efeitos também nos capacitam a desmistificar a vida e nos enseja a beleza , mesmo que sofrida de recomeçar.
Parece que nos tornamos débeis , criaturas que nos medicamos antes da dor , na vã esperança, que assim ela não venha. Entregamos o que temos de mais valoroso , que é justo, a nossa capacidade de enfrentar e de se afirmar , o valor do guerreiro que ao lutar por algo , sabe que luta por si.
Explodimos o mundo em novidades , fizemos avançar muitas idéias que por muito esperavam suas chances , e criamos um sentido de liberdade tão incrível , que acabamos nos confundindo , pois o mundo de ligações , a liga que o amor requer para funcionar e alcançar seu modo alado, foi atingido . E foi atingido ao gerar simulações que , longe de permitir vôos para lugares desconhecidos e empolgantes para o currículum do espírito viajante, pelo contrário, enverniza a mesmice na conta de liberdades medrosas que não podem prescindir das fantasias para suas animações.
O outro deixa de ser alguém em se tenta o exercício da adição , modo mais afim com a reprodução e alegria da vida e passa ser um estrangeiro em que se deseja intimidade , pelo amor de Deus, e ao mesmo tempo , alguém sob eterna suspeita de não ser merecedor do mundo íntimo , pois nunca se está certo de suas credenciais .
A demanda de amor , essa que a Psicanálise conhece tão bem , sofre do imperativo de querer, da forma mais barata possível . É assim uma questão econômica , aonde o Real obriga a separações das simbioses maternas , pois o pequeno "enfant" , precisa chegar e se afirmar , enquanto um alguém que ocupa um lugar , a princípio concedido pela ordem familiar , depois a ser conquistado na ordem social.
Essa construção imperiosa e inarredável é de um esplendor irretocável quando se pensa o que virá depois.Pode -se sofrer para alcançar esse patamar , pois exige-se o luto da completude triunfal do bebê , e se nos coloca de frente para luta.
A construção mental, é sem dúvida , trabalhosa , mas essa entrada no socius, é a base da vida de pertencimento, além das paredes familiares. Não fazer isso , trás implicações sérias no campo da psicopatologia, e para muitos é aí ,o próprio núcleo da psicose.
Mas convém observar que esse trabalho de construção é a condição para uma exogamia , o além que é induzido pelo tabú do incesto , ou seja , tem que se ir mais longe para encontrar, nada de desfalecimentos que geram acomodação ,e o despertar da alma do amor enquanto um caminho a percorrer , na esperança de um encontrar sem garantia . Arrisca-se ,e arriscar é o modo como Éros parece gostar de ser cultuado , pois é a liga entre dois seres que não se conhecem. Logo , nada mais perigoso , afinal, quem é este outro que me atrae e ao mesmo tempo assanha o que tenho de mais íntimo e sigiloso?
Os rituais de preservação e também de minimização das suspeitas, de certa forma perderam a força , pois numa sociedade que prima pela liberdade determinados rituais acabaram por parecer prisões temidas e passaram a ser evitados.
Noivados , por exemplo, que era o espaço gradual de aproximação onde o vínculo era referendado pela família , principalmente da noiva e uma certa ambientação dos modos, antes do casamento propriamente dito, hoje é tido na conta de quase uma invasão da privacidade e como ofensa do lema vigente de que " a vida é nossa e ninguém tem nada a ver com isso".
Os espaços se afastaram e geraram mais "independência"e insegurança , pois o que vale agora é no campo estritamente pessoal , ou seja , cada um que saiba de si. O curioso nisso é que os consultórios passaram a ocupar então , o lugar das confissões aonde cada um pode regredir e chorar sem ser visto ou julgado , por não estar tão certo, e não saber o que quer.
Emancipações sociais que não se fizeram acompanhar no plano psíquico , mais exigente e menos tapeado do que o social . Discute-se inclusive o que mudou mesmo e se tudo não é o mesmo às custas de novas expressões . Um dilema interessante , pois a criança em sua demanda de amor e segurança , pode inscrever seus modos em novas expressões , mas não pode subtrair as exigências feitas ao humano para se estruturar como humano , já que o humano pertence a ordem humana e não basta nascer para sê-lo.
Em outras palavras somos criaturas do amor , falamos porque vivemos a falta diz Lacan , uma falta estruturante , que nos leva a ter que pedir . Mas esse pedido , encontra-se mais circunscrito ao solilóquio , aquela fala consigo mesmo , do que um arremesso ao outro , já que é o que temos de mais sensível e vulnerável .Precisamos de amor para tudo , " uma vida sem amor é morta" diz Osho , a ofensa nos agride , o carinho nos comove, somos sensíveis ao modo como somos tratados , enfim , temos um pertencimento à ação do outro sobre nós .
E no entanto, parece que temos uma estranha necessidade de mentir , como se não quizessemos mostrar , o que nos faz humanos , afetações comuns que comove a todos.
A máscara , se por um lado é o próprio jogo , por outro , é des-dizer , o que não se diz ou que se diz sem dizer.Mas convém lembrar, que por mais que possamos re-interpretar o nível estrutural da linguagem , dependemos dos códigos de comunicação .
Ora , isso quer dizer que para o que não se diz ou se mal-diz , o outro , essa criatura tão comum quanto nós fica encarregado de traduzir textos que mais se escondem do que se revelam. Na prática dos jovens , se tenta resolver as aflições da aproximação inicial , pedindo à um amigo(a) para fazer a sondagem primeira , qual a chance , qual a garantia , para com isso se evitar recusas que podem envergonhar.
Descontos a parte , o medo de ser recusado fica como pano de fundo , pois se tudo é rápido e só serve ao imediato , porque se oferecer ouros e tesouros se nada vai ficar?
Ah ! Que pena . Pois o amor na alma é também uma grande capacidade , uma capacidade que nos dá o gosto do viver , a afirmação de que a experiência é a moeda irrecusável desse viver e aprender , a matéria que os psicanalistas conhecem como sendo o móbile da elaboração , o trabalho da singularidade , a individuação Junguiana , o longo caminho alquímico da salvação coletiva .
Subtrair o pagar pra ver tem um preço , pois aos poucos vamos nos acorvardando , em nome de uma dor imaginária que se torna onipresente e que nos subtrai justamente as aquisições que só as conquistas podem fazer.
Por outro lado o brilho de Afrodite ,a grande deusa do Amor , ao se retrair leva junto o vigor da expressão, o que justamente é a força do encantamento , pois a expressão é única , o portal da singularidade misteriosa , o que nos leva a admirar profundamente , quando nos damos conta que cada um é impar , uma estrela única , um brilho no todo mas um momento íntimo da Criação.
Daí que a intimidade seja também nossa força cósmica , nosso êxtase , nosso gozo sideral , que os modelos insistem em desacreditar , tentando nos fazer crer que para Afrodite as figurações banais se ajustam à sua natureza , sem nada tão grave.
Encerrados num tipo de hipnose geral , em que o mundo é visto como conjunção de movimentos variados , sem nenhum compromisso a mais, a não ser animar a vida , principalmente , a vida de consumo, não nos damos conta que a melancolia do futuro avança , pois retiramos do cenário mental a idéia de que a vida seja pra nós uma prospecção.
Apenas regredimos , uma entrega ao passado que já não pode ser , mas que parece abrigar os acertos que ainda queremos , ou as devoluções que ainda achamos que a vida nos deve,e que com isso permitimos que as exigências que daí resultam , se tornem verdadeiros arsenais no registro dos afetos , que sedentos de futuro só fazem apresentar contas impagáveis do que o passado já não pode realizar.
O amor em nenhuma hipótese pode prescindir do desafio , é Éros que nos desafia e nos movimenta , uma pulsão irredutível que nos faz desejar sempre , e querer mais , pois temos ânsia de ir além , de horizontes , de explorações que se inscrevem na memória da vida como momentos diferenciais aonde costumamos nos agradecer pela ousadia, como se sentíssemos que ficar no mesmo, nada oferece para contar.
A Presença , essa composição de brilho e intensidade, se para muitos é gozo do Ser , é também o do Estar , é bom estar e estar com tudo , uma entrega desejante, cujo maior gozo é a própria Presença , a intensidade do Vivo , o despertar das dormências hipnóticas e das concordâncias ralas e acomodadas . O Vivo é polêmico , é rebelde , é que não interessa ao hipnólogos, pois , diminue a possibilidade das sugestões e dá a cada um o trabalho de descobrir , mesmo que seja um pouco a cada dia.
A virtualidade é um campo de possibilidades onde as distâncias além de minimizarem, também aclimatam melhor as aproximações , embora haja aí, o perigo dos ensimesmamentos que buscam subverter às regras da alteridade , ou seja, simulações que buscam substituir o exercício ao vivo , o contracenar dos olhos nos olhos , única forma em que a alteridade , mesmo que depois de seduzida pode oferecer o coração na vibração do olhar e da carne. O outro corporificado , momento do reconhecimento e da identificação , o exame do que tem ou não haver , o cheiro que aquece os sentidos e o tesão , a liga que se excita no modo de falar, a voz como atrator , já que voz chata e ansiosa não convida à escuta acolhedora.
Vemos então que o amor é uma ciência e uma poesia , é uma cons-ciência , um estar-com, que rege o aprimoramento da raça , que depois de passar por tantos períodos no tempo antropológico , chega agora as disposições mais sutis , os orgãos mais sutis , o refinamento de uma anatomia por conhecer ,o tempo lógico da regência da alma , onde os inimigos que tanta importância tiveram no desenvolvimento de nossas habilidades físico e mentais, agora mudam de identidade e enderêço para serem reconhecidos , enquanto o que nos estreita e retratam o modo como funcionamos enquanto adeptos de coragem ou de medo no campo do amor.
mata afogados , o que quer dizer o grande sociólogo afinal?
Que optamos pela inconsistência em nosso modo de viver , como se a força do consumo em sua voracidade tivesse autorizado que o conceito de mercadoria pudesse perpassar inclusive, os requintes de nossa alma.
Aos poucos ou aos muitos, fomos sendo tomados por transações no convívio que regidas pela idéia de consumo , ou seja , pelo modo como tudo é consumido chegou ao campo da alma , fazendo um tipo de subversão tão espetacular quanto perniciosa .
É como se críassemos um tipo de percepção onde as raízes de tudo, pudessem ser ignoradas, às custas ou com a promessa de uma soltura , em que nada é tão merecedor de dedicações que não seja por um curto período de tempo .
Subverte-se assim dois deuses perigosos , Éros e Cronos , tanto o amor enquanto ligação perene , quanto inventa-se um conceito de tempo fugídio demais , um ataque frontal a idéia de compromisso.
A inconsistência passa ser um território onde muitos estratagemas definem suas potências enquanto compensações , não exatamente para o que se ganha ,mas para o que se deixa de perder. É a face temida do amor , seu lado sombrio , onde o medo da entrega é tanto, que impõe o se contentar com resultados pífios , com a falsa promessa de que assim se sofre menos.
Parece que as dores do amor não são para serem vivídas , como se houvesse um meio de se livrar delas , e ficar sómente com aquele lado saboroso do bolo , numa recusa da dialética espiritual , onde a dor e seus efeitos também nos capacitam a desmistificar a vida e nos enseja a beleza , mesmo que sofrida de recomeçar.
Parece que nos tornamos débeis , criaturas que nos medicamos antes da dor , na vã esperança, que assim ela não venha. Entregamos o que temos de mais valoroso , que é justo, a nossa capacidade de enfrentar e de se afirmar , o valor do guerreiro que ao lutar por algo , sabe que luta por si.
Explodimos o mundo em novidades , fizemos avançar muitas idéias que por muito esperavam suas chances , e criamos um sentido de liberdade tão incrível , que acabamos nos confundindo , pois o mundo de ligações , a liga que o amor requer para funcionar e alcançar seu modo alado, foi atingido . E foi atingido ao gerar simulações que , longe de permitir vôos para lugares desconhecidos e empolgantes para o currículum do espírito viajante, pelo contrário, enverniza a mesmice na conta de liberdades medrosas que não podem prescindir das fantasias para suas animações.
O outro deixa de ser alguém em se tenta o exercício da adição , modo mais afim com a reprodução e alegria da vida e passa ser um estrangeiro em que se deseja intimidade , pelo amor de Deus, e ao mesmo tempo , alguém sob eterna suspeita de não ser merecedor do mundo íntimo , pois nunca se está certo de suas credenciais .
A demanda de amor , essa que a Psicanálise conhece tão bem , sofre do imperativo de querer, da forma mais barata possível . É assim uma questão econômica , aonde o Real obriga a separações das simbioses maternas , pois o pequeno "enfant" , precisa chegar e se afirmar , enquanto um alguém que ocupa um lugar , a princípio concedido pela ordem familiar , depois a ser conquistado na ordem social.
Essa construção imperiosa e inarredável é de um esplendor irretocável quando se pensa o que virá depois.Pode -se sofrer para alcançar esse patamar , pois exige-se o luto da completude triunfal do bebê , e se nos coloca de frente para luta.
A construção mental, é sem dúvida , trabalhosa , mas essa entrada no socius, é a base da vida de pertencimento, além das paredes familiares. Não fazer isso , trás implicações sérias no campo da psicopatologia, e para muitos é aí ,o próprio núcleo da psicose.
Mas convém observar que esse trabalho de construção é a condição para uma exogamia , o além que é induzido pelo tabú do incesto , ou seja , tem que se ir mais longe para encontrar, nada de desfalecimentos que geram acomodação ,e o despertar da alma do amor enquanto um caminho a percorrer , na esperança de um encontrar sem garantia . Arrisca-se ,e arriscar é o modo como Éros parece gostar de ser cultuado , pois é a liga entre dois seres que não se conhecem. Logo , nada mais perigoso , afinal, quem é este outro que me atrae e ao mesmo tempo assanha o que tenho de mais íntimo e sigiloso?
Os rituais de preservação e também de minimização das suspeitas, de certa forma perderam a força , pois numa sociedade que prima pela liberdade determinados rituais acabaram por parecer prisões temidas e passaram a ser evitados.
Noivados , por exemplo, que era o espaço gradual de aproximação onde o vínculo era referendado pela família , principalmente da noiva e uma certa ambientação dos modos, antes do casamento propriamente dito, hoje é tido na conta de quase uma invasão da privacidade e como ofensa do lema vigente de que " a vida é nossa e ninguém tem nada a ver com isso".
Os espaços se afastaram e geraram mais "independência"e insegurança , pois o que vale agora é no campo estritamente pessoal , ou seja , cada um que saiba de si. O curioso nisso é que os consultórios passaram a ocupar então , o lugar das confissões aonde cada um pode regredir e chorar sem ser visto ou julgado , por não estar tão certo, e não saber o que quer.
Emancipações sociais que não se fizeram acompanhar no plano psíquico , mais exigente e menos tapeado do que o social . Discute-se inclusive o que mudou mesmo e se tudo não é o mesmo às custas de novas expressões . Um dilema interessante , pois a criança em sua demanda de amor e segurança , pode inscrever seus modos em novas expressões , mas não pode subtrair as exigências feitas ao humano para se estruturar como humano , já que o humano pertence a ordem humana e não basta nascer para sê-lo.
Em outras palavras somos criaturas do amor , falamos porque vivemos a falta diz Lacan , uma falta estruturante , que nos leva a ter que pedir . Mas esse pedido , encontra-se mais circunscrito ao solilóquio , aquela fala consigo mesmo , do que um arremesso ao outro , já que é o que temos de mais sensível e vulnerável .Precisamos de amor para tudo , " uma vida sem amor é morta" diz Osho , a ofensa nos agride , o carinho nos comove, somos sensíveis ao modo como somos tratados , enfim , temos um pertencimento à ação do outro sobre nós .
E no entanto, parece que temos uma estranha necessidade de mentir , como se não quizessemos mostrar , o que nos faz humanos , afetações comuns que comove a todos.
A máscara , se por um lado é o próprio jogo , por outro , é des-dizer , o que não se diz ou que se diz sem dizer.Mas convém lembrar, que por mais que possamos re-interpretar o nível estrutural da linguagem , dependemos dos códigos de comunicação .
Ora , isso quer dizer que para o que não se diz ou se mal-diz , o outro , essa criatura tão comum quanto nós fica encarregado de traduzir textos que mais se escondem do que se revelam. Na prática dos jovens , se tenta resolver as aflições da aproximação inicial , pedindo à um amigo(a) para fazer a sondagem primeira , qual a chance , qual a garantia , para com isso se evitar recusas que podem envergonhar.
Descontos a parte , o medo de ser recusado fica como pano de fundo , pois se tudo é rápido e só serve ao imediato , porque se oferecer ouros e tesouros se nada vai ficar?
Ah ! Que pena . Pois o amor na alma é também uma grande capacidade , uma capacidade que nos dá o gosto do viver , a afirmação de que a experiência é a moeda irrecusável desse viver e aprender , a matéria que os psicanalistas conhecem como sendo o móbile da elaboração , o trabalho da singularidade , a individuação Junguiana , o longo caminho alquímico da salvação coletiva .
Subtrair o pagar pra ver tem um preço , pois aos poucos vamos nos acorvardando , em nome de uma dor imaginária que se torna onipresente e que nos subtrai justamente as aquisições que só as conquistas podem fazer.
Por outro lado o brilho de Afrodite ,a grande deusa do Amor , ao se retrair leva junto o vigor da expressão, o que justamente é a força do encantamento , pois a expressão é única , o portal da singularidade misteriosa , o que nos leva a admirar profundamente , quando nos damos conta que cada um é impar , uma estrela única , um brilho no todo mas um momento íntimo da Criação.
Daí que a intimidade seja também nossa força cósmica , nosso êxtase , nosso gozo sideral , que os modelos insistem em desacreditar , tentando nos fazer crer que para Afrodite as figurações banais se ajustam à sua natureza , sem nada tão grave.
Encerrados num tipo de hipnose geral , em que o mundo é visto como conjunção de movimentos variados , sem nenhum compromisso a mais, a não ser animar a vida , principalmente , a vida de consumo, não nos damos conta que a melancolia do futuro avança , pois retiramos do cenário mental a idéia de que a vida seja pra nós uma prospecção.
Apenas regredimos , uma entrega ao passado que já não pode ser , mas que parece abrigar os acertos que ainda queremos , ou as devoluções que ainda achamos que a vida nos deve,e que com isso permitimos que as exigências que daí resultam , se tornem verdadeiros arsenais no registro dos afetos , que sedentos de futuro só fazem apresentar contas impagáveis do que o passado já não pode realizar.
O amor em nenhuma hipótese pode prescindir do desafio , é Éros que nos desafia e nos movimenta , uma pulsão irredutível que nos faz desejar sempre , e querer mais , pois temos ânsia de ir além , de horizontes , de explorações que se inscrevem na memória da vida como momentos diferenciais aonde costumamos nos agradecer pela ousadia, como se sentíssemos que ficar no mesmo, nada oferece para contar.
A Presença , essa composição de brilho e intensidade, se para muitos é gozo do Ser , é também o do Estar , é bom estar e estar com tudo , uma entrega desejante, cujo maior gozo é a própria Presença , a intensidade do Vivo , o despertar das dormências hipnóticas e das concordâncias ralas e acomodadas . O Vivo é polêmico , é rebelde , é que não interessa ao hipnólogos, pois , diminue a possibilidade das sugestões e dá a cada um o trabalho de descobrir , mesmo que seja um pouco a cada dia.
A virtualidade é um campo de possibilidades onde as distâncias além de minimizarem, também aclimatam melhor as aproximações , embora haja aí, o perigo dos ensimesmamentos que buscam subverter às regras da alteridade , ou seja, simulações que buscam substituir o exercício ao vivo , o contracenar dos olhos nos olhos , única forma em que a alteridade , mesmo que depois de seduzida pode oferecer o coração na vibração do olhar e da carne. O outro corporificado , momento do reconhecimento e da identificação , o exame do que tem ou não haver , o cheiro que aquece os sentidos e o tesão , a liga que se excita no modo de falar, a voz como atrator , já que voz chata e ansiosa não convida à escuta acolhedora.
Vemos então que o amor é uma ciência e uma poesia , é uma cons-ciência , um estar-com, que rege o aprimoramento da raça , que depois de passar por tantos períodos no tempo antropológico , chega agora as disposições mais sutis , os orgãos mais sutis , o refinamento de uma anatomia por conhecer ,o tempo lógico da regência da alma , onde os inimigos que tanta importância tiveram no desenvolvimento de nossas habilidades físico e mentais, agora mudam de identidade e enderêço para serem reconhecidos , enquanto o que nos estreita e retratam o modo como funcionamos enquanto adeptos de coragem ou de medo no campo do amor.
24.4.11
Fim de semana
É incrível como fim de semana é um marco incrustado em nossa vida desde sempre.
É própria suscetibilidade do tempo , que parece guardar os encantos para os últimos e primeiro dia da semana , já que segunda é o segundo dia.
Depois da gênese do mundo , dizem que Deus descansou, e confessadamente , parece que não é isso o que se pretende no fim de semana.
Qualquer criatura , um pouco mais jovem , certamente achará essa idéia coisa de velho.
O fim da semana é o óóó. Sim , tem a senha dos demônios que se agitam e saem em procura , não sabemos exatamente do que , mas que interessa isso? O gostoso do jogo é ir a caça , sem saber exatamente o que caçar." Procura-se" dizem as placas imaginárias , e vamboraaaaaaaa, que hoje é festa. Todo mundo se melhora na frente do espelho , roupinha mais de acordo com a ocasião , adornos femininos e cheiros masculinos invadem o éter visual e olfativo , todos prontos e vamboraaaaaaaa, hehehehhehe , pra onde mesmo ?
Liga aí , liga aí pra fulana ... e aí meu irmão cadê tu? qual é a boa de hoje?
Congestiona-se as linhas telefônicas que fazem sorrir a qualquer operadora, que não cessa de incentivar o consumo com novas promoções . Sabem perfeitamente que o YANG juvenil quer é mais e que se dane o resto . Difícil contabilidades nesse momento , real demais não tem graça , afinal o jogo é imaginário.Preços se vêm depois , não é hora disso, e por favor não estraguem o barato. Se há verdade que tudo se repete e que conflitos inter-geracionais existem desde que Adão e Eva tiveram seus filhos , diria que hoje o objeto da disputa é o telefone , com seu universo complexo e caro. E não tem retorno, a ânsia de comunicação fez disparar os meios , e estar junto vale tudo . A grupalidade que se configura é da ordem de um elo tribal , onde os amigos também são vistos como parceiros de guerra . O anonimato e a imensão do desconhecido social são ameaçadores e atiçam velhas inibições , de formas que ir pra "night ", além de ser uma senha de guerra é também um pedido de companhia . Se faz necessário alguém ou alguéns para se sentir seguro e poder brilhar , senão só o canto e a timidez.
Muita coisa então acontece, e muitas outras ficam por acontecer , promessas que deverão se desenrolar durante a semana às custas de muita falação e muita briga com os pais para se diminuir o tempo de conversa no telefone , que mesmo sendo particular , a conta é paga por outro . A internet tem facilitado a vida com as redes sociais , trazendo outra questão do cotidiano familiar , a hora de dormir.
Mas , essa fome imaginária , talvez exarcebada pelas mudanças líquidas que Bauman aponta , parece ter haver com o modo compacto como as inconsistências convergem e parecem verdadeiros bolsões de um mundo à margem , um mundo que parece ter sido feito mais para ensaiar do que para se efetivar.
O fim de semana é a hora da verificação dos detalhes, o acabamento para se verificar o desempenho ,o teste narcísico do brilho , do fulgor , as novas cores do velho desejo de ser amado .
Obviamente, que estamos falando do modo como o dia é o lugar dos preparativos , sendo a estrela , a noite em duplo sentido . O céu por inspiração , a lua como testemunha silenciosa e os dois como símbolos, hoje, pouco participantes do cenário relacional . Parece não haver tempo de olhar pra cima e não se acredita que o destino possa, de fato, estar escrito nas estrelas.
A sexta- feira de santa não tem nada , nem mesmo no dia próprio, não há a grosso modo, grandes entusiasmos santificados , mas é um bom dia para se apreciar a manifestação que o desejo provoca . Para muitos , a noite, principalmente , é o limiar da vida de casado e de solteiro , vive-se uma liberdade com gosto de perdida , onde as aventuras foram substituídas por deveres e obrigações e esse espaço rápido é o meio de recuperá-lo , enquanto o ponteiro do relógio não lembra, que é hora de voltar.
Muitas voltas optam por serem bêbadas , ou disfarçadamente assim , pois não há como negar em tão pouco tempo , a passagem de um lugar ao outro , um de descontração expulsiva , outro de contração e tentativa rápida de recomposição estética e moral .
Entra-se então no sábado , já com outro gosto , dependendo aí das faixas etárias respectivas, pois para uns é a família , os encargos que exigem desempenhos de leveza e que por isso , correm o risco de serem feitos com mau-humor . São as crianças que querem brincar , o supermercado por fazer , a visita à família nuclear, pai , mãe , irmãos ,e tomara que o casal goste da família ,um do outro.
Muitos trabalhos também são feitos nesses dias , mostrando que a vida moderna tem uma fluência permeável , e muito do espaço doméstico é invadido com tarefas profissionais , que faz requerer mais compreensão nas divisões das tarefas onde as mulheres , em geral, acabam ficando com os filhos , para seus maridos trabalharem.
Quando o serviço é em casa , o cenário emocional é um ,mas caso seja no lugar de trabalho dele, é outro , pois não raro , existe a suspeita do que há além do trabalho.
A noite de sábado , então ,é a grande hora do lazer merecido .
Subtraí-lo tem preço , é o ponto onde a vida mais faz suas contas , pois tem-se o registro do quanto a jovialidade é um extroversão , uma participação na atualidade das ofertas sociais.
Uma boa peça , um filme , uma festa, um lugar pra dançar , siginificam um estar-aí atual , um lugar inclusive que serve para comparações do como se está, e é hora de algo diferente.
Observa-se a moda, os cenários , o se comportar em público , aguça-se a inteligência , atualiza-se as conversas, enfim , fica-se por dentro , já que ficar fora,tem o estranho gosto de quem já começou a morrer . Numa sociedade ativa e dinâmica quem não tem o que falar tá morto socialmente , um tipo de exclusão dos culturalmente pobres , que começa pelo escasseamento de convites para participar . Vive -se a dor solitária de se estar sendo excluído, sem que se tenha cometido nenhum crime , a não ser o fato, de que estamos sendo colocados na lista dos desinteressantes.
Esse sentimento sempre presente , pouco reconhecido e nomeado , é responsável por uma série de obesidades de homens e mulheres , que por sua vez , resolvem cumprir juntos a sentença desse tipo de anônimato. Tornam-se parceiros e cúmplices ressentidos, de um esquecimento do mundo e não raro se entregam a construção de um espaço onde se vingam do mundo lhe permitindo entrar muito pouco. Um estranho modo de alienação moderna , onde a casa é o refúgio e o cemitério das próprias desistências , com aumento guloso da boca, que se encarrega de trazer os prazeres mais perto e imediatos.
Nesse caso , o sólido volta e faz volume e peso , pois , a falta de um intercâmbio renovador , produz estagnações onde o chamado ganho secundário que Freud aponta nas doenças, dá a mesmice uma feição arrogante , onde os conflitos se acomodam por medo , e se tornam um lugar comum na retórica do convívio.
O fim de semana , nesses casos é uma repetição de um mesmo enrêdo surrado e triste , onde a desistência ao espiríto renovador das forças da vida pela alegria e pelo descanso já não permite que muitas coisas aconteçam, pois se perdeu a escuta do que é novo.
Se fica velho e se envelhece tudo.
Em muitas casas , ao atingir o espírito da juventude alheia , muitas pelejas são travadas por muitas vezes de forma histérica, sem que as verdadeiras razões apareçam , pois admitir modos em que a vida entrou em ordem de desistência , levaria impreterivelmente a necessidade de aprofundar o mal.
Já de outra forma , muitos casais celebram o início , o gosto de projeto , o descortinar de um futuro desde já . Esses estão aí e é fácil identificá-los , sempre buscam o que fazer e mesmo o não fazer , já é um fazer , pois curtem o estar juntos , o acasalamento já é o programa.
Não curtir o sabádo a noite parace ter um preço , que os casais jovens que têm filho pequeno, sabe o quanto custa ,e não é raro vê-los se esforçando , pois excluídos do grupo dos que não têm , fazem programas no novo clube dos que têm , e naturalmente os programas mudam e ficam menos noite a dentro, entrecortados pela atenção que os menores requerem .
A vida entra em níveis de complexidade exigente , que vai desde a atenção focal da hora de mamar , o choro gritão que nem sempre tem as simpatias do social , a criaturinha que um pouco maior quer atenção e não deixa conversar os adultos , descobre-se então ,que sem amiguinhos é impossível vida social.
Essas forças que regem a vida de dentro pra fora são poderosas , e muito do que se vê no externo é minímo em relação ao de dentro , e mesmo uma dia ao teatro ou cinema pode requerer muito trabalho para alguns.
Quando se perde o gosto da diversão , tudo complica , pois é necessário lembrar que , diversão quer dizer diversos , a capacidade de comoção no diverso , no que é diferente.
Há uma tentação em sucumbir , principalmente pela acomodação , talvez , mais expressiva no domingo , dia dedicado a família , ao almoço familiar , a visita , ao programa doméstico , que as televisões sabem como ninguém .
Alegram o universo masculino com o futebol e propõem cores e movimentos rápidos em seus programas interativos , para que a acomodação não fique tão pesada e o tal sofá , seja o trono mais adornado do rei que se refastela , em uma suspensão sonolenta ou já pensando no dia de amanhã.
A noite de domingo , cujas chamadas televisivas já indicam o fim do fim de semana ,e uma aurora de um novo início , em geral , recebido com má-vontade , é o limiar onde a vida e a morte se combinam , dando ao grande e temido "Cronos o rei do tempo" o valor do seu poder, pois tudo de novo, como um carrossel, cujos atores aos poucos vão ficando atordoados , suspeitando que além disso , a vida deve ter em mente outra coisa que não uma repetição, cabe-nos descobrí-la.
Ao se ter em conta todos os trabalhos e investimentos que se dispende para viver e tendo a própria experiência como referência , é difícil não pensar no como deveríamos ser mais solidários e o quanto a organização do espaço social carece de planejamentos que facilite o custo de nossa vida em comum .
Escolhi algumas situações mais específicas ,sem negar que existem outras situações ou tipologias , para quem o fim de semana não tem nada haver com isso.
Perguntei então a um mendigo o que era pra ele o fim de semana, e tive como resposta de que há mais gente na rua e que dessa forma as ajudas são mais constantes . Mas , não percebi nenhum entusiasmo particular por isso . Penso que os despossuídos , talvez não tenham rituais a cumprir , pois o público se foi . Vejo-os deitados e dormentes sem grandes variações, me fazendo desconfiar que já não há tanto o que celebrar , e que o tempo é também relativo aos modos de ocupação diferenciada.
Mesmo os desocupados sofrem e muito de tédio , uma rotina amarga e mesma , a rua se pra muitos é símbolo de liberdade, diria que é muito mais a paralização do que já não há , um ritual mínimo que aos poucos vai sendo sugado por sua própria destruição .
Que tal compartilharmos nossos escritos sobre o fim de semana , me escrevam.
Ao acabar de escrever , soube da morte de SATHIA SAY BABA , o grande Mestre do Amor que fez sua passagem na Índia onde morava , sem dúvida, uma enorme perda.
Até amanhã , hoje é domingo.
É própria suscetibilidade do tempo , que parece guardar os encantos para os últimos e primeiro dia da semana , já que segunda é o segundo dia.
Depois da gênese do mundo , dizem que Deus descansou, e confessadamente , parece que não é isso o que se pretende no fim de semana.
Qualquer criatura , um pouco mais jovem , certamente achará essa idéia coisa de velho.
O fim da semana é o óóó. Sim , tem a senha dos demônios que se agitam e saem em procura , não sabemos exatamente do que , mas que interessa isso? O gostoso do jogo é ir a caça , sem saber exatamente o que caçar." Procura-se" dizem as placas imaginárias , e vamboraaaaaaaa, que hoje é festa. Todo mundo se melhora na frente do espelho , roupinha mais de acordo com a ocasião , adornos femininos e cheiros masculinos invadem o éter visual e olfativo , todos prontos e vamboraaaaaaaa, hehehehhehe , pra onde mesmo ?
Liga aí , liga aí pra fulana ... e aí meu irmão cadê tu? qual é a boa de hoje?
Congestiona-se as linhas telefônicas que fazem sorrir a qualquer operadora, que não cessa de incentivar o consumo com novas promoções . Sabem perfeitamente que o YANG juvenil quer é mais e que se dane o resto . Difícil contabilidades nesse momento , real demais não tem graça , afinal o jogo é imaginário.Preços se vêm depois , não é hora disso, e por favor não estraguem o barato. Se há verdade que tudo se repete e que conflitos inter-geracionais existem desde que Adão e Eva tiveram seus filhos , diria que hoje o objeto da disputa é o telefone , com seu universo complexo e caro. E não tem retorno, a ânsia de comunicação fez disparar os meios , e estar junto vale tudo . A grupalidade que se configura é da ordem de um elo tribal , onde os amigos também são vistos como parceiros de guerra . O anonimato e a imensão do desconhecido social são ameaçadores e atiçam velhas inibições , de formas que ir pra "night ", além de ser uma senha de guerra é também um pedido de companhia . Se faz necessário alguém ou alguéns para se sentir seguro e poder brilhar , senão só o canto e a timidez.
Muita coisa então acontece, e muitas outras ficam por acontecer , promessas que deverão se desenrolar durante a semana às custas de muita falação e muita briga com os pais para se diminuir o tempo de conversa no telefone , que mesmo sendo particular , a conta é paga por outro . A internet tem facilitado a vida com as redes sociais , trazendo outra questão do cotidiano familiar , a hora de dormir.
Mas , essa fome imaginária , talvez exarcebada pelas mudanças líquidas que Bauman aponta , parece ter haver com o modo compacto como as inconsistências convergem e parecem verdadeiros bolsões de um mundo à margem , um mundo que parece ter sido feito mais para ensaiar do que para se efetivar.
O fim de semana é a hora da verificação dos detalhes, o acabamento para se verificar o desempenho ,o teste narcísico do brilho , do fulgor , as novas cores do velho desejo de ser amado .
Obviamente, que estamos falando do modo como o dia é o lugar dos preparativos , sendo a estrela , a noite em duplo sentido . O céu por inspiração , a lua como testemunha silenciosa e os dois como símbolos, hoje, pouco participantes do cenário relacional . Parece não haver tempo de olhar pra cima e não se acredita que o destino possa, de fato, estar escrito nas estrelas.
A sexta- feira de santa não tem nada , nem mesmo no dia próprio, não há a grosso modo, grandes entusiasmos santificados , mas é um bom dia para se apreciar a manifestação que o desejo provoca . Para muitos , a noite, principalmente , é o limiar da vida de casado e de solteiro , vive-se uma liberdade com gosto de perdida , onde as aventuras foram substituídas por deveres e obrigações e esse espaço rápido é o meio de recuperá-lo , enquanto o ponteiro do relógio não lembra, que é hora de voltar.
Muitas voltas optam por serem bêbadas , ou disfarçadamente assim , pois não há como negar em tão pouco tempo , a passagem de um lugar ao outro , um de descontração expulsiva , outro de contração e tentativa rápida de recomposição estética e moral .
Entra-se então no sábado , já com outro gosto , dependendo aí das faixas etárias respectivas, pois para uns é a família , os encargos que exigem desempenhos de leveza e que por isso , correm o risco de serem feitos com mau-humor . São as crianças que querem brincar , o supermercado por fazer , a visita à família nuclear, pai , mãe , irmãos ,e tomara que o casal goste da família ,um do outro.
Muitos trabalhos também são feitos nesses dias , mostrando que a vida moderna tem uma fluência permeável , e muito do espaço doméstico é invadido com tarefas profissionais , que faz requerer mais compreensão nas divisões das tarefas onde as mulheres , em geral, acabam ficando com os filhos , para seus maridos trabalharem.
Quando o serviço é em casa , o cenário emocional é um ,mas caso seja no lugar de trabalho dele, é outro , pois não raro , existe a suspeita do que há além do trabalho.
A noite de sábado , então ,é a grande hora do lazer merecido .
Subtraí-lo tem preço , é o ponto onde a vida mais faz suas contas , pois tem-se o registro do quanto a jovialidade é um extroversão , uma participação na atualidade das ofertas sociais.
Uma boa peça , um filme , uma festa, um lugar pra dançar , siginificam um estar-aí atual , um lugar inclusive que serve para comparações do como se está, e é hora de algo diferente.
Observa-se a moda, os cenários , o se comportar em público , aguça-se a inteligência , atualiza-se as conversas, enfim , fica-se por dentro , já que ficar fora,tem o estranho gosto de quem já começou a morrer . Numa sociedade ativa e dinâmica quem não tem o que falar tá morto socialmente , um tipo de exclusão dos culturalmente pobres , que começa pelo escasseamento de convites para participar . Vive -se a dor solitária de se estar sendo excluído, sem que se tenha cometido nenhum crime , a não ser o fato, de que estamos sendo colocados na lista dos desinteressantes.
Esse sentimento sempre presente , pouco reconhecido e nomeado , é responsável por uma série de obesidades de homens e mulheres , que por sua vez , resolvem cumprir juntos a sentença desse tipo de anônimato. Tornam-se parceiros e cúmplices ressentidos, de um esquecimento do mundo e não raro se entregam a construção de um espaço onde se vingam do mundo lhe permitindo entrar muito pouco. Um estranho modo de alienação moderna , onde a casa é o refúgio e o cemitério das próprias desistências , com aumento guloso da boca, que se encarrega de trazer os prazeres mais perto e imediatos.
Nesse caso , o sólido volta e faz volume e peso , pois , a falta de um intercâmbio renovador , produz estagnações onde o chamado ganho secundário que Freud aponta nas doenças, dá a mesmice uma feição arrogante , onde os conflitos se acomodam por medo , e se tornam um lugar comum na retórica do convívio.
O fim de semana , nesses casos é uma repetição de um mesmo enrêdo surrado e triste , onde a desistência ao espiríto renovador das forças da vida pela alegria e pelo descanso já não permite que muitas coisas aconteçam, pois se perdeu a escuta do que é novo.
Se fica velho e se envelhece tudo.
Em muitas casas , ao atingir o espírito da juventude alheia , muitas pelejas são travadas por muitas vezes de forma histérica, sem que as verdadeiras razões apareçam , pois admitir modos em que a vida entrou em ordem de desistência , levaria impreterivelmente a necessidade de aprofundar o mal.
Já de outra forma , muitos casais celebram o início , o gosto de projeto , o descortinar de um futuro desde já . Esses estão aí e é fácil identificá-los , sempre buscam o que fazer e mesmo o não fazer , já é um fazer , pois curtem o estar juntos , o acasalamento já é o programa.
Não curtir o sabádo a noite parace ter um preço , que os casais jovens que têm filho pequeno, sabe o quanto custa ,e não é raro vê-los se esforçando , pois excluídos do grupo dos que não têm , fazem programas no novo clube dos que têm , e naturalmente os programas mudam e ficam menos noite a dentro, entrecortados pela atenção que os menores requerem .
A vida entra em níveis de complexidade exigente , que vai desde a atenção focal da hora de mamar , o choro gritão que nem sempre tem as simpatias do social , a criaturinha que um pouco maior quer atenção e não deixa conversar os adultos , descobre-se então ,que sem amiguinhos é impossível vida social.
Essas forças que regem a vida de dentro pra fora são poderosas , e muito do que se vê no externo é minímo em relação ao de dentro , e mesmo uma dia ao teatro ou cinema pode requerer muito trabalho para alguns.
Quando se perde o gosto da diversão , tudo complica , pois é necessário lembrar que , diversão quer dizer diversos , a capacidade de comoção no diverso , no que é diferente.
Há uma tentação em sucumbir , principalmente pela acomodação , talvez , mais expressiva no domingo , dia dedicado a família , ao almoço familiar , a visita , ao programa doméstico , que as televisões sabem como ninguém .
Alegram o universo masculino com o futebol e propõem cores e movimentos rápidos em seus programas interativos , para que a acomodação não fique tão pesada e o tal sofá , seja o trono mais adornado do rei que se refastela , em uma suspensão sonolenta ou já pensando no dia de amanhã.
A noite de domingo , cujas chamadas televisivas já indicam o fim do fim de semana ,e uma aurora de um novo início , em geral , recebido com má-vontade , é o limiar onde a vida e a morte se combinam , dando ao grande e temido "Cronos o rei do tempo" o valor do seu poder, pois tudo de novo, como um carrossel, cujos atores aos poucos vão ficando atordoados , suspeitando que além disso , a vida deve ter em mente outra coisa que não uma repetição, cabe-nos descobrí-la.
Ao se ter em conta todos os trabalhos e investimentos que se dispende para viver e tendo a própria experiência como referência , é difícil não pensar no como deveríamos ser mais solidários e o quanto a organização do espaço social carece de planejamentos que facilite o custo de nossa vida em comum .
Escolhi algumas situações mais específicas ,sem negar que existem outras situações ou tipologias , para quem o fim de semana não tem nada haver com isso.
Perguntei então a um mendigo o que era pra ele o fim de semana, e tive como resposta de que há mais gente na rua e que dessa forma as ajudas são mais constantes . Mas , não percebi nenhum entusiasmo particular por isso . Penso que os despossuídos , talvez não tenham rituais a cumprir , pois o público se foi . Vejo-os deitados e dormentes sem grandes variações, me fazendo desconfiar que já não há tanto o que celebrar , e que o tempo é também relativo aos modos de ocupação diferenciada.
Mesmo os desocupados sofrem e muito de tédio , uma rotina amarga e mesma , a rua se pra muitos é símbolo de liberdade, diria que é muito mais a paralização do que já não há , um ritual mínimo que aos poucos vai sendo sugado por sua própria destruição .
Que tal compartilharmos nossos escritos sobre o fim de semana , me escrevam.
Ao acabar de escrever , soube da morte de SATHIA SAY BABA , o grande Mestre do Amor que fez sua passagem na Índia onde morava , sem dúvida, uma enorme perda.
Até amanhã , hoje é domingo.
23.4.11
Os Luizes - O Rei Sol e o carregador de Feira
Conhecem Luiz XIV , o chamado Rei Sol ?
Nãoooo? Nem eu .
Comecei a me interessar por ele quando descobri que era um desses reis que tinha uma vocação absolutista e que cunhou a frase "O Estado sou Eu".
Sempre estudioso do Eu , gosto de acompanhar suas tendências magnânimas , bem como, suas ladeiras abaixo , essas tendências cavernosas , de trevas como diz a rapaziada.
Este Luiz XIV era danado , gostava do poder( quem não gosta?) , passou a história como alguém excessivamente vaidoso e mulherengo . O que não faltava eram amantes , pior que ele só outro monarca danado , chamado Henrique VIII , que era brabo e mandava matar as amantes.
Luiz gostava de perucas e fez a moda pegar e a partir dele , passamos a ver aquela perucada toda nos filmes , um tipo de apetrecho estético de tremendo mau-gosto , principalmente quando a pessoa era mostrada na hora de dormir , sem peruca .
Peruca era um modo fixo de se mostrar e de esconder, dava um ar sóbrio , possivelmente as falcatruas que nunca pararam de acontecer nas esferas mais altas da Corte e do Estado , até hoje , ou melhor, hoje mais do que nunca.
A plebe coitada não tinha peruca , era como era mesmo , em geral feiosa e sem adornos hipnóticos.
O nosso rei , que não devia ser nenhuma formosura , achou que com peruca tudo ficava melhor, no que foi imitado pelas Cortes do Europa . Quando se tornou rei herdou o trono de sua mãe , devia ser edípico , uma França mal das pernas em têrmos de grana e destroçada economicamente.
Pois , nosso Rei ao longo de um reinado de 54 anos conseguiu tornar a França um potência e teve dificuldades para aceitar seu sucessor , que por sua vez era chegado à sapato , que se consagrou como o famoso sapato de Luiz XV, com direito a fivelinha dourada e tudo.
Já o nosso outro Luiz , esse eu conheci numa feira dessas da vida.
Se biotipo lembra o pigmeu , magro , baixo e feio .
Me abordou no final da feira , justo quando você já está começando achar que comprou mais do que as mãos permitem , oferecendo para que eu colocasse tudo no carrinho.
Quanto? perguntei eu.
Ah , não se preocupe e me dê o que achar melhor.
Acho incrível , esses encontros com cara de nada e que contém potências especiais do tempo, pois ali começava nossa amizade que até hoje consagro e agradeço.
No caminho para minha casa aproveitei e perguntei sobre a vida do meu parceiro de lado .
O que faz você na vida amigo?
Ué , carrego compras.
Filhos ? Já que me parecia um homem de meia idade , apesar do corpo franzino e juvenil !
4 filhos , me disse rápido .Achei que era sacanagem . Sério ? insisti!
Algo em mim naquele momento relutou em acreditar , não pelo Luiz , mas por mim mesmo.
Liberal desde há muito , vivi os altos e baixos da vida daqueles que trabalham pra si .
Mesmo número de filhos de meu amigo , me faltou folêgo e coragem na imaginação para supor a possibilidade criá-los com carrinho de feira e com preço ditado à sensibilidade do freguês.
Começando a vida cedo , numa atividade cheia de ranços elitistas, por muitas vezes temi por mim e pelos meus.Fantasias de falência nunca me faltaram e sempre no meu imaginário guardei lugar para outra atividade , caso o caminho da mente fracassasse.
Mas eu sempre quis louvar minha paixão e fui indo , aproveitando tudo , não desperdiçando nada, lá ia eu. Sabendo que no meu caso era tudo ou nada , pois minha família já tinha ficado para trás. Pensei em várias coisas alternativas , plano B , caso necessário , mas nunca me ocorreu ganhar a vida com carrinho tipo roleman na feira.
Olhei para Luiz , pensei em meu humor, que não dispenso, o quanto lhe ficaria surreal uma peruca. Um pigmeu feio com uma peruca mentirosa da Corte.
Vi o desenho animado que surgia enquanto conversava com ele.
As vezes me pergunto se as combinatórias lógicas impossíveis não mudariam em algum lugar. A idéia de uma lógica não-linear existe e com belos estudiosos ( Vide Newton Costa , em seu livro sobre este tema), e a força do país de Alice.
Como ?
Como o que ? retrucou ele.
Como é possível criar 4 filhos com carrinho de feira?
A resposta , quase me fulmina , disse simplesmente " não sei".
Entregar a vida ao não sei sempre foi pra mim impensável. Desde cedo, me tornei adepto que é preciso saber , havia muitos vácuos em minha história de vida que se tornaram fracassos, pelo descaso do não querer saber.
Com filhos a vida é outra, diga-se, muito outra.
Fracassar tendo filho é um castigo eterno , dizia Rosseau, que abandonou seu filho , apesar de ter tão bela alma. Ouvir filho pedir e não ter , é algo que mata me dizia , uma jovem mãe que , por vezes não tinha o que oferecer a seus filhos.
Luiz propunha algo revolucionário e diferente , nem o ter nem o não ter , mas o ter um pouco que seja a cada dia , mas sem saber.
Parodiando Sartre " A consciência é ou não um inferno?
A angústia do saber era um divisor de classe entre eu e Luiz naquele momento, principalmente porque para ele o futuro é amanhã de manhã na nova feira .
E pra mim uma tentativa de arrancar do tempo uma salvaguarda que permitisse fazer chegar a uma margem segura as pretensões daqueles que amo.
Completamente vazado , era como me sentia , absorto , tive dificuldades para continuar a conversa . Algo me questionou duramente e fiquei meio sem folêgo.
Da onde tinha tirado isso?
Que estranha doutrina esta, que me garante pelos meus e nem sempre me fez me interessar pelo dos outros?
Imaginei os filhos de Luiz ,sem Corte , por muitas vezes sem luz e comida, e dependendo do alcance de cada freguês em relação as tarefas que não se encontram em nenhuma ordem de valor estabelecido.
Seu Alex ... me chamou ele , me salvando provisoriamente sei lá do que.
E aí Luiz , onde você mora?
No morro dos macacos , ( na época sem UPP ou qualquer ordem , a não ser dos traficantes)
num casébre que está caindo o telhado em função das chuvas .
Entendo como muita gente prefere não conversar com os pobres ou despossuídos, pois têm que abrir concessões ao imaginário e ver, mesmo que rápido, o que suas paredes escondem. E como se vendo tem que mudar ou reificar suas hipocrisias.
Reificação ´eis uma idéia genial de Marx, mas não só ideológicamente , mas como destino de qualquer formação mental que tenha ficado dura e insensível , embotamentos do coração .
Meu hino de louvor ao Amor é o Sermão da Montanha , montanha difícil de subir , mas tento , um dia chego.
E como é a vida dentro da sua casa , perguntei de forma mais íntima?
Ah, meus filhos brincam , minha mulher trabalha em casa e ...... E a tv , perguntei , tentando ocupar o espaço doméstico ? Não temos , não dá .
Lacan dizia que quem sabe é o inconsciente , lá é o lugar do saber .
Eu digo , que quem sabe é o Mestre que te ensina e te faz escutar , e sabe aonde Ele está?
Na vida , nem nos consultórios , nem em lugar nenhum, não há paredes para sua presença , por isto , religar , enquanto um religião só existe no mundo , no i-mundo reitera Lacan.
Os chineses, povo incrível e milernamente sábio , afirmam que há os sopros de animação da vida , o modo como a Terra rende homenagem ao Céu e que nos compete animar os fluxos com o risco de tudo estagnar.
Uma pergunta metafísica : O que é a vida moderna sem tv?
Que animações possíveis refazem os movimentos da vida moderna sem a tv?
Duro foi ouvir que era o que os filhos mais pediam , reiterando a tese que hoje a tv independe dos aparelhos. O mundo é uma grande tv, a aldeia cheia de canais de Mac Luhan.
Fui arrebatado e entre eu e luiz , algo se fez .
Ele o plebeu , anônimo , despossuído que a vida não tem mais o que tirar , eu o sensitivo angustiado com os destinos do mundo , e impotente perante tanto clamor de injustiças e consideração , um encontro que que sem dúvida me rende mais do que a ele.
Sujeitos de uma ordem comum , ocupamos lugares diferentes, protagonizamos questões de um mesmo tempo e como atores temos palcos e cenários distintos.
Há ali naquele carrinho (que fiz questão de conhecer , obra prima dele mesmo) , um gosto incrível de desafio e temor para mim. Nele vão juntos 5 vidas que se compõem a cada dia rigorosamente , não há depois, não há planos ou dívidas , apenas a expectativa do quanto foi possível hoje .
Viver assim é para alguns uma libertação , digo, para os iluminados que vivem em órbitas acima . Não é o meu caso . O tempo pra mim exige compasso e antecedências , que luto para corresponder e sofro o medo de não conseguir.
Meu amigo é muito bem humorado e sorridente , não há ali um amanhã para se conversar .
Encarno a exigência do lugar que ocupo e tenho destinações sociais que requerem um longo esforço . Luiz é pai, marido , tem que pagar algumas contas mesmo que minímas, tem que escutar a infância dos filhos que também tem seus desejos e lá está ele , disposto a cada dia.
Sempre ensino meus filhos a agradecer, pois temos muito e por vezes mais do que o necessário. A cada dia acordo e sou acordado junto com todos que me fazem parte.
Luiz é um deles , fico imaginando como está , seu café , sua feira , seu dia valente.
Meus amigos sempre me fazem companhia ,são meus sustentáculos de imaginação diferenciada e de exercícios dos vários caminhos possíveis que a vida oferece a cada um.
Jung em seus solilóquios se perguntava o que a vida queria de nós.Se haveria aí algum plano oculto que nos seria de competência . O Grande homem chorava seus lamentos e limitações para compreender o que nos escapa , e olha o quanto lhe devemos por seus ensinos.
Reflexões amplas e dolorosas , testemunhadas com dor e amor , não os que chegam aí perto não se perturbam. Talvez aprendam que a força terrível do Mistério se encarna primeiro como desafio a nossa capacidade amar e compreender .
Cada um é um mistério em si e por si , e para entrar precisamos estar perto, desfazer indiferenças e arrogâncias que as perucas ostentam nas Cortes do mundo.
Comecei,num gesto assistêncial para comigo mesmo , por oferecer a ele a tv e o convidei para num grupo seleto nos contar como é possível , sem metáforas, fazer acontecer todos apêlos feitos a um homem , desde dinheiro , sexo, casamento, paternidade , futuro , tendo como alavanca um carrinho de feira.
Hoje em um trabalho institucional com 60 famílias muito pobres oferecemos a cesta básica e algumas oficinas de trabalho e conscientização de oportunidades que buscamos nos informar . Um trabalho modesto sem pretensão revolucionária , talvez um modo como procuramos saldar as dívidas ancestrais e comunitárias que todos temos conosco mesmo ,
e que teremos que trabalhar e muito para saldar. Mas porque não ? Sem o gozo amoroso da alteridade a vida é nula. Amar diz respeito a "auto -sobrevivência através da alteridade" diz Bauman , o filósofo líquido , numa reflexão que nos denuncia com rigor .
Amamos o outro enquanto uma alteridade simétrica , aquele que nos falta e não comparece mas um outro de qualidades afins . o que sustenta o imaginário sem subtraí-lo de pronto, se não o jogo, não dá partida.
Mas amar o nosso amigo não nos permite nenhum imaginário de reciprocidades, pois o princípio neste caso é " não se ama a quem não tem". Uma dimensão desconsiderada do amor que nos faz uma falta terrível e ao mesmo tempo que nos condena as exigências das fantasias inter-pares.
Luiz é um outro que precisa e desafia quem pode dar , assim como todos os Luizes e Luizas da vida, mas não há como inscrevê-lo na lei da compensação , o que posso receber quando dou . Não, é um dar , tipo aquele onde uma mão ignora o que faz a outra.
Mas aí só há ganho , mesmo que não seja nas moedas mesquinhas que o mundo consagrou.
Doações de amor enquanto ruptura de ordens estabelecidas , de coragens que nos levam muito além do que se vê e que faz com que há muitos , nem a morte os intimide.
Uma civilização de causas líquidas e descartáveis , inflação contagiante de Eros enquanto sedução e com forte temor a dedicação como causa . Há um preço e já estamos pagando com altos custos.
Mas , é um direito a escolha.
Agradecemos até hoje este encontro , este presente, que Luiz nos ofereceu , causando em nós uma revolução tão impactante , que se a França agradece ao seu Monarca talentoso , agradecemos nós ao nosso plebeu anônimo , que sem colocar peruca alguma no real da vida nos proporcionou uma profunda reconsideração na forma de pensar a vida, e na convicção de que os líquidos significam , não um des-caso , uma falta de caso , mas um forma de desprendimento onde os sólidos podem se liquefazer , pois a matéria é sensível ao amor como catalizador.
Nãoooo? Nem eu .
Comecei a me interessar por ele quando descobri que era um desses reis que tinha uma vocação absolutista e que cunhou a frase "O Estado sou Eu".
Sempre estudioso do Eu , gosto de acompanhar suas tendências magnânimas , bem como, suas ladeiras abaixo , essas tendências cavernosas , de trevas como diz a rapaziada.
Este Luiz XIV era danado , gostava do poder( quem não gosta?) , passou a história como alguém excessivamente vaidoso e mulherengo . O que não faltava eram amantes , pior que ele só outro monarca danado , chamado Henrique VIII , que era brabo e mandava matar as amantes.
Luiz gostava de perucas e fez a moda pegar e a partir dele , passamos a ver aquela perucada toda nos filmes , um tipo de apetrecho estético de tremendo mau-gosto , principalmente quando a pessoa era mostrada na hora de dormir , sem peruca .
Peruca era um modo fixo de se mostrar e de esconder, dava um ar sóbrio , possivelmente as falcatruas que nunca pararam de acontecer nas esferas mais altas da Corte e do Estado , até hoje , ou melhor, hoje mais do que nunca.
A plebe coitada não tinha peruca , era como era mesmo , em geral feiosa e sem adornos hipnóticos.
O nosso rei , que não devia ser nenhuma formosura , achou que com peruca tudo ficava melhor, no que foi imitado pelas Cortes do Europa . Quando se tornou rei herdou o trono de sua mãe , devia ser edípico , uma França mal das pernas em têrmos de grana e destroçada economicamente.
Pois , nosso Rei ao longo de um reinado de 54 anos conseguiu tornar a França um potência e teve dificuldades para aceitar seu sucessor , que por sua vez era chegado à sapato , que se consagrou como o famoso sapato de Luiz XV, com direito a fivelinha dourada e tudo.
Já o nosso outro Luiz , esse eu conheci numa feira dessas da vida.
Se biotipo lembra o pigmeu , magro , baixo e feio .
Me abordou no final da feira , justo quando você já está começando achar que comprou mais do que as mãos permitem , oferecendo para que eu colocasse tudo no carrinho.
Quanto? perguntei eu.
Ah , não se preocupe e me dê o que achar melhor.
Acho incrível , esses encontros com cara de nada e que contém potências especiais do tempo, pois ali começava nossa amizade que até hoje consagro e agradeço.
No caminho para minha casa aproveitei e perguntei sobre a vida do meu parceiro de lado .
O que faz você na vida amigo?
Ué , carrego compras.
Filhos ? Já que me parecia um homem de meia idade , apesar do corpo franzino e juvenil !
4 filhos , me disse rápido .Achei que era sacanagem . Sério ? insisti!
Algo em mim naquele momento relutou em acreditar , não pelo Luiz , mas por mim mesmo.
Liberal desde há muito , vivi os altos e baixos da vida daqueles que trabalham pra si .
Mesmo número de filhos de meu amigo , me faltou folêgo e coragem na imaginação para supor a possibilidade criá-los com carrinho de feira e com preço ditado à sensibilidade do freguês.
Começando a vida cedo , numa atividade cheia de ranços elitistas, por muitas vezes temi por mim e pelos meus.Fantasias de falência nunca me faltaram e sempre no meu imaginário guardei lugar para outra atividade , caso o caminho da mente fracassasse.
Mas eu sempre quis louvar minha paixão e fui indo , aproveitando tudo , não desperdiçando nada, lá ia eu. Sabendo que no meu caso era tudo ou nada , pois minha família já tinha ficado para trás. Pensei em várias coisas alternativas , plano B , caso necessário , mas nunca me ocorreu ganhar a vida com carrinho tipo roleman na feira.
Olhei para Luiz , pensei em meu humor, que não dispenso, o quanto lhe ficaria surreal uma peruca. Um pigmeu feio com uma peruca mentirosa da Corte.
Vi o desenho animado que surgia enquanto conversava com ele.
As vezes me pergunto se as combinatórias lógicas impossíveis não mudariam em algum lugar. A idéia de uma lógica não-linear existe e com belos estudiosos ( Vide Newton Costa , em seu livro sobre este tema), e a força do país de Alice.
Como ?
Como o que ? retrucou ele.
Como é possível criar 4 filhos com carrinho de feira?
A resposta , quase me fulmina , disse simplesmente " não sei".
Entregar a vida ao não sei sempre foi pra mim impensável. Desde cedo, me tornei adepto que é preciso saber , havia muitos vácuos em minha história de vida que se tornaram fracassos, pelo descaso do não querer saber.
Com filhos a vida é outra, diga-se, muito outra.
Fracassar tendo filho é um castigo eterno , dizia Rosseau, que abandonou seu filho , apesar de ter tão bela alma. Ouvir filho pedir e não ter , é algo que mata me dizia , uma jovem mãe que , por vezes não tinha o que oferecer a seus filhos.
Luiz propunha algo revolucionário e diferente , nem o ter nem o não ter , mas o ter um pouco que seja a cada dia , mas sem saber.
Parodiando Sartre " A consciência é ou não um inferno?
A angústia do saber era um divisor de classe entre eu e Luiz naquele momento, principalmente porque para ele o futuro é amanhã de manhã na nova feira .
E pra mim uma tentativa de arrancar do tempo uma salvaguarda que permitisse fazer chegar a uma margem segura as pretensões daqueles que amo.
Completamente vazado , era como me sentia , absorto , tive dificuldades para continuar a conversa . Algo me questionou duramente e fiquei meio sem folêgo.
Da onde tinha tirado isso?
Que estranha doutrina esta, que me garante pelos meus e nem sempre me fez me interessar pelo dos outros?
Imaginei os filhos de Luiz ,sem Corte , por muitas vezes sem luz e comida, e dependendo do alcance de cada freguês em relação as tarefas que não se encontram em nenhuma ordem de valor estabelecido.
Seu Alex ... me chamou ele , me salvando provisoriamente sei lá do que.
E aí Luiz , onde você mora?
No morro dos macacos , ( na época sem UPP ou qualquer ordem , a não ser dos traficantes)
num casébre que está caindo o telhado em função das chuvas .
Entendo como muita gente prefere não conversar com os pobres ou despossuídos, pois têm que abrir concessões ao imaginário e ver, mesmo que rápido, o que suas paredes escondem. E como se vendo tem que mudar ou reificar suas hipocrisias.
Reificação ´eis uma idéia genial de Marx, mas não só ideológicamente , mas como destino de qualquer formação mental que tenha ficado dura e insensível , embotamentos do coração .
Meu hino de louvor ao Amor é o Sermão da Montanha , montanha difícil de subir , mas tento , um dia chego.
E como é a vida dentro da sua casa , perguntei de forma mais íntima?
Ah, meus filhos brincam , minha mulher trabalha em casa e ...... E a tv , perguntei , tentando ocupar o espaço doméstico ? Não temos , não dá .
Lacan dizia que quem sabe é o inconsciente , lá é o lugar do saber .
Eu digo , que quem sabe é o Mestre que te ensina e te faz escutar , e sabe aonde Ele está?
Na vida , nem nos consultórios , nem em lugar nenhum, não há paredes para sua presença , por isto , religar , enquanto um religião só existe no mundo , no i-mundo reitera Lacan.
Os chineses, povo incrível e milernamente sábio , afirmam que há os sopros de animação da vida , o modo como a Terra rende homenagem ao Céu e que nos compete animar os fluxos com o risco de tudo estagnar.
Uma pergunta metafísica : O que é a vida moderna sem tv?
Que animações possíveis refazem os movimentos da vida moderna sem a tv?
Duro foi ouvir que era o que os filhos mais pediam , reiterando a tese que hoje a tv independe dos aparelhos. O mundo é uma grande tv, a aldeia cheia de canais de Mac Luhan.
Fui arrebatado e entre eu e luiz , algo se fez .
Ele o plebeu , anônimo , despossuído que a vida não tem mais o que tirar , eu o sensitivo angustiado com os destinos do mundo , e impotente perante tanto clamor de injustiças e consideração , um encontro que que sem dúvida me rende mais do que a ele.
Sujeitos de uma ordem comum , ocupamos lugares diferentes, protagonizamos questões de um mesmo tempo e como atores temos palcos e cenários distintos.
Há ali naquele carrinho (que fiz questão de conhecer , obra prima dele mesmo) , um gosto incrível de desafio e temor para mim. Nele vão juntos 5 vidas que se compõem a cada dia rigorosamente , não há depois, não há planos ou dívidas , apenas a expectativa do quanto foi possível hoje .
Viver assim é para alguns uma libertação , digo, para os iluminados que vivem em órbitas acima . Não é o meu caso . O tempo pra mim exige compasso e antecedências , que luto para corresponder e sofro o medo de não conseguir.
Meu amigo é muito bem humorado e sorridente , não há ali um amanhã para se conversar .
Encarno a exigência do lugar que ocupo e tenho destinações sociais que requerem um longo esforço . Luiz é pai, marido , tem que pagar algumas contas mesmo que minímas, tem que escutar a infância dos filhos que também tem seus desejos e lá está ele , disposto a cada dia.
Sempre ensino meus filhos a agradecer, pois temos muito e por vezes mais do que o necessário. A cada dia acordo e sou acordado junto com todos que me fazem parte.
Luiz é um deles , fico imaginando como está , seu café , sua feira , seu dia valente.
Meus amigos sempre me fazem companhia ,são meus sustentáculos de imaginação diferenciada e de exercícios dos vários caminhos possíveis que a vida oferece a cada um.
Jung em seus solilóquios se perguntava o que a vida queria de nós.Se haveria aí algum plano oculto que nos seria de competência . O Grande homem chorava seus lamentos e limitações para compreender o que nos escapa , e olha o quanto lhe devemos por seus ensinos.
Reflexões amplas e dolorosas , testemunhadas com dor e amor , não os que chegam aí perto não se perturbam. Talvez aprendam que a força terrível do Mistério se encarna primeiro como desafio a nossa capacidade amar e compreender .
Cada um é um mistério em si e por si , e para entrar precisamos estar perto, desfazer indiferenças e arrogâncias que as perucas ostentam nas Cortes do mundo.
Comecei,num gesto assistêncial para comigo mesmo , por oferecer a ele a tv e o convidei para num grupo seleto nos contar como é possível , sem metáforas, fazer acontecer todos apêlos feitos a um homem , desde dinheiro , sexo, casamento, paternidade , futuro , tendo como alavanca um carrinho de feira.
Hoje em um trabalho institucional com 60 famílias muito pobres oferecemos a cesta básica e algumas oficinas de trabalho e conscientização de oportunidades que buscamos nos informar . Um trabalho modesto sem pretensão revolucionária , talvez um modo como procuramos saldar as dívidas ancestrais e comunitárias que todos temos conosco mesmo ,
e que teremos que trabalhar e muito para saldar. Mas porque não ? Sem o gozo amoroso da alteridade a vida é nula. Amar diz respeito a "auto -sobrevivência através da alteridade" diz Bauman , o filósofo líquido , numa reflexão que nos denuncia com rigor .
Amamos o outro enquanto uma alteridade simétrica , aquele que nos falta e não comparece mas um outro de qualidades afins . o que sustenta o imaginário sem subtraí-lo de pronto, se não o jogo, não dá partida.
Mas amar o nosso amigo não nos permite nenhum imaginário de reciprocidades, pois o princípio neste caso é " não se ama a quem não tem". Uma dimensão desconsiderada do amor que nos faz uma falta terrível e ao mesmo tempo que nos condena as exigências das fantasias inter-pares.
Luiz é um outro que precisa e desafia quem pode dar , assim como todos os Luizes e Luizas da vida, mas não há como inscrevê-lo na lei da compensação , o que posso receber quando dou . Não, é um dar , tipo aquele onde uma mão ignora o que faz a outra.
Mas aí só há ganho , mesmo que não seja nas moedas mesquinhas que o mundo consagrou.
Doações de amor enquanto ruptura de ordens estabelecidas , de coragens que nos levam muito além do que se vê e que faz com que há muitos , nem a morte os intimide.
Uma civilização de causas líquidas e descartáveis , inflação contagiante de Eros enquanto sedução e com forte temor a dedicação como causa . Há um preço e já estamos pagando com altos custos.
Mas , é um direito a escolha.
Agradecemos até hoje este encontro , este presente, que Luiz nos ofereceu , causando em nós uma revolução tão impactante , que se a França agradece ao seu Monarca talentoso , agradecemos nós ao nosso plebeu anônimo , que sem colocar peruca alguma no real da vida nos proporcionou uma profunda reconsideração na forma de pensar a vida, e na convicção de que os líquidos significam , não um des-caso , uma falta de caso , mas um forma de desprendimento onde os sólidos podem se liquefazer , pois a matéria é sensível ao amor como catalizador.
10.4.11
TEMPOS SINISTROS
RESOLVI MUDAR O ARTIGO NO BLOG EM FUNÇÃO DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS , QUE HORRORIZARAM NOSSA CIDADE . HORROR ESTE QUE NUM GOLPE IMPIEDOSO , NOS OBRIGA A VIVER O INCONCEBÍVEL, IMPONDO EM TODOS NÓS UM TIPO DE ESTADO D'ALMA, ONDE AS CONEXÕES QUE SUSTENTAM E ORGANIZAM A VIDA DENTRO DO CAMPO DO SENTIDO, SIMPLESMENTE QUEBRAM . ESTA QUEBRA NOS REMETE A UM MODO TÃO PROFUNDO E TÃO DOLOROSO , QUE AS MILHARES DE PERGUNTAS QUE NOS INVADEM , QUASE TODAS FICAM SEM RESPOSTAS E SÓ FAZEM SUSCITAR NOVAS PERGUNTAS , COM O AGRAVANTE DE QUE A DOR DA PERDA EM NADA DIMINUI POR ISSO.
EM UM DIA COMO OUTROS, A VIDA SEGUE COM SEU MOVIMENTO, REALIZA E É REALIZADA EM TODOS OS MODOS, COMO FOI ORDENADA , ESTES DIAS EM QUE A INOCÊNCIA DO VIVER É O FUNDAMENTO QUE NOS PERMITE , INCLUSIVE SAIR NAS RUAS.
EMBORA CIRCUNDADOS PELO MAL EM SEU ESCALONAMENTO E RAMIFICAÇÕES , NÃO NOS OCORRE PARAR A VIDA PARA NOS PORMOS A SALVO. NÃO, SABEMOS QUE A PLENITUDE É UM IMPERATIVO DA VIDA EM SUA REALIZAÇÃO E LÁ VAMOS NÓS A CADA DIA ,EM BUSCA DO QUE NOS COMPELE , COM TODOS OS SONHOS E DESEJOS QUE NOS REGEM.
ESTA FORÇA É PODEROSA, NÃO SE DETÉM E NÃO PODE SER DETIDA POIS PERTENCE AO SEU PRÓPRIO MISTÉRIO E POR MAIS QUE EM ALGUM MOMENTO HISTÓRICO NOS OBRIGUEM OU QUEIRAM DETÊ-LA , É IMPOSSÍVEL . A VIDA É A SUA REALIZAÇÃO.
A ESCOLA ENTÃO É ESTE LUGAR FANTÁSTICO ONDE A INFÂNCIA OU PUBERDADE , ESTÃO LÁ .
EM FORMAS VARIADAS, CONJUGAM O FUTURO , UM POUCO A CADA DIA, NO ALVORECER DAS TRANSFORMAÇÕES DELICADAS ONDE RAPAZES E MOÇAS FREQUENTAM DE FORMA VIRGEM O GOSTO DAS DESCOBERTAS E REITERAM O PORVIR DE SUAS PRETENSÕES.
POIS JUSTO NUM DIA DESTES MAGNÂNIMO , QUE A TRAGÉDIA ACONTECEU.
UM RAPAZ , DE POSSE DE DUAS ARMAS DE FOGO , SAIU MATANDO NUA E CRUAMENTE UMA SÉRIE DE PESSOAS JOVENS ,SEM NENHUMA RAZÃO APARENTE E SEM DAR NENHUMA CHANCE AS VÍTIMAS , QUE POR SUA VEZ , MORRERAM SEM ENTENDER O QUE SE PASSAVA, A NÃO SER A TENTATIVA DESESPERADA DE TENTAR SALVAR SUAS VIDAS.
ESTE MOMENTO É TÃO CRUEL, QUE MOVE TUDO , UM TIPO DE COMOÇÃO EM QUE TUDO É BUSCADO PARA RESTABELECER OS NEXOS QUE O INEXPLICÁVEL TÊM O PODER DE PROVOCAR. MATAR O FLORESCER , É UMA PODA ARBRITÁRIA .
MAS MATA QUEM ESTÁ MORTO , AQUELE QUE JÁ DEIXOU DE VER A VIDA HÁ MUITO .
É UM TIPO DE INVEJA QUE PARECE PEDIR DE VOLTA O QUE NÃO HÁ, OU MESMO, NUNCA HOUVE. É INSUPORTÁVEL VER OS VIVOS CONCEBENDO E TECENDO OS FIOS DO FUTURO.
PARA QUEM ESTÁ MORTO, ISTO É UM AGRESSÃO VIOLENTA , POIS SENTE QUE O QUE NÃO TEM E NÃO VAI TER.QUEM JÁ PERTENCE AOS MORTOS ACHA QUE A VIDA ESTÁ INVERTIDA,
E NOS INDUZ A MORTE , COMO UM APAGAMENTO ONDE A VIDA SE DESMERECE COMO TRAGÉDIA HORRENDA. A QUESTÃO É QUE A VIDA EM SEU MODO COMPARTILHADO , É UM RECONHECIMENTO CONSCIENTE DE COMO SE PERTENCE .
A CHAMADA SOCIABILIDADE É UMA CONJUGAÇÃO DESTE PERTENCER , QUE COMEÇA NA FAMÍLIA E PERCORRE A ORDEM UNIVERSAL . É PERIGOSO DIZER OU NEGAR A ALGUÉM SEU PERTENCIMENTO . HELLINGER CHAMA A ISTO DE "CONCIÊNCIA COLETIVA INCONSCIENTE ", UMA ORDEM QUE SEGUNDO ELE COBRA UM PREÇO ALTO PELOS EXCLUÍDOS , VIVOS OU MORTOS.
NUM MUNDO CHEIO DE ESQUIZOIDIA POR TODOS OS LADOS , ONDE OS LABIRINTOS DIABÓLICOS SE ENCONTRAM EM SITES QUE QUALQUER UM PODE ACESSAR , CORREMOS RISCOS. PLANOS MIRABOLANTES EM MENTES QUE HÁ MUITO NÃO SABEM O QUE É O SOL,
QUE JÁ HABITAM O LUGAR DA MORTE QUE NÃO DEIXA VIVER, UM TIPO DE MORTE ASSASSINA QUE CLAMA VINGANÇA PELA EXCLUSÃO QUE NÃO RECONHECEMOS ,E NEM SEQUER TEMOS CONSCIÊNCIA , DISPÕE UM CENÁRIO DE HORROR PRESENTE E PORVIR.
DIAGNÓSTICOS , TRAUMAS , PERTUBAÇÕES PSIQUIÁTRICAS, SOCIOPATIAS, VINGANÇAS , ENFIM, UMA SÉRIE QUE NOS PERMITA SENÃO EXPLICAR, MAS PELO MENOS NOS FAVORECER ALGUM INDÍCIO DE COMO NOS PROTEGER PARA O FUTURO.
A IMPOTÊNCIA É GERAL E POR MAIS QUE EXPLIQUEMOS , NÃO REMOVE A PROFUNDA DOR DOS QUE SE FORAM E DOS QUE FICARAM.
COMO É POSSÍVEL QUE EXISTA ALGUÉM ASSIM , NOS PERGUNTAMOS? COMO É POSSÍVEL UM DESTROÇAMENTO TÃO ILIMITADO DA SENSIBILIDADE? E COM UM POUCO MAIS DE CORAGEM, SERÁ QUE NOS TORNAMOS UMA FÁBRICA DE MONSTROS ANÔNIMOS E NÃO SABEMOS?
AO MATAR ALGUÉM COM CERTEZA O ASSASSINO NÃO SABE O QUE ESTÁ MATANDO.
POIS MATA-SE UMA VIDA , UM SONHO , UM FUTURO , NÃO SÓ DE UM , MAS DE MUITOS, LEMBRANDO QUE A PARTIR DE CERTOS EPISÓDIOS TRÁGICOS DE PERDAS, MUITA GENTE DESISTE DE VIVER , MESMO QUE NÃO SE MATE.
UM TIPO DE DOR QUE DESAFIA O SUPORTÁVEL E QUE EXIGE UM RECONTRATO DE FÉ NA VIDA , PARA SE PROSSEGUIR.
NAQUELE DIA POIS, 12 CRIANÇAS SE FORAM , OBJETOS DE UMA INSANIDADE QUE TEREMOS MUITO O QUE BUSCAR COMPREENDER , PARA ALCANÇARMOS ALGUMA LUZ QUE NOS PERMITA , AO MÍNIMO DETECTAR O QUE NOS COMPETE NESSA FAÇANHA DE HORRORES, QUE AOS POUCOS TÊM FEITO DA VIDA UM TIPO DE INFERNO BRANDO QUE EM MOMENTOS AGUDOS LESA OS FUNDAMENTOS DO QUE A VIDA OFERECE COMO GRANDEZA A SER VIVÍDA.
A LUZ SE APAGA , O BRILHO SE ESVAI , NÓS NOS ENCOLHEMOS , O MEDO SE FAZ PERSECUTÓRIO , FAZEMOS PROMESSAS E LOGO ESQUECEREMOS , DEIXANDO AOS FAMILIARES A INGRATA E DOLOROSA TAREFA DE LEMBRÁ-LOS , E ISTO AOS POUCOS, JÁ NÃO IRÁ NOS NOS COMOVER TANTO.
É INCRÍVEL , COMO SE POR UM LADO A TRAGÉDIA E SEUS HORRORES NOS ENCURRALAM, PRINCIPALMENTE ,AO NOS MOSTRAR SUA PROXIMIDADE, POR OUTRO , É COMO SE NÃO VÍSSEMOS AÍ A QUESTÃO DE TODOS NÓS.
COMO LABORATÓRIO TEMOS SIDO HÁBEIS NO CAMPO DAS TECNOLOGIAS , E LENTOS E QUASE MONÓTONOS NO CAMPO DAS SUBJETIVIDADES. ESTE ESTRANHO MUNDO DE DENTRO- FORA , É O NOSSO ENIGMA E NOSSA POBREZA DE IMAGINAÇÃO AMOROSA.
NÃO NOS IMPORTAMOS TANTO DESDE QUE NÃO NOS PERTUBEM , EMBORA , NÃO SAIBAMOS O QUANTO PERTURBAMOS E COMO POSSIVELMENTE MUITAS VINGANÇAS JÁ ESTEJAM SENDO ELABORADAS NOS CONFINS SINISTRO DOS QUE SE SENTEM LESADOS.
IMPIEDOSOS , TOMAMOS O SOCIAL , ESTE LUGAR QUE EXIGE O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , À CONTA DE UMA ISENÇÃO COM O ARGUMENTO DE QUE NÃO NOS COMPETE , POIS JÁ FAZEMOS MUITO ENQUANTO CIDADÃOS COM DEVERES E OBRIGAÇÕES EM DIA .
O DESMERECIDO AÍ , QUE NÃO SABEMOS QUEM É , É UM ANÔNIMO QUE CONTÉM EM SEUS REGISTROS TUDO QUE QUEREMOS , E QUE AO NASCER NOS COMPROMETE, AO TER QUE DAR A ELE O QUE A DIGNIDADE DO HUMANO REQUER PARA SER RECONHECIDA, AO RISCO, DE QUE NOSSAS GARANTIAS , JÁ MINÍMAS FIQUEM AINDA MAIS PREJUDICADAS.
NADA GARANTE ,E AQUI NÃO PODEMOS TER A POBREZA COMO ARGUMENTO ÚNICO, POIS O FENÔMENO É MAIS COMPLEXO. AO SE SENTIREM FERIDAS DETERMINADAS ALMAS , JURAM VINGANÇAS , AO NÃO SE SENTIREM COMPROMETIDAS COM UMA ORDEM QUE PARA ELAS NÃO A INCLUEM , OU SE INCLUEM , É PARA DESMERECÊ-LAS.
ESTA VIOLÊNCIA COMETIDA DIARIAMENTE É UM DOCUMENTO GERAL QUE NOS COMPROMENTE A TODOS. É O MUNDO E SUA QUALIDADE QUE CONSTRUÍMOS PARA NOSSOS PARCEIROS QUE COMPARTILHAM A VIDA JUNTO CONOSCO.
AQUI , DISCUTE-SE NOSSA INSERÇÃO , DESDE DAQUELES QUE CONDUZEM E CRIAM PATAMARES DE IMUNIDADES PARA SEUS ATOS QUE LESAM O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , BEM COMO, OS QUE SE DEIXAM CONDUZIR E SE OMITEM ENQUANTO CONSTRUTORES DO OUTRO ENQUANTO VALOR HUMANO E DIGNO. EM COMUNIDADES QUE TÊM EM CONTA O ESPÍRITO COMUNITÁRIO , ALGUÉM DOENTE , SIGNIFICA QUE TODOS ESTÃO DOENTES .
TALVEZ UM CRIME CONTENHA EM SI MUITOS CRIMES SIMULTÂNEOS , QUE A CONSCIÊNCIA NÃO PODE REGISTRAR , JÁ QUE SOMOS HERDEIROS DE UM MUNDO ONDE AS PENDÊNCIAS FICAM PRA DEPOIS , SEM O MENOR CONSTAGIMENTO.
O QUE É ESTE DEPOIS?
TEMOS UM CIVILIDADE DÚBIA E CHEIA DE RANCORES IMPLÍCITOS QUE SE DESAFOGAM TODO DIA. ÓDIOS NÃO DITOS E MAL-DITOS QUE SEQUER PENSAMOS EM ADMITIR , QUANTO MAIS CONFESSAR. NOSSO POLIMENTO É LIMITADO E CIRCUNSTANCIAL , PARECENDO SER MAIS UM ACORDO PARA NOS TOLERARMOS DO QUE A CELEBRAÇÃO DE UMA JORNADA COMUM.
NOSSA TAREFA É ÁRDUA E CONSTRUIR UMA CIVILIZAÇÃO DECENTE É OFERECER OPORTUNIDADES QUE DESAFIAM O AMOR E A JUSTIÇA TANTO NO ÂMBITO COLETIVO , COMO INDIVIDUAL.
OS LESADOS NOS DEVOLVEM QUANDO MENOS ESPERAMOS E AO FAZÊ-LO , PODEM CAUSAR DORES IRREVERSÍVEIS , PRINCIPALMENTE QUANDO FAZEM DA VIDA , QUE TANTO PREZAMOS E INVESTIMOS , UM MERO OBJETO DE MIRA QUE UM REVÓLVER PODE TIRAR.
AH!QUANTA DOR , QUANTA DOR AINDA TEREMOS QUE PASSAR , NOS PERGUNTAMOS, COMO QUE DESCONFIADOS QUE NADA ACABOU E QUE AINDA NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ POR VIR. PRA NÓS , INTELIGENTES E SOBERBOS , DEUS ESTÁ MORTO , HÁ MUITO.
A ORDEM DO ABSOLUTO TERÁ QUE RE-CHEGAR POR OUTRO LUGAR ONDE NOSSO OLHAR O RECONHEÇA , JÁ QUE RELIGIÕES,DELEGAMOS AS MASSAS COM SEUS ATRASOS.
IMPUNES E COM ARGUMENTOS CÍNICOS AVANÇAMOS NA FORMA COMO NOS CONVÉM, COMO SE NÃO PERTENCESSEMOS SENÃO A NÓS MESMOS . MAS SERÁ?
RESTITUAMOS NOSSOS PERTENCIMENTOS , INCLUINDO O ABSOLUTO , PARA QUE POSSAMOS RE-CONSIDERAR O QUE NOS COMPETE E COM HUMILDADE E SEM MÁSCARAS,
NOS ENTREGARMOS A DURA TAREFA DE CONSTRUIR COM AMOR, A ALMA DO HUMANO EM SUA GRANDEZA UNIVERSAL .
A FILOSOFIA SE CALA , AS RELIGIÕES AVANÇAM EM BUSCA DE NOVOS ADEPTOS , A CIÊNCIA NÃO TEM O QUE NOS DIZER , POIS ARGUMENTA QUE NÃO LHE COMPETE E NESTE CENÁRIO DE OMISSÃO E FORÇAS SUGESTIVAS , NOSSO LABORATÓRIO , VAI GERANDO TARATOLOGIAS QUE NOS SURPREENDEM , ENQUANTO CRIATURAS CUJA TAREFA CIENTÍFICA QUE NOS CABE É AJUDÁ-LAS A SE HUMANIZAR , ANTES QUE ELAS AO NOS DENUNCIAR EM NOSSA FALTA DE COMPETÊNCIA RESOLVA TAMBÉM NOS LIQUIDAR.
MINHA MAIS PROFUNDA SOLIDARIEDADE AS VÍTIMAS, AS FAMÍLIAS ,AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E A TODOS NÓS QUE NOS ENCONTRAMOS NESTA JORNADA TÃO PROFUNDA DE APERFEIÇOAMENTO DE TODOS , INCLUSIVE DOS QUE QUEREM NOS MATAR.
EM UM DIA COMO OUTROS, A VIDA SEGUE COM SEU MOVIMENTO, REALIZA E É REALIZADA EM TODOS OS MODOS, COMO FOI ORDENADA , ESTES DIAS EM QUE A INOCÊNCIA DO VIVER É O FUNDAMENTO QUE NOS PERMITE , INCLUSIVE SAIR NAS RUAS.
EMBORA CIRCUNDADOS PELO MAL EM SEU ESCALONAMENTO E RAMIFICAÇÕES , NÃO NOS OCORRE PARAR A VIDA PARA NOS PORMOS A SALVO. NÃO, SABEMOS QUE A PLENITUDE É UM IMPERATIVO DA VIDA EM SUA REALIZAÇÃO E LÁ VAMOS NÓS A CADA DIA ,EM BUSCA DO QUE NOS COMPELE , COM TODOS OS SONHOS E DESEJOS QUE NOS REGEM.
ESTA FORÇA É PODEROSA, NÃO SE DETÉM E NÃO PODE SER DETIDA POIS PERTENCE AO SEU PRÓPRIO MISTÉRIO E POR MAIS QUE EM ALGUM MOMENTO HISTÓRICO NOS OBRIGUEM OU QUEIRAM DETÊ-LA , É IMPOSSÍVEL . A VIDA É A SUA REALIZAÇÃO.
A ESCOLA ENTÃO É ESTE LUGAR FANTÁSTICO ONDE A INFÂNCIA OU PUBERDADE , ESTÃO LÁ .
EM FORMAS VARIADAS, CONJUGAM O FUTURO , UM POUCO A CADA DIA, NO ALVORECER DAS TRANSFORMAÇÕES DELICADAS ONDE RAPAZES E MOÇAS FREQUENTAM DE FORMA VIRGEM O GOSTO DAS DESCOBERTAS E REITERAM O PORVIR DE SUAS PRETENSÕES.
POIS JUSTO NUM DIA DESTES MAGNÂNIMO , QUE A TRAGÉDIA ACONTECEU.
UM RAPAZ , DE POSSE DE DUAS ARMAS DE FOGO , SAIU MATANDO NUA E CRUAMENTE UMA SÉRIE DE PESSOAS JOVENS ,SEM NENHUMA RAZÃO APARENTE E SEM DAR NENHUMA CHANCE AS VÍTIMAS , QUE POR SUA VEZ , MORRERAM SEM ENTENDER O QUE SE PASSAVA, A NÃO SER A TENTATIVA DESESPERADA DE TENTAR SALVAR SUAS VIDAS.
ESTE MOMENTO É TÃO CRUEL, QUE MOVE TUDO , UM TIPO DE COMOÇÃO EM QUE TUDO É BUSCADO PARA RESTABELECER OS NEXOS QUE O INEXPLICÁVEL TÊM O PODER DE PROVOCAR. MATAR O FLORESCER , É UMA PODA ARBRITÁRIA .
MAS MATA QUEM ESTÁ MORTO , AQUELE QUE JÁ DEIXOU DE VER A VIDA HÁ MUITO .
É UM TIPO DE INVEJA QUE PARECE PEDIR DE VOLTA O QUE NÃO HÁ, OU MESMO, NUNCA HOUVE. É INSUPORTÁVEL VER OS VIVOS CONCEBENDO E TECENDO OS FIOS DO FUTURO.
PARA QUEM ESTÁ MORTO, ISTO É UM AGRESSÃO VIOLENTA , POIS SENTE QUE O QUE NÃO TEM E NÃO VAI TER.QUEM JÁ PERTENCE AOS MORTOS ACHA QUE A VIDA ESTÁ INVERTIDA,
E NOS INDUZ A MORTE , COMO UM APAGAMENTO ONDE A VIDA SE DESMERECE COMO TRAGÉDIA HORRENDA. A QUESTÃO É QUE A VIDA EM SEU MODO COMPARTILHADO , É UM RECONHECIMENTO CONSCIENTE DE COMO SE PERTENCE .
A CHAMADA SOCIABILIDADE É UMA CONJUGAÇÃO DESTE PERTENCER , QUE COMEÇA NA FAMÍLIA E PERCORRE A ORDEM UNIVERSAL . É PERIGOSO DIZER OU NEGAR A ALGUÉM SEU PERTENCIMENTO . HELLINGER CHAMA A ISTO DE "CONCIÊNCIA COLETIVA INCONSCIENTE ", UMA ORDEM QUE SEGUNDO ELE COBRA UM PREÇO ALTO PELOS EXCLUÍDOS , VIVOS OU MORTOS.
NUM MUNDO CHEIO DE ESQUIZOIDIA POR TODOS OS LADOS , ONDE OS LABIRINTOS DIABÓLICOS SE ENCONTRAM EM SITES QUE QUALQUER UM PODE ACESSAR , CORREMOS RISCOS. PLANOS MIRABOLANTES EM MENTES QUE HÁ MUITO NÃO SABEM O QUE É O SOL,
QUE JÁ HABITAM O LUGAR DA MORTE QUE NÃO DEIXA VIVER, UM TIPO DE MORTE ASSASSINA QUE CLAMA VINGANÇA PELA EXCLUSÃO QUE NÃO RECONHECEMOS ,E NEM SEQUER TEMOS CONSCIÊNCIA , DISPÕE UM CENÁRIO DE HORROR PRESENTE E PORVIR.
DIAGNÓSTICOS , TRAUMAS , PERTUBAÇÕES PSIQUIÁTRICAS, SOCIOPATIAS, VINGANÇAS , ENFIM, UMA SÉRIE QUE NOS PERMITA SENÃO EXPLICAR, MAS PELO MENOS NOS FAVORECER ALGUM INDÍCIO DE COMO NOS PROTEGER PARA O FUTURO.
A IMPOTÊNCIA É GERAL E POR MAIS QUE EXPLIQUEMOS , NÃO REMOVE A PROFUNDA DOR DOS QUE SE FORAM E DOS QUE FICARAM.
COMO É POSSÍVEL QUE EXISTA ALGUÉM ASSIM , NOS PERGUNTAMOS? COMO É POSSÍVEL UM DESTROÇAMENTO TÃO ILIMITADO DA SENSIBILIDADE? E COM UM POUCO MAIS DE CORAGEM, SERÁ QUE NOS TORNAMOS UMA FÁBRICA DE MONSTROS ANÔNIMOS E NÃO SABEMOS?
AO MATAR ALGUÉM COM CERTEZA O ASSASSINO NÃO SABE O QUE ESTÁ MATANDO.
POIS MATA-SE UMA VIDA , UM SONHO , UM FUTURO , NÃO SÓ DE UM , MAS DE MUITOS, LEMBRANDO QUE A PARTIR DE CERTOS EPISÓDIOS TRÁGICOS DE PERDAS, MUITA GENTE DESISTE DE VIVER , MESMO QUE NÃO SE MATE.
UM TIPO DE DOR QUE DESAFIA O SUPORTÁVEL E QUE EXIGE UM RECONTRATO DE FÉ NA VIDA , PARA SE PROSSEGUIR.
NAQUELE DIA POIS, 12 CRIANÇAS SE FORAM , OBJETOS DE UMA INSANIDADE QUE TEREMOS MUITO O QUE BUSCAR COMPREENDER , PARA ALCANÇARMOS ALGUMA LUZ QUE NOS PERMITA , AO MÍNIMO DETECTAR O QUE NOS COMPETE NESSA FAÇANHA DE HORRORES, QUE AOS POUCOS TÊM FEITO DA VIDA UM TIPO DE INFERNO BRANDO QUE EM MOMENTOS AGUDOS LESA OS FUNDAMENTOS DO QUE A VIDA OFERECE COMO GRANDEZA A SER VIVÍDA.
A LUZ SE APAGA , O BRILHO SE ESVAI , NÓS NOS ENCOLHEMOS , O MEDO SE FAZ PERSECUTÓRIO , FAZEMOS PROMESSAS E LOGO ESQUECEREMOS , DEIXANDO AOS FAMILIARES A INGRATA E DOLOROSA TAREFA DE LEMBRÁ-LOS , E ISTO AOS POUCOS, JÁ NÃO IRÁ NOS NOS COMOVER TANTO.
É INCRÍVEL , COMO SE POR UM LADO A TRAGÉDIA E SEUS HORRORES NOS ENCURRALAM, PRINCIPALMENTE ,AO NOS MOSTRAR SUA PROXIMIDADE, POR OUTRO , É COMO SE NÃO VÍSSEMOS AÍ A QUESTÃO DE TODOS NÓS.
COMO LABORATÓRIO TEMOS SIDO HÁBEIS NO CAMPO DAS TECNOLOGIAS , E LENTOS E QUASE MONÓTONOS NO CAMPO DAS SUBJETIVIDADES. ESTE ESTRANHO MUNDO DE DENTRO- FORA , É O NOSSO ENIGMA E NOSSA POBREZA DE IMAGINAÇÃO AMOROSA.
NÃO NOS IMPORTAMOS TANTO DESDE QUE NÃO NOS PERTUBEM , EMBORA , NÃO SAIBAMOS O QUANTO PERTURBAMOS E COMO POSSIVELMENTE MUITAS VINGANÇAS JÁ ESTEJAM SENDO ELABORADAS NOS CONFINS SINISTRO DOS QUE SE SENTEM LESADOS.
IMPIEDOSOS , TOMAMOS O SOCIAL , ESTE LUGAR QUE EXIGE O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , À CONTA DE UMA ISENÇÃO COM O ARGUMENTO DE QUE NÃO NOS COMPETE , POIS JÁ FAZEMOS MUITO ENQUANTO CIDADÃOS COM DEVERES E OBRIGAÇÕES EM DIA .
O DESMERECIDO AÍ , QUE NÃO SABEMOS QUEM É , É UM ANÔNIMO QUE CONTÉM EM SEUS REGISTROS TUDO QUE QUEREMOS , E QUE AO NASCER NOS COMPROMETE, AO TER QUE DAR A ELE O QUE A DIGNIDADE DO HUMANO REQUER PARA SER RECONHECIDA, AO RISCO, DE QUE NOSSAS GARANTIAS , JÁ MINÍMAS FIQUEM AINDA MAIS PREJUDICADAS.
NADA GARANTE ,E AQUI NÃO PODEMOS TER A POBREZA COMO ARGUMENTO ÚNICO, POIS O FENÔMENO É MAIS COMPLEXO. AO SE SENTIREM FERIDAS DETERMINADAS ALMAS , JURAM VINGANÇAS , AO NÃO SE SENTIREM COMPROMETIDAS COM UMA ORDEM QUE PARA ELAS NÃO A INCLUEM , OU SE INCLUEM , É PARA DESMERECÊ-LAS.
ESTA VIOLÊNCIA COMETIDA DIARIAMENTE É UM DOCUMENTO GERAL QUE NOS COMPROMENTE A TODOS. É O MUNDO E SUA QUALIDADE QUE CONSTRUÍMOS PARA NOSSOS PARCEIROS QUE COMPARTILHAM A VIDA JUNTO CONOSCO.
AQUI , DISCUTE-SE NOSSA INSERÇÃO , DESDE DAQUELES QUE CONDUZEM E CRIAM PATAMARES DE IMUNIDADES PARA SEUS ATOS QUE LESAM O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , BEM COMO, OS QUE SE DEIXAM CONDUZIR E SE OMITEM ENQUANTO CONSTRUTORES DO OUTRO ENQUANTO VALOR HUMANO E DIGNO. EM COMUNIDADES QUE TÊM EM CONTA O ESPÍRITO COMUNITÁRIO , ALGUÉM DOENTE , SIGNIFICA QUE TODOS ESTÃO DOENTES .
TALVEZ UM CRIME CONTENHA EM SI MUITOS CRIMES SIMULTÂNEOS , QUE A CONSCIÊNCIA NÃO PODE REGISTRAR , JÁ QUE SOMOS HERDEIROS DE UM MUNDO ONDE AS PENDÊNCIAS FICAM PRA DEPOIS , SEM O MENOR CONSTAGIMENTO.
O QUE É ESTE DEPOIS?
TEMOS UM CIVILIDADE DÚBIA E CHEIA DE RANCORES IMPLÍCITOS QUE SE DESAFOGAM TODO DIA. ÓDIOS NÃO DITOS E MAL-DITOS QUE SEQUER PENSAMOS EM ADMITIR , QUANTO MAIS CONFESSAR. NOSSO POLIMENTO É LIMITADO E CIRCUNSTANCIAL , PARECENDO SER MAIS UM ACORDO PARA NOS TOLERARMOS DO QUE A CELEBRAÇÃO DE UMA JORNADA COMUM.
NOSSA TAREFA É ÁRDUA E CONSTRUIR UMA CIVILIZAÇÃO DECENTE É OFERECER OPORTUNIDADES QUE DESAFIAM O AMOR E A JUSTIÇA TANTO NO ÂMBITO COLETIVO , COMO INDIVIDUAL.
OS LESADOS NOS DEVOLVEM QUANDO MENOS ESPERAMOS E AO FAZÊ-LO , PODEM CAUSAR DORES IRREVERSÍVEIS , PRINCIPALMENTE QUANDO FAZEM DA VIDA , QUE TANTO PREZAMOS E INVESTIMOS , UM MERO OBJETO DE MIRA QUE UM REVÓLVER PODE TIRAR.
AH!QUANTA DOR , QUANTA DOR AINDA TEREMOS QUE PASSAR , NOS PERGUNTAMOS, COMO QUE DESCONFIADOS QUE NADA ACABOU E QUE AINDA NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ POR VIR. PRA NÓS , INTELIGENTES E SOBERBOS , DEUS ESTÁ MORTO , HÁ MUITO.
A ORDEM DO ABSOLUTO TERÁ QUE RE-CHEGAR POR OUTRO LUGAR ONDE NOSSO OLHAR O RECONHEÇA , JÁ QUE RELIGIÕES,DELEGAMOS AS MASSAS COM SEUS ATRASOS.
IMPUNES E COM ARGUMENTOS CÍNICOS AVANÇAMOS NA FORMA COMO NOS CONVÉM, COMO SE NÃO PERTENCESSEMOS SENÃO A NÓS MESMOS . MAS SERÁ?
RESTITUAMOS NOSSOS PERTENCIMENTOS , INCLUINDO O ABSOLUTO , PARA QUE POSSAMOS RE-CONSIDERAR O QUE NOS COMPETE E COM HUMILDADE E SEM MÁSCARAS,
NOS ENTREGARMOS A DURA TAREFA DE CONSTRUIR COM AMOR, A ALMA DO HUMANO EM SUA GRANDEZA UNIVERSAL .
A FILOSOFIA SE CALA , AS RELIGIÕES AVANÇAM EM BUSCA DE NOVOS ADEPTOS , A CIÊNCIA NÃO TEM O QUE NOS DIZER , POIS ARGUMENTA QUE NÃO LHE COMPETE E NESTE CENÁRIO DE OMISSÃO E FORÇAS SUGESTIVAS , NOSSO LABORATÓRIO , VAI GERANDO TARATOLOGIAS QUE NOS SURPREENDEM , ENQUANTO CRIATURAS CUJA TAREFA CIENTÍFICA QUE NOS CABE É AJUDÁ-LAS A SE HUMANIZAR , ANTES QUE ELAS AO NOS DENUNCIAR EM NOSSA FALTA DE COMPETÊNCIA RESOLVA TAMBÉM NOS LIQUIDAR.
MINHA MAIS PROFUNDA SOLIDARIEDADE AS VÍTIMAS, AS FAMÍLIAS ,AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E A TODOS NÓS QUE NOS ENCONTRAMOS NESTA JORNADA TÃO PROFUNDA DE APERFEIÇOAMENTO DE TODOS , INCLUSIVE DOS QUE QUEREM NOS MATAR.
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