Conhecem Luiz XIV , o chamado Rei Sol ?
Nãoooo? Nem eu .
Comecei a me interessar por ele quando descobri que era um desses reis que tinha uma vocação absolutista e que cunhou a frase "O Estado sou Eu".
Sempre estudioso do Eu , gosto de acompanhar suas tendências magnânimas , bem como, suas ladeiras abaixo , essas tendências cavernosas , de trevas como diz a rapaziada.
Este Luiz XIV era danado , gostava do poder( quem não gosta?) , passou a história como alguém excessivamente vaidoso e mulherengo . O que não faltava eram amantes , pior que ele só outro monarca danado , chamado Henrique VIII , que era brabo e mandava matar as amantes.
Luiz gostava de perucas e fez a moda pegar e a partir dele , passamos a ver aquela perucada toda nos filmes , um tipo de apetrecho estético de tremendo mau-gosto , principalmente quando a pessoa era mostrada na hora de dormir , sem peruca .
Peruca era um modo fixo de se mostrar e de esconder, dava um ar sóbrio , possivelmente as falcatruas que nunca pararam de acontecer nas esferas mais altas da Corte e do Estado , até hoje , ou melhor, hoje mais do que nunca.
A plebe coitada não tinha peruca , era como era mesmo , em geral feiosa e sem adornos hipnóticos.
O nosso rei , que não devia ser nenhuma formosura , achou que com peruca tudo ficava melhor, no que foi imitado pelas Cortes do Europa . Quando se tornou rei herdou o trono de sua mãe , devia ser edípico , uma França mal das pernas em têrmos de grana e destroçada economicamente.
Pois , nosso Rei ao longo de um reinado de 54 anos conseguiu tornar a França um potência e teve dificuldades para aceitar seu sucessor , que por sua vez era chegado à sapato , que se consagrou como o famoso sapato de Luiz XV, com direito a fivelinha dourada e tudo.
Já o nosso outro Luiz , esse eu conheci numa feira dessas da vida.
Se biotipo lembra o pigmeu , magro , baixo e feio .
Me abordou no final da feira , justo quando você já está começando achar que comprou mais do que as mãos permitem , oferecendo para que eu colocasse tudo no carrinho.
Quanto? perguntei eu.
Ah , não se preocupe e me dê o que achar melhor.
Acho incrível , esses encontros com cara de nada e que contém potências especiais do tempo, pois ali começava nossa amizade que até hoje consagro e agradeço.
No caminho para minha casa aproveitei e perguntei sobre a vida do meu parceiro de lado .
O que faz você na vida amigo?
Ué , carrego compras.
Filhos ? Já que me parecia um homem de meia idade , apesar do corpo franzino e juvenil !
4 filhos , me disse rápido .Achei que era sacanagem . Sério ? insisti!
Algo em mim naquele momento relutou em acreditar , não pelo Luiz , mas por mim mesmo.
Liberal desde há muito , vivi os altos e baixos da vida daqueles que trabalham pra si .
Mesmo número de filhos de meu amigo , me faltou folêgo e coragem na imaginação para supor a possibilidade criá-los com carrinho de feira e com preço ditado à sensibilidade do freguês.
Começando a vida cedo , numa atividade cheia de ranços elitistas, por muitas vezes temi por mim e pelos meus.Fantasias de falência nunca me faltaram e sempre no meu imaginário guardei lugar para outra atividade , caso o caminho da mente fracassasse.
Mas eu sempre quis louvar minha paixão e fui indo , aproveitando tudo , não desperdiçando nada, lá ia eu. Sabendo que no meu caso era tudo ou nada , pois minha família já tinha ficado para trás. Pensei em várias coisas alternativas , plano B , caso necessário , mas nunca me ocorreu ganhar a vida com carrinho tipo roleman na feira.
Olhei para Luiz , pensei em meu humor, que não dispenso, o quanto lhe ficaria surreal uma peruca. Um pigmeu feio com uma peruca mentirosa da Corte.
Vi o desenho animado que surgia enquanto conversava com ele.
As vezes me pergunto se as combinatórias lógicas impossíveis não mudariam em algum lugar. A idéia de uma lógica não-linear existe e com belos estudiosos ( Vide Newton Costa , em seu livro sobre este tema), e a força do país de Alice.
Como ?
Como o que ? retrucou ele.
Como é possível criar 4 filhos com carrinho de feira?
A resposta , quase me fulmina , disse simplesmente " não sei".
Entregar a vida ao não sei sempre foi pra mim impensável. Desde cedo, me tornei adepto que é preciso saber , havia muitos vácuos em minha história de vida que se tornaram fracassos, pelo descaso do não querer saber.
Com filhos a vida é outra, diga-se, muito outra.
Fracassar tendo filho é um castigo eterno , dizia Rosseau, que abandonou seu filho , apesar de ter tão bela alma. Ouvir filho pedir e não ter , é algo que mata me dizia , uma jovem mãe que , por vezes não tinha o que oferecer a seus filhos.
Luiz propunha algo revolucionário e diferente , nem o ter nem o não ter , mas o ter um pouco que seja a cada dia , mas sem saber.
Parodiando Sartre " A consciência é ou não um inferno?
A angústia do saber era um divisor de classe entre eu e Luiz naquele momento, principalmente porque para ele o futuro é amanhã de manhã na nova feira .
E pra mim uma tentativa de arrancar do tempo uma salvaguarda que permitisse fazer chegar a uma margem segura as pretensões daqueles que amo.
Completamente vazado , era como me sentia , absorto , tive dificuldades para continuar a conversa . Algo me questionou duramente e fiquei meio sem folêgo.
Da onde tinha tirado isso?
Que estranha doutrina esta, que me garante pelos meus e nem sempre me fez me interessar pelo dos outros?
Imaginei os filhos de Luiz ,sem Corte , por muitas vezes sem luz e comida, e dependendo do alcance de cada freguês em relação as tarefas que não se encontram em nenhuma ordem de valor estabelecido.
Seu Alex ... me chamou ele , me salvando provisoriamente sei lá do que.
E aí Luiz , onde você mora?
No morro dos macacos , ( na época sem UPP ou qualquer ordem , a não ser dos traficantes)
num casébre que está caindo o telhado em função das chuvas .
Entendo como muita gente prefere não conversar com os pobres ou despossuídos, pois têm que abrir concessões ao imaginário e ver, mesmo que rápido, o que suas paredes escondem. E como se vendo tem que mudar ou reificar suas hipocrisias.
Reificação ´eis uma idéia genial de Marx, mas não só ideológicamente , mas como destino de qualquer formação mental que tenha ficado dura e insensível , embotamentos do coração .
Meu hino de louvor ao Amor é o Sermão da Montanha , montanha difícil de subir , mas tento , um dia chego.
E como é a vida dentro da sua casa , perguntei de forma mais íntima?
Ah, meus filhos brincam , minha mulher trabalha em casa e ...... E a tv , perguntei , tentando ocupar o espaço doméstico ? Não temos , não dá .
Lacan dizia que quem sabe é o inconsciente , lá é o lugar do saber .
Eu digo , que quem sabe é o Mestre que te ensina e te faz escutar , e sabe aonde Ele está?
Na vida , nem nos consultórios , nem em lugar nenhum, não há paredes para sua presença , por isto , religar , enquanto um religião só existe no mundo , no i-mundo reitera Lacan.
Os chineses, povo incrível e milernamente sábio , afirmam que há os sopros de animação da vida , o modo como a Terra rende homenagem ao Céu e que nos compete animar os fluxos com o risco de tudo estagnar.
Uma pergunta metafísica : O que é a vida moderna sem tv?
Que animações possíveis refazem os movimentos da vida moderna sem a tv?
Duro foi ouvir que era o que os filhos mais pediam , reiterando a tese que hoje a tv independe dos aparelhos. O mundo é uma grande tv, a aldeia cheia de canais de Mac Luhan.
Fui arrebatado e entre eu e luiz , algo se fez .
Ele o plebeu , anônimo , despossuído que a vida não tem mais o que tirar , eu o sensitivo angustiado com os destinos do mundo , e impotente perante tanto clamor de injustiças e consideração , um encontro que que sem dúvida me rende mais do que a ele.
Sujeitos de uma ordem comum , ocupamos lugares diferentes, protagonizamos questões de um mesmo tempo e como atores temos palcos e cenários distintos.
Há ali naquele carrinho (que fiz questão de conhecer , obra prima dele mesmo) , um gosto incrível de desafio e temor para mim. Nele vão juntos 5 vidas que se compõem a cada dia rigorosamente , não há depois, não há planos ou dívidas , apenas a expectativa do quanto foi possível hoje .
Viver assim é para alguns uma libertação , digo, para os iluminados que vivem em órbitas acima . Não é o meu caso . O tempo pra mim exige compasso e antecedências , que luto para corresponder e sofro o medo de não conseguir.
Meu amigo é muito bem humorado e sorridente , não há ali um amanhã para se conversar .
Encarno a exigência do lugar que ocupo e tenho destinações sociais que requerem um longo esforço . Luiz é pai, marido , tem que pagar algumas contas mesmo que minímas, tem que escutar a infância dos filhos que também tem seus desejos e lá está ele , disposto a cada dia.
Sempre ensino meus filhos a agradecer, pois temos muito e por vezes mais do que o necessário. A cada dia acordo e sou acordado junto com todos que me fazem parte.
Luiz é um deles , fico imaginando como está , seu café , sua feira , seu dia valente.
Meus amigos sempre me fazem companhia ,são meus sustentáculos de imaginação diferenciada e de exercícios dos vários caminhos possíveis que a vida oferece a cada um.
Jung em seus solilóquios se perguntava o que a vida queria de nós.Se haveria aí algum plano oculto que nos seria de competência . O Grande homem chorava seus lamentos e limitações para compreender o que nos escapa , e olha o quanto lhe devemos por seus ensinos.
Reflexões amplas e dolorosas , testemunhadas com dor e amor , não os que chegam aí perto não se perturbam. Talvez aprendam que a força terrível do Mistério se encarna primeiro como desafio a nossa capacidade amar e compreender .
Cada um é um mistério em si e por si , e para entrar precisamos estar perto, desfazer indiferenças e arrogâncias que as perucas ostentam nas Cortes do mundo.
Comecei,num gesto assistêncial para comigo mesmo , por oferecer a ele a tv e o convidei para num grupo seleto nos contar como é possível , sem metáforas, fazer acontecer todos apêlos feitos a um homem , desde dinheiro , sexo, casamento, paternidade , futuro , tendo como alavanca um carrinho de feira.
Hoje em um trabalho institucional com 60 famílias muito pobres oferecemos a cesta básica e algumas oficinas de trabalho e conscientização de oportunidades que buscamos nos informar . Um trabalho modesto sem pretensão revolucionária , talvez um modo como procuramos saldar as dívidas ancestrais e comunitárias que todos temos conosco mesmo ,
e que teremos que trabalhar e muito para saldar. Mas porque não ? Sem o gozo amoroso da alteridade a vida é nula. Amar diz respeito a "auto -sobrevivência através da alteridade" diz Bauman , o filósofo líquido , numa reflexão que nos denuncia com rigor .
Amamos o outro enquanto uma alteridade simétrica , aquele que nos falta e não comparece mas um outro de qualidades afins . o que sustenta o imaginário sem subtraí-lo de pronto, se não o jogo, não dá partida.
Mas amar o nosso amigo não nos permite nenhum imaginário de reciprocidades, pois o princípio neste caso é " não se ama a quem não tem". Uma dimensão desconsiderada do amor que nos faz uma falta terrível e ao mesmo tempo que nos condena as exigências das fantasias inter-pares.
Luiz é um outro que precisa e desafia quem pode dar , assim como todos os Luizes e Luizas da vida, mas não há como inscrevê-lo na lei da compensação , o que posso receber quando dou . Não, é um dar , tipo aquele onde uma mão ignora o que faz a outra.
Mas aí só há ganho , mesmo que não seja nas moedas mesquinhas que o mundo consagrou.
Doações de amor enquanto ruptura de ordens estabelecidas , de coragens que nos levam muito além do que se vê e que faz com que há muitos , nem a morte os intimide.
Uma civilização de causas líquidas e descartáveis , inflação contagiante de Eros enquanto sedução e com forte temor a dedicação como causa . Há um preço e já estamos pagando com altos custos.
Mas , é um direito a escolha.
Agradecemos até hoje este encontro , este presente, que Luiz nos ofereceu , causando em nós uma revolução tão impactante , que se a França agradece ao seu Monarca talentoso , agradecemos nós ao nosso plebeu anônimo , que sem colocar peruca alguma no real da vida nos proporcionou uma profunda reconsideração na forma de pensar a vida, e na convicção de que os líquidos significam , não um des-caso , uma falta de caso , mas um forma de desprendimento onde os sólidos podem se liquefazer , pois a matéria é sensível ao amor como catalizador.
23.4.11
10.4.11
TEMPOS SINISTROS
RESOLVI MUDAR O ARTIGO NO BLOG EM FUNÇÃO DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS , QUE HORRORIZARAM NOSSA CIDADE . HORROR ESTE QUE NUM GOLPE IMPIEDOSO , NOS OBRIGA A VIVER O INCONCEBÍVEL, IMPONDO EM TODOS NÓS UM TIPO DE ESTADO D'ALMA, ONDE AS CONEXÕES QUE SUSTENTAM E ORGANIZAM A VIDA DENTRO DO CAMPO DO SENTIDO, SIMPLESMENTE QUEBRAM . ESTA QUEBRA NOS REMETE A UM MODO TÃO PROFUNDO E TÃO DOLOROSO , QUE AS MILHARES DE PERGUNTAS QUE NOS INVADEM , QUASE TODAS FICAM SEM RESPOSTAS E SÓ FAZEM SUSCITAR NOVAS PERGUNTAS , COM O AGRAVANTE DE QUE A DOR DA PERDA EM NADA DIMINUI POR ISSO.
EM UM DIA COMO OUTROS, A VIDA SEGUE COM SEU MOVIMENTO, REALIZA E É REALIZADA EM TODOS OS MODOS, COMO FOI ORDENADA , ESTES DIAS EM QUE A INOCÊNCIA DO VIVER É O FUNDAMENTO QUE NOS PERMITE , INCLUSIVE SAIR NAS RUAS.
EMBORA CIRCUNDADOS PELO MAL EM SEU ESCALONAMENTO E RAMIFICAÇÕES , NÃO NOS OCORRE PARAR A VIDA PARA NOS PORMOS A SALVO. NÃO, SABEMOS QUE A PLENITUDE É UM IMPERATIVO DA VIDA EM SUA REALIZAÇÃO E LÁ VAMOS NÓS A CADA DIA ,EM BUSCA DO QUE NOS COMPELE , COM TODOS OS SONHOS E DESEJOS QUE NOS REGEM.
ESTA FORÇA É PODEROSA, NÃO SE DETÉM E NÃO PODE SER DETIDA POIS PERTENCE AO SEU PRÓPRIO MISTÉRIO E POR MAIS QUE EM ALGUM MOMENTO HISTÓRICO NOS OBRIGUEM OU QUEIRAM DETÊ-LA , É IMPOSSÍVEL . A VIDA É A SUA REALIZAÇÃO.
A ESCOLA ENTÃO É ESTE LUGAR FANTÁSTICO ONDE A INFÂNCIA OU PUBERDADE , ESTÃO LÁ .
EM FORMAS VARIADAS, CONJUGAM O FUTURO , UM POUCO A CADA DIA, NO ALVORECER DAS TRANSFORMAÇÕES DELICADAS ONDE RAPAZES E MOÇAS FREQUENTAM DE FORMA VIRGEM O GOSTO DAS DESCOBERTAS E REITERAM O PORVIR DE SUAS PRETENSÕES.
POIS JUSTO NUM DIA DESTES MAGNÂNIMO , QUE A TRAGÉDIA ACONTECEU.
UM RAPAZ , DE POSSE DE DUAS ARMAS DE FOGO , SAIU MATANDO NUA E CRUAMENTE UMA SÉRIE DE PESSOAS JOVENS ,SEM NENHUMA RAZÃO APARENTE E SEM DAR NENHUMA CHANCE AS VÍTIMAS , QUE POR SUA VEZ , MORRERAM SEM ENTENDER O QUE SE PASSAVA, A NÃO SER A TENTATIVA DESESPERADA DE TENTAR SALVAR SUAS VIDAS.
ESTE MOMENTO É TÃO CRUEL, QUE MOVE TUDO , UM TIPO DE COMOÇÃO EM QUE TUDO É BUSCADO PARA RESTABELECER OS NEXOS QUE O INEXPLICÁVEL TÊM O PODER DE PROVOCAR. MATAR O FLORESCER , É UMA PODA ARBRITÁRIA .
MAS MATA QUEM ESTÁ MORTO , AQUELE QUE JÁ DEIXOU DE VER A VIDA HÁ MUITO .
É UM TIPO DE INVEJA QUE PARECE PEDIR DE VOLTA O QUE NÃO HÁ, OU MESMO, NUNCA HOUVE. É INSUPORTÁVEL VER OS VIVOS CONCEBENDO E TECENDO OS FIOS DO FUTURO.
PARA QUEM ESTÁ MORTO, ISTO É UM AGRESSÃO VIOLENTA , POIS SENTE QUE O QUE NÃO TEM E NÃO VAI TER.QUEM JÁ PERTENCE AOS MORTOS ACHA QUE A VIDA ESTÁ INVERTIDA,
E NOS INDUZ A MORTE , COMO UM APAGAMENTO ONDE A VIDA SE DESMERECE COMO TRAGÉDIA HORRENDA. A QUESTÃO É QUE A VIDA EM SEU MODO COMPARTILHADO , É UM RECONHECIMENTO CONSCIENTE DE COMO SE PERTENCE .
A CHAMADA SOCIABILIDADE É UMA CONJUGAÇÃO DESTE PERTENCER , QUE COMEÇA NA FAMÍLIA E PERCORRE A ORDEM UNIVERSAL . É PERIGOSO DIZER OU NEGAR A ALGUÉM SEU PERTENCIMENTO . HELLINGER CHAMA A ISTO DE "CONCIÊNCIA COLETIVA INCONSCIENTE ", UMA ORDEM QUE SEGUNDO ELE COBRA UM PREÇO ALTO PELOS EXCLUÍDOS , VIVOS OU MORTOS.
NUM MUNDO CHEIO DE ESQUIZOIDIA POR TODOS OS LADOS , ONDE OS LABIRINTOS DIABÓLICOS SE ENCONTRAM EM SITES QUE QUALQUER UM PODE ACESSAR , CORREMOS RISCOS. PLANOS MIRABOLANTES EM MENTES QUE HÁ MUITO NÃO SABEM O QUE É O SOL,
QUE JÁ HABITAM O LUGAR DA MORTE QUE NÃO DEIXA VIVER, UM TIPO DE MORTE ASSASSINA QUE CLAMA VINGANÇA PELA EXCLUSÃO QUE NÃO RECONHECEMOS ,E NEM SEQUER TEMOS CONSCIÊNCIA , DISPÕE UM CENÁRIO DE HORROR PRESENTE E PORVIR.
DIAGNÓSTICOS , TRAUMAS , PERTUBAÇÕES PSIQUIÁTRICAS, SOCIOPATIAS, VINGANÇAS , ENFIM, UMA SÉRIE QUE NOS PERMITA SENÃO EXPLICAR, MAS PELO MENOS NOS FAVORECER ALGUM INDÍCIO DE COMO NOS PROTEGER PARA O FUTURO.
A IMPOTÊNCIA É GERAL E POR MAIS QUE EXPLIQUEMOS , NÃO REMOVE A PROFUNDA DOR DOS QUE SE FORAM E DOS QUE FICARAM.
COMO É POSSÍVEL QUE EXISTA ALGUÉM ASSIM , NOS PERGUNTAMOS? COMO É POSSÍVEL UM DESTROÇAMENTO TÃO ILIMITADO DA SENSIBILIDADE? E COM UM POUCO MAIS DE CORAGEM, SERÁ QUE NOS TORNAMOS UMA FÁBRICA DE MONSTROS ANÔNIMOS E NÃO SABEMOS?
AO MATAR ALGUÉM COM CERTEZA O ASSASSINO NÃO SABE O QUE ESTÁ MATANDO.
POIS MATA-SE UMA VIDA , UM SONHO , UM FUTURO , NÃO SÓ DE UM , MAS DE MUITOS, LEMBRANDO QUE A PARTIR DE CERTOS EPISÓDIOS TRÁGICOS DE PERDAS, MUITA GENTE DESISTE DE VIVER , MESMO QUE NÃO SE MATE.
UM TIPO DE DOR QUE DESAFIA O SUPORTÁVEL E QUE EXIGE UM RECONTRATO DE FÉ NA VIDA , PARA SE PROSSEGUIR.
NAQUELE DIA POIS, 12 CRIANÇAS SE FORAM , OBJETOS DE UMA INSANIDADE QUE TEREMOS MUITO O QUE BUSCAR COMPREENDER , PARA ALCANÇARMOS ALGUMA LUZ QUE NOS PERMITA , AO MÍNIMO DETECTAR O QUE NOS COMPETE NESSA FAÇANHA DE HORRORES, QUE AOS POUCOS TÊM FEITO DA VIDA UM TIPO DE INFERNO BRANDO QUE EM MOMENTOS AGUDOS LESA OS FUNDAMENTOS DO QUE A VIDA OFERECE COMO GRANDEZA A SER VIVÍDA.
A LUZ SE APAGA , O BRILHO SE ESVAI , NÓS NOS ENCOLHEMOS , O MEDO SE FAZ PERSECUTÓRIO , FAZEMOS PROMESSAS E LOGO ESQUECEREMOS , DEIXANDO AOS FAMILIARES A INGRATA E DOLOROSA TAREFA DE LEMBRÁ-LOS , E ISTO AOS POUCOS, JÁ NÃO IRÁ NOS NOS COMOVER TANTO.
É INCRÍVEL , COMO SE POR UM LADO A TRAGÉDIA E SEUS HORRORES NOS ENCURRALAM, PRINCIPALMENTE ,AO NOS MOSTRAR SUA PROXIMIDADE, POR OUTRO , É COMO SE NÃO VÍSSEMOS AÍ A QUESTÃO DE TODOS NÓS.
COMO LABORATÓRIO TEMOS SIDO HÁBEIS NO CAMPO DAS TECNOLOGIAS , E LENTOS E QUASE MONÓTONOS NO CAMPO DAS SUBJETIVIDADES. ESTE ESTRANHO MUNDO DE DENTRO- FORA , É O NOSSO ENIGMA E NOSSA POBREZA DE IMAGINAÇÃO AMOROSA.
NÃO NOS IMPORTAMOS TANTO DESDE QUE NÃO NOS PERTUBEM , EMBORA , NÃO SAIBAMOS O QUANTO PERTURBAMOS E COMO POSSIVELMENTE MUITAS VINGANÇAS JÁ ESTEJAM SENDO ELABORADAS NOS CONFINS SINISTRO DOS QUE SE SENTEM LESADOS.
IMPIEDOSOS , TOMAMOS O SOCIAL , ESTE LUGAR QUE EXIGE O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , À CONTA DE UMA ISENÇÃO COM O ARGUMENTO DE QUE NÃO NOS COMPETE , POIS JÁ FAZEMOS MUITO ENQUANTO CIDADÃOS COM DEVERES E OBRIGAÇÕES EM DIA .
O DESMERECIDO AÍ , QUE NÃO SABEMOS QUEM É , É UM ANÔNIMO QUE CONTÉM EM SEUS REGISTROS TUDO QUE QUEREMOS , E QUE AO NASCER NOS COMPROMETE, AO TER QUE DAR A ELE O QUE A DIGNIDADE DO HUMANO REQUER PARA SER RECONHECIDA, AO RISCO, DE QUE NOSSAS GARANTIAS , JÁ MINÍMAS FIQUEM AINDA MAIS PREJUDICADAS.
NADA GARANTE ,E AQUI NÃO PODEMOS TER A POBREZA COMO ARGUMENTO ÚNICO, POIS O FENÔMENO É MAIS COMPLEXO. AO SE SENTIREM FERIDAS DETERMINADAS ALMAS , JURAM VINGANÇAS , AO NÃO SE SENTIREM COMPROMETIDAS COM UMA ORDEM QUE PARA ELAS NÃO A INCLUEM , OU SE INCLUEM , É PARA DESMERECÊ-LAS.
ESTA VIOLÊNCIA COMETIDA DIARIAMENTE É UM DOCUMENTO GERAL QUE NOS COMPROMENTE A TODOS. É O MUNDO E SUA QUALIDADE QUE CONSTRUÍMOS PARA NOSSOS PARCEIROS QUE COMPARTILHAM A VIDA JUNTO CONOSCO.
AQUI , DISCUTE-SE NOSSA INSERÇÃO , DESDE DAQUELES QUE CONDUZEM E CRIAM PATAMARES DE IMUNIDADES PARA SEUS ATOS QUE LESAM O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , BEM COMO, OS QUE SE DEIXAM CONDUZIR E SE OMITEM ENQUANTO CONSTRUTORES DO OUTRO ENQUANTO VALOR HUMANO E DIGNO. EM COMUNIDADES QUE TÊM EM CONTA O ESPÍRITO COMUNITÁRIO , ALGUÉM DOENTE , SIGNIFICA QUE TODOS ESTÃO DOENTES .
TALVEZ UM CRIME CONTENHA EM SI MUITOS CRIMES SIMULTÂNEOS , QUE A CONSCIÊNCIA NÃO PODE REGISTRAR , JÁ QUE SOMOS HERDEIROS DE UM MUNDO ONDE AS PENDÊNCIAS FICAM PRA DEPOIS , SEM O MENOR CONSTAGIMENTO.
O QUE É ESTE DEPOIS?
TEMOS UM CIVILIDADE DÚBIA E CHEIA DE RANCORES IMPLÍCITOS QUE SE DESAFOGAM TODO DIA. ÓDIOS NÃO DITOS E MAL-DITOS QUE SEQUER PENSAMOS EM ADMITIR , QUANTO MAIS CONFESSAR. NOSSO POLIMENTO É LIMITADO E CIRCUNSTANCIAL , PARECENDO SER MAIS UM ACORDO PARA NOS TOLERARMOS DO QUE A CELEBRAÇÃO DE UMA JORNADA COMUM.
NOSSA TAREFA É ÁRDUA E CONSTRUIR UMA CIVILIZAÇÃO DECENTE É OFERECER OPORTUNIDADES QUE DESAFIAM O AMOR E A JUSTIÇA TANTO NO ÂMBITO COLETIVO , COMO INDIVIDUAL.
OS LESADOS NOS DEVOLVEM QUANDO MENOS ESPERAMOS E AO FAZÊ-LO , PODEM CAUSAR DORES IRREVERSÍVEIS , PRINCIPALMENTE QUANDO FAZEM DA VIDA , QUE TANTO PREZAMOS E INVESTIMOS , UM MERO OBJETO DE MIRA QUE UM REVÓLVER PODE TIRAR.
AH!QUANTA DOR , QUANTA DOR AINDA TEREMOS QUE PASSAR , NOS PERGUNTAMOS, COMO QUE DESCONFIADOS QUE NADA ACABOU E QUE AINDA NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ POR VIR. PRA NÓS , INTELIGENTES E SOBERBOS , DEUS ESTÁ MORTO , HÁ MUITO.
A ORDEM DO ABSOLUTO TERÁ QUE RE-CHEGAR POR OUTRO LUGAR ONDE NOSSO OLHAR O RECONHEÇA , JÁ QUE RELIGIÕES,DELEGAMOS AS MASSAS COM SEUS ATRASOS.
IMPUNES E COM ARGUMENTOS CÍNICOS AVANÇAMOS NA FORMA COMO NOS CONVÉM, COMO SE NÃO PERTENCESSEMOS SENÃO A NÓS MESMOS . MAS SERÁ?
RESTITUAMOS NOSSOS PERTENCIMENTOS , INCLUINDO O ABSOLUTO , PARA QUE POSSAMOS RE-CONSIDERAR O QUE NOS COMPETE E COM HUMILDADE E SEM MÁSCARAS,
NOS ENTREGARMOS A DURA TAREFA DE CONSTRUIR COM AMOR, A ALMA DO HUMANO EM SUA GRANDEZA UNIVERSAL .
A FILOSOFIA SE CALA , AS RELIGIÕES AVANÇAM EM BUSCA DE NOVOS ADEPTOS , A CIÊNCIA NÃO TEM O QUE NOS DIZER , POIS ARGUMENTA QUE NÃO LHE COMPETE E NESTE CENÁRIO DE OMISSÃO E FORÇAS SUGESTIVAS , NOSSO LABORATÓRIO , VAI GERANDO TARATOLOGIAS QUE NOS SURPREENDEM , ENQUANTO CRIATURAS CUJA TAREFA CIENTÍFICA QUE NOS CABE É AJUDÁ-LAS A SE HUMANIZAR , ANTES QUE ELAS AO NOS DENUNCIAR EM NOSSA FALTA DE COMPETÊNCIA RESOLVA TAMBÉM NOS LIQUIDAR.
MINHA MAIS PROFUNDA SOLIDARIEDADE AS VÍTIMAS, AS FAMÍLIAS ,AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E A TODOS NÓS QUE NOS ENCONTRAMOS NESTA JORNADA TÃO PROFUNDA DE APERFEIÇOAMENTO DE TODOS , INCLUSIVE DOS QUE QUEREM NOS MATAR.
EM UM DIA COMO OUTROS, A VIDA SEGUE COM SEU MOVIMENTO, REALIZA E É REALIZADA EM TODOS OS MODOS, COMO FOI ORDENADA , ESTES DIAS EM QUE A INOCÊNCIA DO VIVER É O FUNDAMENTO QUE NOS PERMITE , INCLUSIVE SAIR NAS RUAS.
EMBORA CIRCUNDADOS PELO MAL EM SEU ESCALONAMENTO E RAMIFICAÇÕES , NÃO NOS OCORRE PARAR A VIDA PARA NOS PORMOS A SALVO. NÃO, SABEMOS QUE A PLENITUDE É UM IMPERATIVO DA VIDA EM SUA REALIZAÇÃO E LÁ VAMOS NÓS A CADA DIA ,EM BUSCA DO QUE NOS COMPELE , COM TODOS OS SONHOS E DESEJOS QUE NOS REGEM.
ESTA FORÇA É PODEROSA, NÃO SE DETÉM E NÃO PODE SER DETIDA POIS PERTENCE AO SEU PRÓPRIO MISTÉRIO E POR MAIS QUE EM ALGUM MOMENTO HISTÓRICO NOS OBRIGUEM OU QUEIRAM DETÊ-LA , É IMPOSSÍVEL . A VIDA É A SUA REALIZAÇÃO.
A ESCOLA ENTÃO É ESTE LUGAR FANTÁSTICO ONDE A INFÂNCIA OU PUBERDADE , ESTÃO LÁ .
EM FORMAS VARIADAS, CONJUGAM O FUTURO , UM POUCO A CADA DIA, NO ALVORECER DAS TRANSFORMAÇÕES DELICADAS ONDE RAPAZES E MOÇAS FREQUENTAM DE FORMA VIRGEM O GOSTO DAS DESCOBERTAS E REITERAM O PORVIR DE SUAS PRETENSÕES.
POIS JUSTO NUM DIA DESTES MAGNÂNIMO , QUE A TRAGÉDIA ACONTECEU.
UM RAPAZ , DE POSSE DE DUAS ARMAS DE FOGO , SAIU MATANDO NUA E CRUAMENTE UMA SÉRIE DE PESSOAS JOVENS ,SEM NENHUMA RAZÃO APARENTE E SEM DAR NENHUMA CHANCE AS VÍTIMAS , QUE POR SUA VEZ , MORRERAM SEM ENTENDER O QUE SE PASSAVA, A NÃO SER A TENTATIVA DESESPERADA DE TENTAR SALVAR SUAS VIDAS.
ESTE MOMENTO É TÃO CRUEL, QUE MOVE TUDO , UM TIPO DE COMOÇÃO EM QUE TUDO É BUSCADO PARA RESTABELECER OS NEXOS QUE O INEXPLICÁVEL TÊM O PODER DE PROVOCAR. MATAR O FLORESCER , É UMA PODA ARBRITÁRIA .
MAS MATA QUEM ESTÁ MORTO , AQUELE QUE JÁ DEIXOU DE VER A VIDA HÁ MUITO .
É UM TIPO DE INVEJA QUE PARECE PEDIR DE VOLTA O QUE NÃO HÁ, OU MESMO, NUNCA HOUVE. É INSUPORTÁVEL VER OS VIVOS CONCEBENDO E TECENDO OS FIOS DO FUTURO.
PARA QUEM ESTÁ MORTO, ISTO É UM AGRESSÃO VIOLENTA , POIS SENTE QUE O QUE NÃO TEM E NÃO VAI TER.QUEM JÁ PERTENCE AOS MORTOS ACHA QUE A VIDA ESTÁ INVERTIDA,
E NOS INDUZ A MORTE , COMO UM APAGAMENTO ONDE A VIDA SE DESMERECE COMO TRAGÉDIA HORRENDA. A QUESTÃO É QUE A VIDA EM SEU MODO COMPARTILHADO , É UM RECONHECIMENTO CONSCIENTE DE COMO SE PERTENCE .
A CHAMADA SOCIABILIDADE É UMA CONJUGAÇÃO DESTE PERTENCER , QUE COMEÇA NA FAMÍLIA E PERCORRE A ORDEM UNIVERSAL . É PERIGOSO DIZER OU NEGAR A ALGUÉM SEU PERTENCIMENTO . HELLINGER CHAMA A ISTO DE "CONCIÊNCIA COLETIVA INCONSCIENTE ", UMA ORDEM QUE SEGUNDO ELE COBRA UM PREÇO ALTO PELOS EXCLUÍDOS , VIVOS OU MORTOS.
NUM MUNDO CHEIO DE ESQUIZOIDIA POR TODOS OS LADOS , ONDE OS LABIRINTOS DIABÓLICOS SE ENCONTRAM EM SITES QUE QUALQUER UM PODE ACESSAR , CORREMOS RISCOS. PLANOS MIRABOLANTES EM MENTES QUE HÁ MUITO NÃO SABEM O QUE É O SOL,
QUE JÁ HABITAM O LUGAR DA MORTE QUE NÃO DEIXA VIVER, UM TIPO DE MORTE ASSASSINA QUE CLAMA VINGANÇA PELA EXCLUSÃO QUE NÃO RECONHECEMOS ,E NEM SEQUER TEMOS CONSCIÊNCIA , DISPÕE UM CENÁRIO DE HORROR PRESENTE E PORVIR.
DIAGNÓSTICOS , TRAUMAS , PERTUBAÇÕES PSIQUIÁTRICAS, SOCIOPATIAS, VINGANÇAS , ENFIM, UMA SÉRIE QUE NOS PERMITA SENÃO EXPLICAR, MAS PELO MENOS NOS FAVORECER ALGUM INDÍCIO DE COMO NOS PROTEGER PARA O FUTURO.
A IMPOTÊNCIA É GERAL E POR MAIS QUE EXPLIQUEMOS , NÃO REMOVE A PROFUNDA DOR DOS QUE SE FORAM E DOS QUE FICARAM.
COMO É POSSÍVEL QUE EXISTA ALGUÉM ASSIM , NOS PERGUNTAMOS? COMO É POSSÍVEL UM DESTROÇAMENTO TÃO ILIMITADO DA SENSIBILIDADE? E COM UM POUCO MAIS DE CORAGEM, SERÁ QUE NOS TORNAMOS UMA FÁBRICA DE MONSTROS ANÔNIMOS E NÃO SABEMOS?
AO MATAR ALGUÉM COM CERTEZA O ASSASSINO NÃO SABE O QUE ESTÁ MATANDO.
POIS MATA-SE UMA VIDA , UM SONHO , UM FUTURO , NÃO SÓ DE UM , MAS DE MUITOS, LEMBRANDO QUE A PARTIR DE CERTOS EPISÓDIOS TRÁGICOS DE PERDAS, MUITA GENTE DESISTE DE VIVER , MESMO QUE NÃO SE MATE.
UM TIPO DE DOR QUE DESAFIA O SUPORTÁVEL E QUE EXIGE UM RECONTRATO DE FÉ NA VIDA , PARA SE PROSSEGUIR.
NAQUELE DIA POIS, 12 CRIANÇAS SE FORAM , OBJETOS DE UMA INSANIDADE QUE TEREMOS MUITO O QUE BUSCAR COMPREENDER , PARA ALCANÇARMOS ALGUMA LUZ QUE NOS PERMITA , AO MÍNIMO DETECTAR O QUE NOS COMPETE NESSA FAÇANHA DE HORRORES, QUE AOS POUCOS TÊM FEITO DA VIDA UM TIPO DE INFERNO BRANDO QUE EM MOMENTOS AGUDOS LESA OS FUNDAMENTOS DO QUE A VIDA OFERECE COMO GRANDEZA A SER VIVÍDA.
A LUZ SE APAGA , O BRILHO SE ESVAI , NÓS NOS ENCOLHEMOS , O MEDO SE FAZ PERSECUTÓRIO , FAZEMOS PROMESSAS E LOGO ESQUECEREMOS , DEIXANDO AOS FAMILIARES A INGRATA E DOLOROSA TAREFA DE LEMBRÁ-LOS , E ISTO AOS POUCOS, JÁ NÃO IRÁ NOS NOS COMOVER TANTO.
É INCRÍVEL , COMO SE POR UM LADO A TRAGÉDIA E SEUS HORRORES NOS ENCURRALAM, PRINCIPALMENTE ,AO NOS MOSTRAR SUA PROXIMIDADE, POR OUTRO , É COMO SE NÃO VÍSSEMOS AÍ A QUESTÃO DE TODOS NÓS.
COMO LABORATÓRIO TEMOS SIDO HÁBEIS NO CAMPO DAS TECNOLOGIAS , E LENTOS E QUASE MONÓTONOS NO CAMPO DAS SUBJETIVIDADES. ESTE ESTRANHO MUNDO DE DENTRO- FORA , É O NOSSO ENIGMA E NOSSA POBREZA DE IMAGINAÇÃO AMOROSA.
NÃO NOS IMPORTAMOS TANTO DESDE QUE NÃO NOS PERTUBEM , EMBORA , NÃO SAIBAMOS O QUANTO PERTURBAMOS E COMO POSSIVELMENTE MUITAS VINGANÇAS JÁ ESTEJAM SENDO ELABORADAS NOS CONFINS SINISTRO DOS QUE SE SENTEM LESADOS.
IMPIEDOSOS , TOMAMOS O SOCIAL , ESTE LUGAR QUE EXIGE O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , À CONTA DE UMA ISENÇÃO COM O ARGUMENTO DE QUE NÃO NOS COMPETE , POIS JÁ FAZEMOS MUITO ENQUANTO CIDADÃOS COM DEVERES E OBRIGAÇÕES EM DIA .
O DESMERECIDO AÍ , QUE NÃO SABEMOS QUEM É , É UM ANÔNIMO QUE CONTÉM EM SEUS REGISTROS TUDO QUE QUEREMOS , E QUE AO NASCER NOS COMPROMETE, AO TER QUE DAR A ELE O QUE A DIGNIDADE DO HUMANO REQUER PARA SER RECONHECIDA, AO RISCO, DE QUE NOSSAS GARANTIAS , JÁ MINÍMAS FIQUEM AINDA MAIS PREJUDICADAS.
NADA GARANTE ,E AQUI NÃO PODEMOS TER A POBREZA COMO ARGUMENTO ÚNICO, POIS O FENÔMENO É MAIS COMPLEXO. AO SE SENTIREM FERIDAS DETERMINADAS ALMAS , JURAM VINGANÇAS , AO NÃO SE SENTIREM COMPROMETIDAS COM UMA ORDEM QUE PARA ELAS NÃO A INCLUEM , OU SE INCLUEM , É PARA DESMERECÊ-LAS.
ESTA VIOLÊNCIA COMETIDA DIARIAMENTE É UM DOCUMENTO GERAL QUE NOS COMPROMENTE A TODOS. É O MUNDO E SUA QUALIDADE QUE CONSTRUÍMOS PARA NOSSOS PARCEIROS QUE COMPARTILHAM A VIDA JUNTO CONOSCO.
AQUI , DISCUTE-SE NOSSA INSERÇÃO , DESDE DAQUELES QUE CONDUZEM E CRIAM PATAMARES DE IMUNIDADES PARA SEUS ATOS QUE LESAM O ESPIRÍTO COMUNITÁRIO , BEM COMO, OS QUE SE DEIXAM CONDUZIR E SE OMITEM ENQUANTO CONSTRUTORES DO OUTRO ENQUANTO VALOR HUMANO E DIGNO. EM COMUNIDADES QUE TÊM EM CONTA O ESPÍRITO COMUNITÁRIO , ALGUÉM DOENTE , SIGNIFICA QUE TODOS ESTÃO DOENTES .
TALVEZ UM CRIME CONTENHA EM SI MUITOS CRIMES SIMULTÂNEOS , QUE A CONSCIÊNCIA NÃO PODE REGISTRAR , JÁ QUE SOMOS HERDEIROS DE UM MUNDO ONDE AS PENDÊNCIAS FICAM PRA DEPOIS , SEM O MENOR CONSTAGIMENTO.
O QUE É ESTE DEPOIS?
TEMOS UM CIVILIDADE DÚBIA E CHEIA DE RANCORES IMPLÍCITOS QUE SE DESAFOGAM TODO DIA. ÓDIOS NÃO DITOS E MAL-DITOS QUE SEQUER PENSAMOS EM ADMITIR , QUANTO MAIS CONFESSAR. NOSSO POLIMENTO É LIMITADO E CIRCUNSTANCIAL , PARECENDO SER MAIS UM ACORDO PARA NOS TOLERARMOS DO QUE A CELEBRAÇÃO DE UMA JORNADA COMUM.
NOSSA TAREFA É ÁRDUA E CONSTRUIR UMA CIVILIZAÇÃO DECENTE É OFERECER OPORTUNIDADES QUE DESAFIAM O AMOR E A JUSTIÇA TANTO NO ÂMBITO COLETIVO , COMO INDIVIDUAL.
OS LESADOS NOS DEVOLVEM QUANDO MENOS ESPERAMOS E AO FAZÊ-LO , PODEM CAUSAR DORES IRREVERSÍVEIS , PRINCIPALMENTE QUANDO FAZEM DA VIDA , QUE TANTO PREZAMOS E INVESTIMOS , UM MERO OBJETO DE MIRA QUE UM REVÓLVER PODE TIRAR.
AH!QUANTA DOR , QUANTA DOR AINDA TEREMOS QUE PASSAR , NOS PERGUNTAMOS, COMO QUE DESCONFIADOS QUE NADA ACABOU E QUE AINDA NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ POR VIR. PRA NÓS , INTELIGENTES E SOBERBOS , DEUS ESTÁ MORTO , HÁ MUITO.
A ORDEM DO ABSOLUTO TERÁ QUE RE-CHEGAR POR OUTRO LUGAR ONDE NOSSO OLHAR O RECONHEÇA , JÁ QUE RELIGIÕES,DELEGAMOS AS MASSAS COM SEUS ATRASOS.
IMPUNES E COM ARGUMENTOS CÍNICOS AVANÇAMOS NA FORMA COMO NOS CONVÉM, COMO SE NÃO PERTENCESSEMOS SENÃO A NÓS MESMOS . MAS SERÁ?
RESTITUAMOS NOSSOS PERTENCIMENTOS , INCLUINDO O ABSOLUTO , PARA QUE POSSAMOS RE-CONSIDERAR O QUE NOS COMPETE E COM HUMILDADE E SEM MÁSCARAS,
NOS ENTREGARMOS A DURA TAREFA DE CONSTRUIR COM AMOR, A ALMA DO HUMANO EM SUA GRANDEZA UNIVERSAL .
A FILOSOFIA SE CALA , AS RELIGIÕES AVANÇAM EM BUSCA DE NOVOS ADEPTOS , A CIÊNCIA NÃO TEM O QUE NOS DIZER , POIS ARGUMENTA QUE NÃO LHE COMPETE E NESTE CENÁRIO DE OMISSÃO E FORÇAS SUGESTIVAS , NOSSO LABORATÓRIO , VAI GERANDO TARATOLOGIAS QUE NOS SURPREENDEM , ENQUANTO CRIATURAS CUJA TAREFA CIENTÍFICA QUE NOS CABE É AJUDÁ-LAS A SE HUMANIZAR , ANTES QUE ELAS AO NOS DENUNCIAR EM NOSSA FALTA DE COMPETÊNCIA RESOLVA TAMBÉM NOS LIQUIDAR.
MINHA MAIS PROFUNDA SOLIDARIEDADE AS VÍTIMAS, AS FAMÍLIAS ,AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E A TODOS NÓS QUE NOS ENCONTRAMOS NESTA JORNADA TÃO PROFUNDA DE APERFEIÇOAMENTO DE TODOS , INCLUSIVE DOS QUE QUEREM NOS MATAR.
6.4.11
5.4.11
Nas coxas
Expressão um tanto grotesca cheia de recheios dúbios , ganhou força em dois sentidos:
Como algo mal feito , tipo rápido , sem maiores entregas , preliminares que não chegam
lá, logo, deixa a dever.
E também como depreciação erótica das coxas , enquanto fetiche masturbatório , um tipo de roça-roça , ato menor , faltoso , paliativo , carência de um penetração mais decisiva .
Mas convém lembrar que as coxas serviam como lugar de feitura das eiras e beiras das telhas que compunham os telhados coloniais e que ficaram também consagradas como na expressão " sem eiras nem beiras", algo sem sentido preciso , desconexo , ou inadequado.
No entanto, numa cultura sexualmente fálica como a nossa, a transa fica como pano de fundo das imagens simbólicas, um tipo de sugestão rápida para facilitar o racíocinio ou um desenho econômico para dispensar maiores elucidações.
"Nas coxas " é assim de uma rapidez extraordinária . " Pô , isto foi feito nas coxas".
Bom , dependendo das coxas , poderia ser um elogio , mas aqui a figuração trata as coxas como coisa única , não importa a coxa, foi mal feito e pronto.
A coxa é uma parte especial da perna , em geral mais carnuda, parte cobiçada nos churrascos , fetiche do olho para homens e mulheres ,como indicativo de gozo supostamente garantido.
Próxima da genitália , compõe um conjunto cobiçado , uma conjunção curva e cheia de promessas desejantes ,já que a frente e as costas aí se complementam como cara e coroa de uma moeda carnal , disputa para as fantasias e para o jogo do que se mostra e do que se esconde , para se ver depois.
Mas embora este modo linguageiro , tenha lá inconteste liberdade e expressão sugestiva , no sentido primeiro , como algo mal-feito , é um tipo espelho do que poderia ter sido melhor , caso não fosse feito nas coxas .
Curioso, é que o tempo parece nos oferecer um sentido de perfeição incompleta , mas que destaca o modo como nos engajamos , o como nos inserimos , o quanto nos empenhamos com verdade e não com imposturas , falácias que se perdem , que ficam como elementos soltos na cadeia deste empenho . É como se os resultados , ficassem a parte , ou não importassem tanto enquanto uma qualidade consagrada. Faz-se nas coxas.
O compromisso com o fim bem-feito se descaracteriza , já que não é mais visto como essencial , algo ao subverter os meios , apequenou o fim.
É uma pena , pois na verdade , construções qualificadas dão trabalho e requerem empenho do início ao fim da cadeia , e o fim é o ápice do possível verdadeiro e que reitera o aprimoramento como um valor essencial da vida.
Talvez isto faça diferença entre pessoas, grupos e nações , o fazer e fazer bem-feito .
Porque não ? Porque não fazer bem-feito?
Há um tipo de argumento pronto e nas coxas,de que uma simulação de resultado não resulta em maiores transtornos por ninguém ver. Confunde-se totalmente a ordem e a primazia da obra , pois há aí uma trapaça . É como se quem vai usufruir pudesse ser lesado , na conta de que o coração não vê , os olhos não sentem . Argumento venenoso em todas áreas da vida , que tem causado emperramentos custosos e dolorosos , pois subtrai o que se acha que não existe , ou seja, a ordem comunitária em sua vigência na alma comum.
Como estamos implicados na ordem de um pertencer em que desde a família como base , e depois todas ordens de uma grupalidade social , somos portadores e participamos de um laço comum . Essa alma comum tem vida e se ressente muito quando subtraída e contém nosso patrimônio particular ,que deve ser usado para vivificar estes elos comuns. É como se tivessemos e temos , dentro do que recebemos a obrigação de melhor qualificá-los e devolvermos ainda melhor. Uma ciranda de grandezas e devoluções maiores , pois o que temos em comum depende disso .
É como se tivessemos que escolher entre construir se esforçando e tendo trabalho , e aceitando os desafios que nos fazem aprender de verdade , ou fazermos circular moedas de simulações que parecem mas não são .
É incrível como a todo tempo ouvimos as dores e revoltas das mentiras e tapeações , que fizeram das coxas um lugar repulsivo e de má-fé . É como se a própria escolha de um bonito lugar como as coxas , para alavancar metáforas obscuras , já fosse um trapacear ético e estético, onde a reverência ao sentido maior da vida não passasse de um truque , engôdo de uma esperteza que faz da vida uma arena para os gladiadores do cinísmo.
Estes apontam as coxas como um lugar de prazer econômico onde se goza com menos trabalho. Aqui o incompleto não é fruto de dificuldades sinceras , mas de segundas intenções que se des-comprometem com facilidade , patamar de uma facilidade perversa e por vezes cruel , justo por faltar o escrúpulo do quanto se lesa o patrimônio comum.
Aqui é como se não houvesse ladrões nomeados e sim dissimulados . É um tipo de crime que quando de trata da ordem social é bárbaro , pois é o dinheiro que ao ser usado mais ou menos , já tinha destinação particulares no que sobrou .
Estima-se pra cima e puxa-se pra baixo .
Na ordem pessoal é um vício que faz falta à realização , talvez justo ali aonde a vida poderia ser maior e mais bonita. É um gosto covarde do incompleto que faz chorar .
É o lugar onde o menos seduziu com riquezas pífias e levou o brilho que só as grandezas têm.
Se podemos ir mais porque não fazê-lo?
Um gesto pode ser um diferencial de qualidade que se inscreve também para o futuro , haverá quem nos agradeça , por devolvermos as coxas o seu devido lugar de requinte e de fantasia onde o erótico é um modo de sensibilidade e de apreciação .
Deixemos as coxas livres para o olhar e façamos bem feito e com amor o que nos compete.
Assim Eros agradecerá o desfazer do emaranhado que o tornou um deus das propinas e dos argumentos fáceis , pois sua natureza é alada e faz subir , assim das coxas podemos completar a integridade do ato.
Como algo mal feito , tipo rápido , sem maiores entregas , preliminares que não chegam
lá, logo, deixa a dever.
E também como depreciação erótica das coxas , enquanto fetiche masturbatório , um tipo de roça-roça , ato menor , faltoso , paliativo , carência de um penetração mais decisiva .
Mas convém lembrar que as coxas serviam como lugar de feitura das eiras e beiras das telhas que compunham os telhados coloniais e que ficaram também consagradas como na expressão " sem eiras nem beiras", algo sem sentido preciso , desconexo , ou inadequado.
No entanto, numa cultura sexualmente fálica como a nossa, a transa fica como pano de fundo das imagens simbólicas, um tipo de sugestão rápida para facilitar o racíocinio ou um desenho econômico para dispensar maiores elucidações.
"Nas coxas " é assim de uma rapidez extraordinária . " Pô , isto foi feito nas coxas".
Bom , dependendo das coxas , poderia ser um elogio , mas aqui a figuração trata as coxas como coisa única , não importa a coxa, foi mal feito e pronto.
A coxa é uma parte especial da perna , em geral mais carnuda, parte cobiçada nos churrascos , fetiche do olho para homens e mulheres ,como indicativo de gozo supostamente garantido.
Próxima da genitália , compõe um conjunto cobiçado , uma conjunção curva e cheia de promessas desejantes ,já que a frente e as costas aí se complementam como cara e coroa de uma moeda carnal , disputa para as fantasias e para o jogo do que se mostra e do que se esconde , para se ver depois.
Mas embora este modo linguageiro , tenha lá inconteste liberdade e expressão sugestiva , no sentido primeiro , como algo mal-feito , é um tipo espelho do que poderia ter sido melhor , caso não fosse feito nas coxas .
Curioso, é que o tempo parece nos oferecer um sentido de perfeição incompleta , mas que destaca o modo como nos engajamos , o como nos inserimos , o quanto nos empenhamos com verdade e não com imposturas , falácias que se perdem , que ficam como elementos soltos na cadeia deste empenho . É como se os resultados , ficassem a parte , ou não importassem tanto enquanto uma qualidade consagrada. Faz-se nas coxas.
O compromisso com o fim bem-feito se descaracteriza , já que não é mais visto como essencial , algo ao subverter os meios , apequenou o fim.
É uma pena , pois na verdade , construções qualificadas dão trabalho e requerem empenho do início ao fim da cadeia , e o fim é o ápice do possível verdadeiro e que reitera o aprimoramento como um valor essencial da vida.
Talvez isto faça diferença entre pessoas, grupos e nações , o fazer e fazer bem-feito .
Porque não ? Porque não fazer bem-feito?
Há um tipo de argumento pronto e nas coxas,de que uma simulação de resultado não resulta em maiores transtornos por ninguém ver. Confunde-se totalmente a ordem e a primazia da obra , pois há aí uma trapaça . É como se quem vai usufruir pudesse ser lesado , na conta de que o coração não vê , os olhos não sentem . Argumento venenoso em todas áreas da vida , que tem causado emperramentos custosos e dolorosos , pois subtrai o que se acha que não existe , ou seja, a ordem comunitária em sua vigência na alma comum.
Como estamos implicados na ordem de um pertencer em que desde a família como base , e depois todas ordens de uma grupalidade social , somos portadores e participamos de um laço comum . Essa alma comum tem vida e se ressente muito quando subtraída e contém nosso patrimônio particular ,que deve ser usado para vivificar estes elos comuns. É como se tivessemos e temos , dentro do que recebemos a obrigação de melhor qualificá-los e devolvermos ainda melhor. Uma ciranda de grandezas e devoluções maiores , pois o que temos em comum depende disso .
É como se tivessemos que escolher entre construir se esforçando e tendo trabalho , e aceitando os desafios que nos fazem aprender de verdade , ou fazermos circular moedas de simulações que parecem mas não são .
É incrível como a todo tempo ouvimos as dores e revoltas das mentiras e tapeações , que fizeram das coxas um lugar repulsivo e de má-fé . É como se a própria escolha de um bonito lugar como as coxas , para alavancar metáforas obscuras , já fosse um trapacear ético e estético, onde a reverência ao sentido maior da vida não passasse de um truque , engôdo de uma esperteza que faz da vida uma arena para os gladiadores do cinísmo.
Estes apontam as coxas como um lugar de prazer econômico onde se goza com menos trabalho. Aqui o incompleto não é fruto de dificuldades sinceras , mas de segundas intenções que se des-comprometem com facilidade , patamar de uma facilidade perversa e por vezes cruel , justo por faltar o escrúpulo do quanto se lesa o patrimônio comum.
Aqui é como se não houvesse ladrões nomeados e sim dissimulados . É um tipo de crime que quando de trata da ordem social é bárbaro , pois é o dinheiro que ao ser usado mais ou menos , já tinha destinação particulares no que sobrou .
Estima-se pra cima e puxa-se pra baixo .
Na ordem pessoal é um vício que faz falta à realização , talvez justo ali aonde a vida poderia ser maior e mais bonita. É um gosto covarde do incompleto que faz chorar .
É o lugar onde o menos seduziu com riquezas pífias e levou o brilho que só as grandezas têm.
Se podemos ir mais porque não fazê-lo?
Um gesto pode ser um diferencial de qualidade que se inscreve também para o futuro , haverá quem nos agradeça , por devolvermos as coxas o seu devido lugar de requinte e de fantasia onde o erótico é um modo de sensibilidade e de apreciação .
Deixemos as coxas livres para o olhar e façamos bem feito e com amor o que nos compete.
Assim Eros agradecerá o desfazer do emaranhado que o tornou um deus das propinas e dos argumentos fáceis , pois sua natureza é alada e faz subir , assim das coxas podemos completar a integridade do ato.
23.3.11
as palavras e a boca
Palavras incríveis, contém o poder de definir, de fazer viver e de matar.Criam a vida por poderoso efeito sugestivo, realçam as diferenças em quem as pronuncia e em quem escuta. Estabelecem as diretrizes da significação e ordenam aleatoriamente os movimentos, de formas que, muitos movimentos são induzidos, pouco reconhecidos no campo da competência e da inserção verdadeira.
A boca sabe como se descomprometer se lhe convém, mas guarda escrúpulos de forma relativa, até o próximo embate. É aonde o sujeito avalia e faz juras para o próximo disparo. Portadora prioritária da linguagem e de seus enunciados, sabe o poder que têm e como usá-lo, sabe abrir caminhos oficiosos para sua compensação, algo como gerar os venenos que contaminam sem serem identificados.
Traduz assim o que é de cada um, as ordens vivas do amor e do ódio, onde se revelam as grandezas e as inferioridades que traem a criatura onde ela, em geral, não quer ser vista. Mas o que é mais difícil de aceitar, e diga-se, paradoxalmente , é que as palavras têm efeitos, e por vezes, irrecuperáveis.
Corre-se atrás do que se disse e por vezes, tarde demais, pois já se foi.
Índole constitutiva da espécie, o falar é a conjugação do humano em toda sua expressão, tanto imanente como transcedente. Atinge-se embaixo e em cima. Figura-se o Céu ou Inferno, eleva-se ou degrada-se à criatura, um gesto de luz ou de trevas, o lugar do bem-dizer ou do mal-dito, que nos torna companheiros ou inimigos por suscetibilidades narcísicas, ou pelo rancor à alteridade inexorável.
O Outro não sai e quer também, afinal, é um direito que reconhecemos somente a força, precisamos de leis e punições para isto.
Então o que nos resta ?
O modo comum de descrendeciamento é um truque simbólico, principalmente porque é feito nas esferas mais íntimas e portanto de direito próprio, lugar onde não se entra sem ser convidado. Ali o outro assume a proporção de um outro-objeto e dejeto das mais ralas des-considerações. Avilta-se a sua grandeza rapidamente e sem explicações, condenação sumária e sem apelação, pois não se explicíta qual acusação.
O gozo sado-masoquista do puro domínio de tê-lo ao sabor emocional do que ressarce e vinga. Esse fenômeno usual e pouco visível de falsa discrição é a base das vinganças ocultas que não precisam se justificar perante aos tribunais jurídicos, mas que têm um poder indescritível no convívio. Representa a gangorra dos altos e baixos das cotações de prestígio e o cemitério dos amores falidos e dos investimentos arrependidos.
É o que nos faz voltar sempre. Retornamos para tentar, no recontrato da esperança de fazer viver novamente o que era importante, para não ficarmos no luto amargo do que inconscientemente nos acusa de termos matado.
Sempre isto nos confunde, pois não sabemos dizer exatamente onde a vítima o é, por a termos matado, onde o ato de matar não esclarece de fato suas razões e nos deixa com a eterna dúvida culpada se poderia ser diferente, se assim tivessemos sido.
A boca é o lugar do tiro e o lugar do crime. É ali que tudo volta para nos incriminar ou nos absolver. Mas quem fará isto? De que Outro se trata quando o assunto é íntimo?
Julga-se, de acordo com o Direito positivo, o que se escreve ou se pode constatar.
Nada se sabe de verdade sobre o crime, estuda-se suas feições, mas não se diz, ou se diz pouco da sua intimidade, sua premeditação como tributo ao investimento fracassado, ao conjunto de fantasias e expectativas que deram ao morto um lugar íntimo que, pelo visto, não mereceu.
A boca sabe disso. Sabe as juras que permitiu serem ditas como amor e sabe das injúrias que arquitetou nos escaninhos, para devolver em proporções maiores o que foi o tamanho da ofensa.
Palavras reflexas e ancestrais que sabem como ofender e destruir, pois houve ofensa e é preciso pagar por isso. O amor pronunciado recolhe-se como grave engano e o ódio, em geral negado, assume sua inteligência de domínio e decide suas estratégias de desvalorização.
Renega-se o que se investiu e dá-se a boca a autonomia sem escrúpulos, onde através de cumplicidades sociais prepara-se o festival das próprias razões, tentativa vão de inocentar o ego, e senha para o ataque que visa saquear a integridade do outro.
Crime diário, com alto poder de invocar forças da alma, se torna lugar de grandes infortúnios, justo ali onde o amor cobra sua dignidade.
Saquear o outro é saquear o próprio amor em suas destinações, inclusive aonde temos que aprender na carne o que os livros não podem ensinar. Se todo fim for destituir o outro, pouco teremos a aprender, a não ser repetir e repetir.
A arrogância criminosa resiste sempre em se dar por vencida e reitera suas razões onde a alma em sua grandeza mostra outros possíveis, inclusive para não ficar presa no defunto.
E esta é dor revoltante que não aceitamos, matar é ficar preso no destino do que morreu. Um tipo de luto que nos faz precisar da humildade de devolvermos ao outro o que lhe pertence e que não nos convém tirar. Criatura tão complexa quanto nós, não pode ser reduzida ao escárnio do desvalor puro e simples.
A boca mediante tal posturação retorce-se para devolver, e as palavras para melhorar suas qualidades. Há que se bem-dizer para separar-se de verdade.
O estranho é quando nos damos conta que somos nós que não o deixamos ir, que as palavras pronunciadas não indicavam de verdade a direção.
Somos nós que ao criarmos um cenário de apêgos particulares, exigimos lealdades contratuais cuja expectativa seria de trazer o impossível a um possível relacional.
Mas como? Isto é o máximo de negação do outro como assujeitado ao destino comum do humano em toda sua amplitude e limitação, o que pode o outro que não possa eu? Mas Freud ensina que a tópica econômica é também a de maior regência, buscamos o prazer, evitamos a dor. A boca e suas pupilas se ajeitam a isto.
Cumprem o protesto inútil de que algo neste sentido possa se alterar. Fala muito quem se recusa, pois as palavras perderam a alma e simulam significados, palavras mortas, um luto crônico de um marasmo sabotador.
Palavras assim são assombrações que ainda buscam atemorizar os vivos intimidando-os. Visam tirar o poder de renovação, ali onde a vida aponta outra cena, outra coisa, já como pedido ao vivo, ao que se rende honestamente, ao que se reconhece, ao que compreende que a boca é a mãe, é gestora e que as palavras nos dizem de sua qualidade materna.
Uma mãe rancorosa é perigo exigente, é uma mãe que não perdoa porque não pode. Estampa o que foi subtraído. A mãe que libera e torna gratuito é a mãe de perdão pelo menor, porque vive no que é maior.
E a nossa boca?
A boca sabe como se descomprometer se lhe convém, mas guarda escrúpulos de forma relativa, até o próximo embate. É aonde o sujeito avalia e faz juras para o próximo disparo. Portadora prioritária da linguagem e de seus enunciados, sabe o poder que têm e como usá-lo, sabe abrir caminhos oficiosos para sua compensação, algo como gerar os venenos que contaminam sem serem identificados.
Traduz assim o que é de cada um, as ordens vivas do amor e do ódio, onde se revelam as grandezas e as inferioridades que traem a criatura onde ela, em geral, não quer ser vista. Mas o que é mais difícil de aceitar, e diga-se, paradoxalmente , é que as palavras têm efeitos, e por vezes, irrecuperáveis.
Corre-se atrás do que se disse e por vezes, tarde demais, pois já se foi.
Índole constitutiva da espécie, o falar é a conjugação do humano em toda sua expressão, tanto imanente como transcedente. Atinge-se embaixo e em cima. Figura-se o Céu ou Inferno, eleva-se ou degrada-se à criatura, um gesto de luz ou de trevas, o lugar do bem-dizer ou do mal-dito, que nos torna companheiros ou inimigos por suscetibilidades narcísicas, ou pelo rancor à alteridade inexorável.
O Outro não sai e quer também, afinal, é um direito que reconhecemos somente a força, precisamos de leis e punições para isto.
Então o que nos resta ?
O modo comum de descrendeciamento é um truque simbólico, principalmente porque é feito nas esferas mais íntimas e portanto de direito próprio, lugar onde não se entra sem ser convidado. Ali o outro assume a proporção de um outro-objeto e dejeto das mais ralas des-considerações. Avilta-se a sua grandeza rapidamente e sem explicações, condenação sumária e sem apelação, pois não se explicíta qual acusação.
O gozo sado-masoquista do puro domínio de tê-lo ao sabor emocional do que ressarce e vinga. Esse fenômeno usual e pouco visível de falsa discrição é a base das vinganças ocultas que não precisam se justificar perante aos tribunais jurídicos, mas que têm um poder indescritível no convívio. Representa a gangorra dos altos e baixos das cotações de prestígio e o cemitério dos amores falidos e dos investimentos arrependidos.
É o que nos faz voltar sempre. Retornamos para tentar, no recontrato da esperança de fazer viver novamente o que era importante, para não ficarmos no luto amargo do que inconscientemente nos acusa de termos matado.
Sempre isto nos confunde, pois não sabemos dizer exatamente onde a vítima o é, por a termos matado, onde o ato de matar não esclarece de fato suas razões e nos deixa com a eterna dúvida culpada se poderia ser diferente, se assim tivessemos sido.
A boca é o lugar do tiro e o lugar do crime. É ali que tudo volta para nos incriminar ou nos absolver. Mas quem fará isto? De que Outro se trata quando o assunto é íntimo?
Julga-se, de acordo com o Direito positivo, o que se escreve ou se pode constatar.
Nada se sabe de verdade sobre o crime, estuda-se suas feições, mas não se diz, ou se diz pouco da sua intimidade, sua premeditação como tributo ao investimento fracassado, ao conjunto de fantasias e expectativas que deram ao morto um lugar íntimo que, pelo visto, não mereceu.
A boca sabe disso. Sabe as juras que permitiu serem ditas como amor e sabe das injúrias que arquitetou nos escaninhos, para devolver em proporções maiores o que foi o tamanho da ofensa.
Palavras reflexas e ancestrais que sabem como ofender e destruir, pois houve ofensa e é preciso pagar por isso. O amor pronunciado recolhe-se como grave engano e o ódio, em geral negado, assume sua inteligência de domínio e decide suas estratégias de desvalorização.
Renega-se o que se investiu e dá-se a boca a autonomia sem escrúpulos, onde através de cumplicidades sociais prepara-se o festival das próprias razões, tentativa vão de inocentar o ego, e senha para o ataque que visa saquear a integridade do outro.
Crime diário, com alto poder de invocar forças da alma, se torna lugar de grandes infortúnios, justo ali onde o amor cobra sua dignidade.
Saquear o outro é saquear o próprio amor em suas destinações, inclusive aonde temos que aprender na carne o que os livros não podem ensinar. Se todo fim for destituir o outro, pouco teremos a aprender, a não ser repetir e repetir.
A arrogância criminosa resiste sempre em se dar por vencida e reitera suas razões onde a alma em sua grandeza mostra outros possíveis, inclusive para não ficar presa no defunto.
E esta é dor revoltante que não aceitamos, matar é ficar preso no destino do que morreu. Um tipo de luto que nos faz precisar da humildade de devolvermos ao outro o que lhe pertence e que não nos convém tirar. Criatura tão complexa quanto nós, não pode ser reduzida ao escárnio do desvalor puro e simples.
A boca mediante tal posturação retorce-se para devolver, e as palavras para melhorar suas qualidades. Há que se bem-dizer para separar-se de verdade.
O estranho é quando nos damos conta que somos nós que não o deixamos ir, que as palavras pronunciadas não indicavam de verdade a direção.
Somos nós que ao criarmos um cenário de apêgos particulares, exigimos lealdades contratuais cuja expectativa seria de trazer o impossível a um possível relacional.
Mas como? Isto é o máximo de negação do outro como assujeitado ao destino comum do humano em toda sua amplitude e limitação, o que pode o outro que não possa eu? Mas Freud ensina que a tópica econômica é também a de maior regência, buscamos o prazer, evitamos a dor. A boca e suas pupilas se ajeitam a isto.
Cumprem o protesto inútil de que algo neste sentido possa se alterar. Fala muito quem se recusa, pois as palavras perderam a alma e simulam significados, palavras mortas, um luto crônico de um marasmo sabotador.
Palavras assim são assombrações que ainda buscam atemorizar os vivos intimidando-os. Visam tirar o poder de renovação, ali onde a vida aponta outra cena, outra coisa, já como pedido ao vivo, ao que se rende honestamente, ao que se reconhece, ao que compreende que a boca é a mãe, é gestora e que as palavras nos dizem de sua qualidade materna.
Uma mãe rancorosa é perigo exigente, é uma mãe que não perdoa porque não pode. Estampa o que foi subtraído. A mãe que libera e torna gratuito é a mãe de perdão pelo menor, porque vive no que é maior.
E a nossa boca?
13.3.11
Quanto custa um picolé?
Talvez uma pergunta com ar inocente e cheia de infâncias subjacente, mas não podia deixar de escrever sobre o que me chamou atenção para isso. Nesses dias de sol a pique, onde o meio do dia parece precoce e com pressa de chegar, convidamos alguns pacientes de nossa Clínica psiquiátrica para um passeio nos arredores da cidade. Era algo em torno de 9 horas. Junta daqui, chama dali, conta-se mais uma vez pra certeza de todo mundo voltar e lá vamos nós.
Exército de Brancaleone sem causas ou bandeiras, nem brasões, nem nada, apenas o desejo de andar um pouco e... de tomar um picolé.
Por vezes vejo que a anestesia serve pra muita coisa, pois além de neutralizar a dor nos livra de ver o que parece tão óbvio. Naquele momento único, não estamos cumprindo nenhum plano estabelecido, nenhum sentido de equipe ou grupamento organizado para competir ou chegar em algum lugar. Nenhuma atividade de um clube, nenhuma ação entre amigos, nada, apenas o desejo que vai se consumando de andar um pouco e... tomar um picolé. De tão simples, para muitos não motiva e nem é considerada tão terapêutica. Claro, numa parafernália racional e tão técnica isso é muito pouco e parece nem servir pra muita coisa. Ai! Que pena. Que embotamento obtuso com gosto de requinte intelectual. Afinal quanto custa um picolé?
O exército de nada, que nem os inimigos se animam, avança de forma espetacular, feios sacrificados por Apolo que há muito já se foi, por Afrodite que se retirou talvez por vergonha, homens gordos ou magricelos, mulheres idem, algumas desdentadas, mostrando ali, bem ali que democracia é algo mais profundo, que vem do desejo verdadeiro de um povo que seus habitantes também possam ter direito ao cuidado, ao conforto e a beleza. A imagem mostrava claramente tudo que ficou aquém. Nada ali se excedia para melhor pelo contrário, revelava-se o quanto tudo pode ser cruel, tudo pode ficar mal-feito e pouco convidativo, principalmente pela falta de motivo do que comemorar.
Estou eu, absorto, cheio de reflexões compassivas e provocando a ordem da vida, quando de repente, um guerreiro, me dá uma tapa e me diz num tipo de dialeto “qué picolé?”, era um amigo, desses que não se espera reciprocidades chamado carinhosamente por “Bomba”. O susto foi duplo, bomba é um negão feio, desdentado, surrado e matriculado desde cedo na lista dos que não vão. Não há endereço para ir.
Estou eu, absorto, cheio de reflexões compassivas e provocando a ordem da vida, quando de repente, um guerreiro, me dá uma tapa e me diz num tipo de dialeto “qué picolé?”, era um amigo, desses que não se espera reciprocidades chamado carinhosamente por “Bomba”. O susto foi duplo, bomba é um negão feio, desdentado, surrado e matriculado desde cedo na lista dos que não vão. Não há endereço para ir.
Tipo oligo, déficit intelectual acentuado, vez por outra fala em briga e polícia, talvez dois significantes do por onde andou. É dessas criaturas que saber a história faz pouca diferença em sua destinação, não parece ter brotado de história nenhuma ou se assim foi a história, o expulsou. E o picolé?
Sempre acredito que em algum lugar do universo a vida se junta. Não custa nada pensar assim, torna mais viável a poesia e o mistério, duas coisas que a razão ocidental insiste em desmerecer. Bom, o picolé, eu sabia que o picolé é como gostam os behavioristas um bom reforço e que muitos pacientes gostam, mas não esperava que este fosse sinistro, tipo indecifrável fizesse questão dele. Isso me animou sobremaneira. Sou a favor da vida e tenho diagnósticos apenas como uma mesa para se organizar raciocínios e bem intencionados, que são de muito valor para estratégias clínico-terapêuticas, mas só! Nenhuma criatura é um diagnóstico e pronto. Há ali, um humano, ou infra-humano, ou subumano ou um ET. Sei lá, talvez uma performance experimental do Mistério, onde algo ficou a desejar, mas isto torna a questão ainda mais interessante, pois amplia a concepção dando ao humano espectros mais amplos e nos tornando participantes e responsáveis pelos nossos afins.
Sempre achei a loucura um mundo paralelo tanto pra cima como pra baixo, que vai desde os chamados “loucos egrégios”, geniais, criativos, revolucionários até o Zé-ninguém como Reich os nomeou. São anônimos, sem reconhecimento ou prestígio, mas que se revelam para os que por eles se interessam.
Sempre achei a loucura um mundo paralelo tanto pra cima como pra baixo, que vai desde os chamados “loucos egrégios”, geniais, criativos, revolucionários até o Zé-ninguém como Reich os nomeou. São anônimos, sem reconhecimento ou prestígio, mas que se revelam para os que por eles se interessam.
Toda terapêutica a meu ver é uma oferta digna para os que se esforçam para mostrar onde ficaram, por não quererem ou não poderem ir um pouco mais adiante.
Um picoléééééé! Eis um desejo humano, eis um momento irrisório no tempo de reconciliação, passa rapidíssimo. É pegar ou largar e eu só agradeço pela chance de poder pegar um momento tão profundamente superficial.
Vamos lá negão, tá chegando, quer de quê?
Côco, diz ele no seu verbal descompassado. Ofereço o picolé e ele devolve dizendo que quer que eu abra pra ele, que se lambuza de branco, com apetite e um prazer que me delícia no lugar onde o humano revela todos os prazeres e todas as emoções, no coração. Há entre nós um vínculo que não vincula, como em geral, concebemos, mas um vínculo cósmico, esses que se sente mas não se lê, pois não está escrito.
Eu, numa estrela tão distante, ele em outra que não vejo com nenhum Hubble da vida, mas vejo com as lentes pequenas e míopes que meu coração ainda pequeno me permite ver. Vai “Bomba” celebra a vida me ensinando que a beleza da vida não está no pronto, mas na viagem que 0,50 pode proporcionar aos que só podem descobri-la no simples, mesmo que efêmero.
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