13.3.13

0 ANSCHAUUNGSGABE E O EINBILDUNGSKRAFT ... O QUE É ISSO ?


 

Acho o alemão um dos idiomas mais sábios pela riqueza metafórica que contém , embora confesse que não sei nada do mesmo . Alguns estudos em Psicanálise e com ajuda de amigos me deram “an passant” a idéia dessa riqueza, já que muitos conceitos Freudianos ao serem traduzidos , se deformavam como acontece com traduções apressadas .

Mas essas duas palavras são incríveis e não há correspondente em português , ou melhor não que eu saiba , já que Anschauungsgabe significa –“ o dom de olhar mais além “ e Einbildungskraft- “o poder de construir sobre” .

Pensar nisso me levou a relação do ver com a linguagem ,e eu na falta do que fazer resolvi deixar a imaginação me conduzir , tendo em conta que de pronto logo me ocorreu , os níveis da linguagem , a saber ; o literal, o metonímico e o metafórico , três tempos lógicos parodiando Lacan .

A literalidade, diria, que é o modo concreto de apreensão , um tipo quase sensorial de ser , onde o toque é decisivo como inferência da constatação , ou seja , tudo só é se for tocado pelos sentidos , que diga-se , são enganadores .Do ponto de vista do conhecimento é um nível menos abstrato e muito passível de acomodações , pois mesmo usando os sentidos , perde em reflexão crítica .

É um tipo duro , algo como pom... pom , queijo... queijo , nada portanto de, é pau é pedra , a literalidade recusa isso , é mesa é mesa e pronto , fica o inconcebível do avesso , a maravilha de Lewis Carol com Alice , sem variações de forma ou de tamanho, menos ainda pensar pelo avesso .

Nesse nível, a loucura não é de maneira alguma uma dimensão do viver que permite o ultraje do convencionalismo chapado dos registros conceituais , é doença mental e pronto , sem distinção , pondo no mesmo saco gênios e doentes neurologicamente comprometidos , como se faltasse um refinamento ou mesmo cartografia distintiva .

O simbólico aqui é um adereço a serviço das certezas , pois raciocina-se o mundo pela busca ávida de conclusões , campo de disputas e violências a toda prova, já que não se suporta duas verdades simultâneas , tipo, ou é ou não é , sem outros espaços combinatórios e alternativos.

A militância aqui ou é fruto da ignorância ou da arrogância , já que os modos dialógicos supõem não só alternâncias entre as polaridades , bem como , a flexibilidade que isso requer , condição primordial para que haja brechas ou pausas de onde o inusitado possa comparecer, e viabilizar algo não previamente pensado .

Nesse caso, é possível pensar que a literalidade é extremamente sonora e adora o barulho das assertivas , o que em alguns casos é oportuno , mas não como palavra de ordem , onde quem fala é sempre Senhor e o outro Escravo da obediência .

Vê-se aqui  que o Anschauungsgabe , “o dom de olhar mais adiante” fica comprometido , pois a tendência é de se olhar sempre para o mesmo , conservadorismo , em geral, autoritário e pouco afeito à mudanças , pois olhar adiante impõe certo desprendimento necessário à levitação da mente .

A mente no que flutua um pouco que seja , ganha altura , passo imprescindível para ampliação dos horizontes e consequentemente da ressignificação da mesmice estabelecida como lugar comum . Isso quer dizer que ao alçar um pouco de vôo  , tem-se a chance de romper ou de reformulações importantes , principalmente , onde o viver já vinha sendo sacrificado pelo recalque.

Algo como “ não se pode ser outro se o mesmo não deixa “, o que implica em se refazer o nível de controle que se quer ter , pois a entrega resultante desse processo , já é fruto do reconhecimento de que a altura pode mais por oferecer mais.

Sócrates dizia que no campo do Amor só se larga quando se visualiza algo melhor , veja em “ O Banquete “, e podemos aplicar aqui o valor desse ensinamento , pois o vôo engendra à brisa que refresca à capacidade de sonhar .

E o sonho é um antídoto poderoso em relação a literalidade , já que refunda o simbólico de forma mais geométrica , menos aritmética e linear como propõe a literalidade .Trata-se de recuperar uma dimensão fundamental para o despertar humano , o exercício de ver além , matéria prima da esperança e de prospecção para o futuro , lugar onde nossas utopias nos esperam ansiosamente .

Já o Einbildunlskraft , “ o poder de construir sobre “ nesse nível sofre muito da falta de desprendimento , já que a ênfase é na segurança , modo como a vida é primariamente credenciada , já que não pode haver descontinuidade em relação ao próximo passo , ratificação da própria concepção da vida como sequência única.

A contrapartida disso é o medo, já que a relação com o incognoscível é de rechaço , ou seja , não se quer saber do que não se controla ou não se submete . A relação do sujeito aqui é de Escravo já que o controle é o Senhor , uma subjugação de difícil reversão na neurose obsessiva, o esvaziamento constante do que não se deixa pegar , sofrimento que gera superstições e rituais pegajosos , fetiche contra desgraça do imprevisível.

Mas também é verdade que a vida sempre se constrói,  e aqui não seria diferente , embora a construção literal seja sempre de aderência , o que torna os scripts rígidos com pouca mobilidade , paredes muito grossas com pretensões definitivas .Os moldes uma vez estabelecidos querem se impor com exclusividade , o que a partir de certo ponto o que era bom fica sufocante.

Sempre é importante considerar que a mente , embora um lugar muito privilegiado da alma , também se submete ao conjunto de forças que regem a vida e cujo fechamento é tolerado de forma provisória , já que a neurose é justo aonde o relativismo toma o caráter do absoluto .

O que se constrói precisa levar isso em conta , ou seja, o modo como tudo muda ou pode mudar , já que o tempo posterior , o que vem depois precisa ter seu lugar , nem que seja como um lugar vazio , pois é esta fenda que permite o elo com o devir , o que ainda vai chegar .

Negar isso ou fazer de conta que tudo já está, é forçar uma completude impostora , em geral, mantida como norma ou regra inquestionável , configuração que aos poucos vai envelhecendo por falta de renovação .

O “poder construir sobre” e o olhar adiante” mantém uma relação íntima e de interdependência , pois dependendo do como seja a concepção da obra , seu terreno e sua arquitetura , pode-se ter mais ou menos facilidade de articulação com o horizonte , mas principalmente o fluir do devir , o eterno vigor de qualquer construção humana .

Sem isso ficamos presos e estanques , nossa ousadia passa a ser nossa própria paranóia , isto é, passamos a ter medo de qualquer idéia de vanguarda que nos obrigue a ir pra linha de frente , passamos a ser o segundo ou terceiro por recusa de  ser o primeiro , na vã esperança de que alguém o faça por nós.

Olhar adiante é ir pra frente , um olhar que permite o depois sem medo , uma intimidade não íntima com o desconhecido , uma reverência ao espaço aberto , a tudo que nos traz o gosto do amanhã sem sacrifícios ao dia de hoje .

CONTINUAREMOS COM O 2º NÍVEL  - O METONÍMICO NO PRÓXIMO ARTIGO .

Metonímia ou transnominação é uma figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles. Por exemplo, "Palácio do Planalto" é usado como um metônimo (uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser localizado lá o gabinete presidencial.

6.3.13

A Terra Brasilis , a Aurora de uma esperança



Sempre que penso em política me ocorre uma estranha sensação , tanto física como mental , um estado difuso de ser um protagonista do que me afeta , ao mesmo tempo , em que me questiono o que isto tem haver comigo?

A cada dia, vejo uma imensa movimentação ocorrendo , muitos dizeres , muitos pareceres , muitas decisões , muitas promessas , um universo que percebo próximo , pois me coloca como depositário direto do que se passa ( a discussão sobre energia , por exemplo , se traduz pelo preço da conta a pagar , do alimento ,a mesma coisa ), ou seja , é um universo não tão paralelo, mas uma tanto alienígena à maioria de nós.

Este universo com suas leis oficiais e oficiosas nos confude  a tal ponto,  que a maioria sequer se interessa por ele , mesmo sabendo ou não , que é de lá que parte as grandes decisões sobre a vida material , que é a vida mais imediata , aquela que fala do pão , o mínimo necessário para que o homem acredite em Deus , diria São Tomás de Aquino .

Estabelece-se desde sempre a relação do chamado Estado x Sociedade , relação difícil , complicada , por muitas vezes ininteligível , até mesmo para os mais experts , aquelas almas que não olham pra outra coisa , que buscam conter o futuro em seus anseios de poder , seja financeiro ( outro universo intraduzível ) ou político , uma febre delirante que nenhuma medicação consegue baixar .

Sempre me pareceu e continua me parecendo , que por ser um animal político ( Aristóteles ) , e diga-se , pólis ( povo) , a chamada política seria por princípio, o modo pela qual se buscaria meios para que determinados fins, pudessem ser alcançados  para melhoria geral , já que , não há outro propósito maior .

Somos obrigados por esta estranha e decisiva imanência, a convivermos uns com outros e possibilitarmos através do trabalho , este elo comum a espécie , uma condição que seja a melhor para todos , uma vez que temos em conta , que nem só do pão viverá o homem .

Observa-se de pronto, que a maioria parece não ter vocação para lugares de poder público , lideranças em relação quantitativa com o povo são pouquíssimas e por isso , por falta de engajamento  nessas esferas tendem a se repetir , pois uma vez alcançadas articulações de projetos ou só mesmo de manutenção do status quo, se eternizam com a espada do poder .

Assistimos decisões sobre nossas vidas diárias, como se estes centros que decidem pertencessem a outro planeta , não conseguimos ver a via de acesso onde pudéssemos nos fazer ouvir , e agravado pela percepção da tendência que todo poder político parece ter , de se afastar para seus palácios , uma vez conquistado .

As cúpulas alegam privacidade , o que sem dúvida é necessário , mas não só , pois é fácil ver que medidas antipáticas , mesmo que necessárias , são cercadas de cerceamentos de retorno , como que não interessa mais o que se pensa , principalmente o que for contrário , condição básica, para que aos poucos os autoritarismos passem à História por conta das melhores intenções .

Ideologias, todas alegam ser o caminho do Homem , ignoram que tiram a liberdade de poder se ver todos os lados , ou de se escutar o oposto , e embora considerem na chamada democracia o lugar importante da oposição , vemos que “ Quem não está conosco , está contra nós”, uma surdez ditatorial , que só faz confirmar que “ democracia é a escuta da alteridade e da diferença”.

Sendo um exercício espetacular de condução de destinos sociais , precisaríamos ter com nossos governantes uma relação de profunda solidariedade e amor , pois precisamos que acertem , que sejam iluminados em suas decisões , que nos ajudem a avançar , tanto física como espiritualmente , que nos estimule o amor ao próximo , que nos libere de visões provincianas , que nos dê à confiança de estarmos não só apontando para o mesmo norte , mas efetivando-o cada vez melhor em nosso dia-a-dia .

Creonte , o grande Rei de Tebas , afirma que “ só se conhece um homem quando ele passa pelo poder “ , e aí eis a provação de todos nós , pois o poder é um capítulo especial em nossa evolução , não só pela subversão que faz à ralação do ganha pão ( já que traz todos os fetiches à satisfação oral sem as interdições da realidade), mas pelos atavismos que suscita como poder de mando , volta-se ao anacronismo do velho passado com seu estilo imperial .

Observando-se construções da nobreza , é fácil perceber que o povo , a plebe com seus tormentos sempre acabam sendo consideradas incômodas , e logo, levanta-se muros enormes e intransponíveis e bem guardadas pelas suas guardas , pleonasmo perfeitamente adequado para o caso .

Distâncias se estabelecem hoje em muros mais invisíveis , burocracias que desestimulam ações que buscam proximidade , alega-se falta de tempo para o contato , o mesmo que em épocas de eleições toma outra feição demagógica , pois precisa-se do voto , instrumento ainda precário por si só, já que sem a consciência mais esclarecida( a lá Habermas), o voto é sugestão hipnótica, que os chamados coronéis aprenderam na prática , sem formação acadêmica nenhuma.

Até hoje nosso ranço materialista é um grave impedimento , pois falamos do pão e não da alma , como se fossemos reduzidos a um único sistema orgânico , o gastro-intestinal , como se nosso esclarecimento para um melhor viver e deciframento do mundo , fosse secundário .

A alma quer sua luz , que começa justo na educação , uma condição da sua autonomia como sujeito , talvez temida pelos governos obscurantistas como diria Henry Toureau , em seu livro clássico “ Desobediência Civil “, condição de quem se esclarece para melhor poder sonhar , um pouco mais de alívio em relação à opressão do cotidiano, que só faz se repetir em suas mazelas .

Os ricos são invejados pois parecem ter uma vida cheia de variações , de novidades , de paredes finas ou inexistentes , de que podem fazer o que quiserem ou terem o que quiserem , fantasia de que o dinheiro nos devolve a relação mágica com o seio materno , embora desenvolva o controle chamado anancástico , segundo Freud , o poder de reter às fezes .

Dinheiro e sujeira , aqui nesse país conhecemos bem desde sempre , pois somos filhos de uma Corte falida e fugidia , mais uma imposição da vida e de Napoleão do que uma escolha propriamente dita , um imaginário de fim de mundo por falta de opção e de certeza que Napoleão jamais iria se aventurar a vir aqui pessoalmente , já que até hoje muita gente não sabe onde fica o Brasil , nem no mapa .

Embora se faça justo dizer também,  o quanto de desenvolvimento devemos ao nosso Regente Imperial e sua troup fugidia , trapalhadas interessantíssimas por um lado, e feitos que nos tiraram da província e do chamado “ quinto dos infernos”.

Nossos políticos adoram esta nossa condição meio degredada e ignorante , pois eles mesmos não passariam no teste de qualidade , criaturas que sequer sabem falar direito , mal informados, falta de cultura geral ,e resultado de um fisiologismo podre que insistem em manter para não desaparecerem de vez .

A visão do homem em Paidéia ,  pedagogia da formação das virtudes ensinada pelos gregos, passa longe , pois a muito se perdeu o sentido de direção , metonímia que nos faz rodar com sensação de que não se sai do lugar , afetação que atinge o sentido do próprio viver , onde a verdade e a mentira se acolhem de forma prática de acordo com os interesses imediatos .

Perde-se qualquer critério e estabelece-se uma ideologia prática , o que interessa é o que tem urgência , desespero que abre brecha para todas falcatruas , pois argumenta-se que importante é por o asfalto , mesmo que dure pouco , alto custo pago por imposição da demagogia dos que dizem nos representar.

O “Homem” a quem se busca perdeu seu endereço num mundo confuso e arrogante , nos falta um verdadeiro ideal , seja o ideal de Eu de Freud , a utopia de Tomás More ou o Homem Divino das tradições espirituais , um Homem que valha realmente a pena , um Homem que apesar das nossas diferenças, seja reconhecido como melhor , um exemplo da raça como Nietzsche buscou formular , em seu Zaratrusta .

Melhoremos nós e dispensemos a quem queira nos representar sem credenciais , uma vez que a política está em nós mas não o exercício político do poder , façamos esforço para que nossos obscurantismos particulares não seja nossa escolha ao decidir sobre nossos destinos social , principalmente, tendo-se em conta que viver olhando para o que não presta pode nos contaminar , mas não olhar pode nos alienar . 

Trabalhemos pela vida que acreditamos , mesmo que sua raízes ainda estejam incipientes , mas por que não ? É assim que tudo começa , pois uma nova disposição mental não pode começar com muitos , o processo é ir se despertando aos poucos , encarnemos então este novo sopro , pois ninguém é dono do que a vida nos oferece de melhor e o que de melhor nos identifica , a liberdade.

Esse artigo seria bem maior , parei para que se adaptasse ao estilo do blog , que já se queixam o que compreendo , embora tenha assuntos que pareçam inesgotáveis . Agradeço a paciência e o tempo que me dedicam  . VALEU.

 

 

 

23.2.13

Nasci menino

( Ei Bento , seja bem vindo )
 
Há um quadro de Gustave Courbet chamado “ A descoberta do mundo “ de 1865 ,em que há uma mulher de perna aberta com a genitália toda exposta e que andou recentemente sendo notícias , pois descobriram quem era a mulher que serviu de modelo .
Descoberta do mundo?
É , é assim o início , vêm-se ao mundo quando alguém abre as pernas e curiosamente tudo começa quando alguém também faz o mesmo , num coito carnal e simbólico de recepção.
O médico gritou : é um menino , é um menino , tapinha no bumbum , choro e vida ... eis uma sequencia de pura emoção e festa para os que encomendaram , enfim, chegou a tão esperada encomenda .
Comigo não foi assim , e tudo já começou complicado , pois nasci com o tal cordão enroscado no pescoço , mais pra lá do que pra cá ,e com prognóstico ruim , possivelmente não vai sobreviver , diziam estas línguas de mau agouro que gozam no pessimismo assassino.
Mas resolvi viver , Vim , vi e nasci , parodiando Júlio Cesar , descrevendo uma vitória e procurando intimidar o Senado Romano , só que eu não tinha a quem intimidar , decidi viver e foda-se , parodiando agora uma piada sobre Niemeyer , que havia decidido “ não morrer e foda-se , vou me decompor um público” . Mas morreu , apesar da morte.
Mas nasci menino , uma direção cósmica única ,construção de um gesto singular e sobre aquele ranço ancestral do guerreiro , aquele arquétipo do que vai a luta , conquistar primeiro o alimento , à caça , depois o mundo .
Espera-se de antemão que um homem seja homem , como se isso fosse previamente possível, aliás , meus amigos gays reclamam de não fazerem parte de nenhum imaginário doméstico-familiar , ou seja, nascer menino é ser macho, seja lá o que isto queira dizer .
Ao avaliar alguns protocolos a respeito dessa doutrinação , não poderia dizer que tenha sido um bom exemplo para esse militarismo sexual , pois senão vejamos :
1-Homem não chora – Um horror lamentável , pois me dou conta que o quanto ter chorado , teria me poupado de tantas manobras mentirosas , estava ferido , atingido  e .... sem lágrimas , uma contenção idiota , apenas para manutenção da imagem que não suporta dúvidas.

2- É o homem que toma iniciativas – Essas tais iniciativas sempre sublinhadas por esta pedagogia do macho , você compreende a cantilena repetitiva , justo quando ? ... Quando você está com medo , um afeto , um modo de afetação condenável , como ficar com medo , que absurdo !
Mas você procura a tal descontração e o que vem , em geral, é uma inibição cujo tamanho varia pra cada um  , inibição inconfessável , pois símbolo do fracasso do macho e cheia de repreensões culturais , obriga o pecador de pênis a emudecer.
A coisa fica difícil , justo quando na adolescência você tem que atravessar a rua e ir na direção do sexo oposto , tanto anatomicamente quanto ao lado , é do outro lado, e você é que tem que atravessar . O pavor de ver tal esforço ser resumido a uma negativa , não consta dos livros didáticos . Não , não quero você . Sentença fatal , cuja cura é inestimável no tempo .
Isso sem contar que o chamado sexo oposto , é o sexo indesejado para muitos , crime grave para uma cultura onde os heróis nunca são gays , e só agora, um confessou tal preferência   (depois de  72 anos Lanterna Verde se confessa gay , um tipo bicha tardia... Gosto mais do meu amigo Juão , lúcido ,assumido ,inteligente e generoso , leiam seu livro” As mutações do Arco Íris” ),e provoca polêmica.
As operações emocionais que são colocadas em jogo por tal determinismo , só não são piores porque a biologia ao amadurecer os hormônios gera um tesão danado e estimula o psiquismo a fantasiar o estranho objeto do prazer perigoso , mas tesudo.
Precisamos de heróis nesse momento , que pode ser qualquer um mais ousado ( Brecht não levou em conta esse lugar sexual quando disse “ Infeliz do país que precisa de heróis”), um atrevido que nos convença que ir ao outro lado não é tão perigoso assim.
Aliás, tentaram por todas maneiras me dizer que tudo era uma questão de jeito , o que confesso até hoje tal proposição não me convenceu. Não há nada íntimo entre um homem e uma mulher a princípio , antes pelo contrário, duas criaturas diferentes procurando um meio comum de falar do desejo.
Se o imaginário do homem é de superioridade , antigo registro da tal caça que o fazia sentir viril , o da mulher é outro , nada de caça , nada de troféu , mas ser amada , o que quer uma mulher?  perguntava Freud do alto de sua sabedoria máscula .
A cultura é ainda dos machos, e graças ao avanço das mulheres pudemos questionar este imaginário antigo e mascarador do que realmente se passa, pois nossa insegurança aprendemos a escondê-la como fraqueza menor .
3- O macho é o provedor , lorota danada, difícil de se livrar . Em sendo o cabeça do casal , termo asqueroso que muitos adoram como lugar de prestígio , é ele o macho que está determinado à linha de frente . É o lugar da morte emudecida , onde se morre de preocupações sem se falar delas , afinal , o medo do fracasso é inerente à esta construção .

Preocupações num mundo altamente competitivo , onde todo mundo passa o outro pra trás sem escrúpulos , é uma tensão onipresente dia e noite ativa , e o homem toma pra si tal desafio , achando que é assim mesmo , um reedição da Lei de Talião , “olho por olho, dente por dente”, onde se aprende que não devemos levar desaforo pra casa.

Esta pedagogia em mim não vibrava convictamente , o que me trouxe muitas dificuldades pois embora , querendo ser aceito como todos , sentia que minha performance não era convincente ...lembro por exemplo de meu irmão querendo me ensinar a namorar , o que me amassava mais ainda , custei a descobrir que mesmo o contato é uma questão de estilo .

“O homem é o estilo”, dizia Lacan , frase redentora que descobri  tarde demais , um alto preço pago por aqueles que tangenciam , ou são infiéis as molduras doutrinárias , e até conseguir reconhecer que os fracos também amam , demorei .

Com Freud aprendi que “ anatomia não é destino” , ou seja , pode-se ser homem sem se ser macho , lembro por exemplo , de Akenaton , o faraó que era tido como afeminado ,e que propôs anistia para os povos dominados , uma nova cidade com novas propostas menos militaristas e foi assassinado com sua mulher Nefertiti , pois sua propostas mexiam com a mentalidade máscula da época.

Reich pergunta em seu livro “ O assassinato de Cristo” quem matou o Cristo ? apontando que uma couraça uma vez estabelecida estabelece os modos rígidos de sua expressão e recepção , ou seja , onde se é duro o mole é depreciado ou posto pra fora como menor , não como diferente .

Hoje me pergunto se o vacilo do vem –não-vem no nascimento já apontava este desconforto, o preço de nascer menino e ter que rezar em cartilhas do que é ser homem , recalque profundo de tudo que num homem não cabe no homem , roubo cruel de uma instigação diária do que nos faz aprendiz do desconhecido , do inusitado , recusa que os infartos atestam a cada dia.

Somos filhos do Logos , do saber , e analfabetos dos sentimentos , o mundo onde Íris , a deusa do arco-íris que nos ensina aprender a arte de ser flexíveis , pois sentimentos mudam , vem e vão , convém aprender a balançar para diminuir a exigência de importância , lugar onde o autoritarismo se confunde com o próprio ressentimento .

Nasci menino dependente da mãe , como todos da espécie , tive que fazer malabarismo de cortar o cordão para voltar o erótico para outra mulher , exogamia complexa, ao preço de ficar incestuoso , coisa tão comum quanto as reedições das virilidades simuladas que se recusam a reconhecer que fracassaram .

Novos fetiches , novos voiyers , o mundo pela fechadura , e a procura de se manter viril , o medo horroroso de que um dia o pênis não seja mais a anatomia da gangorra que compassa o tempo , pois simplesmente a gangorra não pode subir mais.

Viva os homens

 

17.2.13

A CRISE INSTITUCIONAL DA IGREJA E A IGREJA DO CRISTO

 

O que estamos presenciando hoje com a renúncia corajosa do Papa ,e que expõe a intimidade da Igreja em seus escaninhos do poder e dinâmicas sombreadas entre os supostos representantes de uma das maiores instituições religiosa do mundo ,é como se diz popularmente , uma gota d’agua , num oceano de questões complexas.

O mundo , diga-se , encontra-se em crise com seus fundamentos , já que o iluminismo da razão de pronto , recusou um fundamento religioso , o maior pacote de imposição religiosa pela Igreja do Ocidente, que resultou em assassinatos de diferentes naipes , principalmente, o da liberdade de pensar.

Fundada por Jesus como projeto de continuidade de tudo que ensinava , teve em Pedro , o pescador de almas , seu primeiro representante maior  , talvez devido as características de sua própria liderança mais assertiva.

A diferença entre seus apóstolos não era desapercebida pelo Nazareno , e por muitas vezes suas intervenções , conclamava a transigência e a indulgência necessária para que o próprio convívio entre eles , já fossem os exemplos indispensáveis dos ensinamentos transmitidos .

Jesus sabia mais do que ninguém de que matéria somos constituídos , e que nossa nobreza é um projeto cujo alcance , vamos realizando a duras penas ,tendo em conta que nossa ancestralidade animalesca , não se desapega facilmente .

 A própria história bíblica é repleta de destemperos emocionais , onde os próprios representantes do Bem e do Amor , aqueles escolhidos para pregar a palavra, tinham atos nada dignos do buscavam convencer .

 Moisés , por exemplo , na chamada noite do “ Bezerro de Ouro “, estima-se algo em torno de 10000 pessoas assassinadas à seu mando , assim como João Batista , que nunca se cansou de acusar Heródes em público de sair com sua cunhada , o que resultou na sua degola.

 A linguagem , embora com a nobre tarefa de indicar o”Caminho para o Reino de Deus”, e apelando para todo tipo de arranjos simbólicos e alegóricos , não podia exigir que os homens fossem outros , já que a evolução é uma conquista lenta e milenar .

Somos a própria traição e Judas é a condenação inesquecível , justo por nos lembrar , de que nos é muito mais próximo do que o Mestre de Nazaré , com sua superioridade inquestionável de valores já traduzidos em ações , descompasso que nos é caro , já que de forma alguma podemos fazer integralmente o que pregamos.

Compreender esse aspecto deveria nos tornar mais solidários , pois temos às contradições em comum, a traição ao que desejamos e ainda não podemos conquistar , e nossa história é um repassar dessas contradições , e que embora venham a tona eventualmente , fazem parte de nosso viver diário .

A Igreja do Cristianismo chamado Primitivo , porque inicial , tinha como fundamento o Céu Aberto, o lugar de todos , único lugar possível de se desfazer máscaras sociais , importâncias do mundo com suas riquezas e brasões e que segundo o Mestre não serviam como passaporte transcendental para o Divino.

Jesus pregava com sua autoridade que o Caminho para o Divino é justo de se despojar , o ficar mais a nú espiritualmente falando , já que a Verdade não é uma simulação , mas uma conquista do verdadeiro coração espiritual , o Graal procurado por fora , mas escondido  disponível por dentro .

Se “Meu Reino não é desse mundo “ é porque esse mundo não é tão convidativo às verdades espirituais , tarefa- mor deixada à Igreja , de trabalhar para tornar esse mundo mais apetitoso a manifestação do Espírito em sua inocência santa . Mas como sustentar um inocência se todos somos contaminados pelo que mais temos de menor?

Portanto não se tratava de validar tanto o mundo com seus prazeres e encantos , menos ainda de seus poderes , palavra chave para que a subversão proposta à primazia do Espírito fosse gradualmente se perdendo , e que o Reino da Matéria com seus encantos imediatos e  muito mais rápidos em suas promessas se restabelecesse com mais força .

Ao se deixar conduzir pelo modelo do Poder do mundo , e estabelecer alianças com a nobreza numa grande barganha de interesses que só faziam afundar ainda mais o Espírito , a Igreja do Cristo tomava outro rumo , que lhe custaria caro como representante de Deus na Terra .

Intrigas , conchavos, conspirações , assassinatos , favores por troca , enfim, marcas que em nada renovavam o cenário para as boas-novas espirituais , e o Mestre Amado era de novo assassinado , agora por seus adeptos , que nunca se viram traidores , viva Judas, que se enforcou de vergonha.

O modelo acaba sendo mais forte do que os homens e não faltaram aqueles que deram a vida para chamar atenção para este desvio , queimados , trancafiados , amaldiçoados , viam o erro , gritaram , sofreram , mas foram calados , emudecidos pela força do Poder Institucional , este sim ,elevado de forma abençoada  pelo que assegurava aos poderosos, em detrimento dos mais necessitados .

Luxo , distância, ratificação da desigualdade social , julgamentos pré-conceituosos , manutenção de um lugar imaginário , mais pra tribunal e condenações do que indulgências , a Igreja parece penar a amargura da própria Lei Espiritual que ajudou a excluir , a Lei do Retorno, que nenhuma tradição espiritual respeitosa ousou tocar .

Sem o retorno , fica-se dependente de ameaças e de tribunais dos homens , iguais demais em suas fraquezas para poderem julgar uns aos outros , mesmo ameaças que procuram utilizar a invisibilidade que a morte traz , como lugar de castigos e dores , já não impressionam tanto , pois repete velhas fórmulas que o mundo já está por demais habituado .

O Mestre era pastor , e na parábola do Filho Pródigo , nos ensina o valor de trazer de volta os expratriados espirituais , os deserdados da sorte social , que diga-se ,responsabiliza a todos nós , ensinamentos profundos no campo das limitações do amor , desafios eternos e evolutivos , difíceis de entender e mais ainda praticar .

Ao incorporar um modelo de Estado a Igreja juntou dois senhores , Deus e Mamom , criando uma imagem híbrida da Divindade, que dessa forma parecia atender aos dois interesses , esquecendo que nossa evolução espiritual , não é e nem pode ser uma negociação , já que a morte vem chegando logo, quando menos se espera .

Responsável pelo Reino , que lembrando , está em Vós e não em palácios , conventos ou lugares materialmente estabelecidos como moradia do Divino ,  a Igreja enquanto pedagogia do Espírito , teria como ensinamento- mor o desprendimento , a catalização de novos modos subjetivos voltados para os estados d”alma , sincronias com as manifestações mais finas e sutis, lugares de maior requinte espiritual , onde a obediência é uma reverência ao reconhecimento do Supremo .

Nesse caso , nosso modo aqui é transitório , um laboratório de aperfeiçoamentos , herança acrescida da Grécia com sua prática das virtudes , só que tendo em conta o homem comum , os excluídos de atenção , os pobres de espírito , os que tem sede de justiça , aqueles que a Igreja primitiva acolhia com prazer e entusiasmo , pois eram fruto da ignorância de uma humanidade arrogante e interesseira .

Toda tradição do Espiríto sabe que O DEUS , O SEM –NOME, O ELE , mora no coração dos homens ,e só despertando-o , podemos iluminar a nós e ao mundo , de nossa escravidão à ignorância , nossa única paixão segundo Lacan , mas pra isso precisamos colocar o Absoluto em seu devido lugar , pra que o relativo seja nosso meio de luta e ultrapassagem , senão perdemos o rumo e a direção.

Desconfio que somos todos da Igreja aqui no Ocidente , nossa Casa Mater , nosso lugar de confissão e renovação , talvez por isso fomos optando de retomá-la pelo caminho mais singular , mais livre dessas repetições que sempre nos ensinam a mesma coisa , um caminho mais a Céu Aberto , o único lugar onde Deus é para todos , e o Cristo nos espera para trabalharmos juntos nessa magnânima tarefa de fazer brotar nesse planeta as sementes de seu Amor e dedicação .

Acredito que essa crise seja de renovação , o modo como a vida atualiza sua representação para recuperar seus fundamentos sagrados , e nos ensinar a razão esquecida de nossas origens, e consequentemente , re-oferecer a uma humanidade negligente o norte perdido de sua direção divina .

Viva a Igreja em seu labor , Viva os trabalhadores da Igreja , Viva os que conclamam a fé viva , que continuam contudo e apesar de tudo , a nutrir com seus esforços o pão verdadeiro que alimenta a alma além do corpo , a redenção que nos leva a única liberdade possível , a do Espiríto.

 

 

 

OS FILHOS DE DIONÍSIO


 
DIONISO OU DIONÍSIO -Deus do êxtase e do entusiasmo, levava com seu cortejo alegria e felicidade por toda a Grécia onde também era considerado protetor das belas artes.

Os filhos de Dionísio são intensos e detestam à castração . Diria que na espécie, são as criaturas que melhor refletem à divisão , ou seja , habitam intensamente o dois , lugar da nossa divisão e procuram o máximo de cada lado , embora a conexão , a ponte entre os dois, em geral , seja precária.

O dois reflete as polaridades ,e tanto um lado como o outro podem ser intensos , tanto o amor como o ódio , o que os torna passíveis de desequilíbrios e de parceria indesejada.

Onipotentes , vivem o culto de si e procuram adeptos , mesmo que neguem tal fraqueza , pois costumam dizer que não precisam , embora sejam sensíveis a qualquer manifestação contrária.

Enquanto os Apolíneos procuram à ordenação , os filhos de Dionísio vivem além de si mesmo , como se o Eu , ao mesmo tempo que é um culto, é também uma prisão domiciliar e a inquietação é quase sempre , quando não toma ares de agonia .

Intensos e momentâneos preferem o imediato , principalmente o gosto pelo prazer , lembrando que Dionísio que é grego , em Roma se tornou Baco , o Deus do vinho , e cujos festivais eram fantásticos , como hoje também celebramos outras bebidas .

O compasso regrado da vida é quase um tormento e a transgressão inevitável , pois a cadência que de certa forma regula o coletivo é considerada lenta demais , além de se ter em conta a exaltação egocêntrica , que é sua marca fundamental .

Quando talentosos , e costumam ser  , fazem toda diferença ,pois são eles que produzem o caos necessário às mudanças , já que possuem a natureza dos mutantes e a rotina é a parte ruim do sonho .

Avessos às regras e normas , logo sentem dificuldades pra se adaptarem , pois não percebem inteligência nos enquadres e logo se propõem a provar tamanha incompetência nessa lógica , já que visualizam caminhos particulares por onde se chega mais rápido.

Óbvio é, que cobram alto preço relacional , pois ao mesmo tempo que são dependentes , em função de uma independência de afirmação , emocionalmente parecem regredidos , talvez por rupturas materna precoce ou fixações mal-resolvidas.

Se prestam facilmente ao diagnóstico de bi-polaridade , pois vivem uma instabilidade que afetam os humores , criando por vezes uma insuportabilidade com quem convive , que diga-se,  sem paciência e tolerância, fica difícil.

Incompreendidos pelo mundo , o atacam , principalmente no que consideram seus defeitos e tornam-se críticos ásperos que somado à inteligência que possuem, se tornam formadores de opinião , criadores de sistemas filosóficos ,de ideologias religiosas ou políticas.

São criaturas que costumam dividir a história do mundo em duas partes , a saber : Antes e depois deles , e onde chegam querem logo fazer à diferença , o que pode ser muito bom ou muito ruim , dependendo do que a situação demande, já que estimulam rivalidades feias.

Como tem dificuldades de enquadre , a questão com autoridade vem para o primeiro plano , e por serem sensíveis também controlam, e não é raro se sentirem ofendidos , caso em que , por serem especiais , filhos do Deus da excitação , produzem uma dramaturgia amplificada de sofrimento e ressentimento .

Desmerecem os outros com facilidade , pois trazem certa superioridade embutida nos gestos e nas palavras , e ou são reconhecidos em suas lideranças e amados pelos adeptos ou são odiados e jurados de vingança .

Valentes, contam com o apoio da própria vida para efetuar mudanças , pois tem uma contabilidade singular e temem perder oportunidades , procuram um modo mais expansivo de viver , de amar , parecendo viver dentro do próprio sonho , que é da onde vem , e sempre procurando um modo de alterar a realidade .

A realidade em seu modo factual, não é bem vinda, pois sempre lembra os preços a serem pagos por tudo , e é lamentável não pode se viver um ato do sonho por falta de dinheiro , por exemplo . Muitas falcatruas aí estão , embora por outro lado , a busca de não se intimidar perante as possíveis sanções , é um dos belos atos da coragem humana.

“Exagerado”, diz um deles , “Jamais renunciar ao desejo”  grita o outro , expressando claramente que viver precisa ser um ato não-convencional , uma resistência contra o sequestro idelógico da cultura , um clamor de liberdade individual .

Aliás, a característica que mais se sobressai  é que sofrem da bi-polaridade, mas por sofrerem de exacerbação egocêntrica, pouco se rendem ao mundo dos outros , já que a idéia é de levar o seu mundo particular à categoria do universal , razão pela qual são fazedores hábeis da cabeça alheia .

Sofrem os limites da forma , um tipo de sofrimento não reconhecido pela Psiquiatria ainda , pois é um sofrimento dos que não cabem em si, e consequentemente estão sempre além , como se corressem atrás de si mesmo a todo tempo e não percebessem.

Buscam o bom, já que nem sempre apreciam o correto como suporte de vida , para usar as palavras de Nilton Bonder , o rabino , sendo a questão, que por muitas vezes impulsivos carecem das disciplinas necessárias ao vôo , o que faz com que muitas propostas e projetos , comecem rápido e acabem da mesma forma.

Acabam estabelecendo ritmos acelerados e sofrendo de tédio e monotonia , dois estados d`alma que fazem estragos invisíveis por não pertencerem aos quadros manifestos do psiquismo . É como se a carência de si se estabelecesse na forma de ausências , mas a projeção como forma de defesa aponta para algum objeto ou pessoa , numa tentativa de salvar a vida com seus conteúdos.

 A consequência disso pode ser um apelo grande de aceitação ou facilitar uma tipo de recusa relacional , que muitos consideram como transtorno do narcisismo , onde a pessoa sofre pela fantasia de não –inclusão , ou induzi-la a um ensimesmamento , um fechamento onde ela então se torna o agente da exclusão , ou seja, não entra ninguém.

De outro modo convém observar que os filhos de Dionísio são os que fazem à diferença , são os que frequentam à loucura e tiram dela o que tem de melhor , tanto sua poesia como sua arte , e principalmente suas vanguardas , pois são os que recusam o pijama da acomodação , miséria da criatividade , ou fracasso de qualquer pretensão maior.

No amor cultivam a intensidade , a excitabilidade das paixões ao invés das moderações convencionais , e por viverem e sofrerem dessa forma, buscam tirar o máximo que podem de cada situação antes que se torne um lugar –comum , fantasia genial expressa na” Insustentável leveza do Ser” de Milan Kundera .

Penso que briga-se com os modos estabelecidos , como se procurassem uma outra vida , talvez de outra forma , mas não se sabe como nem onde , mas com certeza que os endereços catalogados servem apenas de passagem, que é como em geral , se sentem .

Exilados de um planeta distante , vieram parar na Terra e aqui estão , ora a contra-gosto seu refrão maior, ora como oportunistas mesmo , que mesmo não gostando ou criticando tudo não prescindem do que lhes é oferecido e que pouco agradecem .

Sofrem pelo exílio , mas pouco reconhecem , o que lhes colocam pouco a favor , ou seja , um tipo do contra que alimenta a inteligência e cria rebanhos , como se nossas insatisfações não passassem pelo velho adágio de que “ a vida muda quando mudamos nós”.

Trasgressos como o próprio Dionisío são adeptos da desobediência e do esforço para fidelidade normótica , alguns porém , discernem a desobediência respeitosa , enquanto outros se perdem na transgressão sem alma , aquela que nada propõe a não ser desobedecer .

Mas finalizando é com quem mais me identifico , pois vem o valor de desobedecer e transgredir como uma condição do próprio viver , a vida não como uma cartilha a ser seguida , mas como uma tensão do que está oculto e precisa de quem o escute ,e nisso é o gozo de Dionísio , o aquém ou além da ordem , o gozo que só um bom vinho pode oferecer .

10.2.13

A DÚVIDA E A PERERECA DA VIZINHA



Dª Clotilde morava na casa rente a minha . Casada com Seu Pedro , formavam uma casal estranho para meus olhos infantis . Eram pais de Oséas  , meu jovem amigo mulato , meio obeso e retraído , de formas que quando retrocedo no tempo , vejo sua esquizoidia .

Esquizoidia , é uma termo da psicopatologia que significa retração , ensimesmamento , conduta anti ou pouco social , aliás , um quadro que hoje se expande , sem que ninguém diagnostique ou entenda bem suas razões ( Trataremos depois disso).

O fato das casas serem tão coladas, permitia um canal livre em que as palavras iam e vinham , e ficávamos  sabendo de tudo que se passava lá , como uma peça de teatro em que virávamos plateia da intimidade alheia , com cuidado para não sermos descobertos.

Eu adorava aquilo , embora ficasse tenso quando havia brigas feias , violentas , minha imaginação ia longe , já via assassinato , corpo no chão , sempre fui fértil nos delírios ,e minha mãe me mandava ficar quieto , porque percebia algo interativo ou hiperativo em mim.

Era uma estranha sensação de participar de algo tão íntimo sem ser convidado , confissões sem confessionário escolhido , uma confiança ou descuido em paredes que não protegiam os palavrões horríveis , ou violências que não havia em minha casa .

Mas o momento mais extraordinário e que aí não tinha jeito , e minha mãe logo vinha me vigiar , era quando passava um avião mais forte roncando e Seu Pedro , que tinha sido taifeiro na guerra , entrava num tipo de transe histérico e começava a gritar .

Minha nossa , aquilo rasgava o cotidiano de tal forma , trazendo o inusitado , o diabólico , que me deixava entre a vontade enorme de rir e um certo medo , porque o homem falava cada coisa esquisita,  meio falando  , meio urrando , talvez algo entre o pavor  e a dor , mas num dialeto incompreensível .

Minha mãe me explicava que era efeito da guerra , o que me comovia , mas a sonoridade , o modo como tudo se expressava tirava a solidariedade a qualquer dor , pois o homem , eis aí um aspecto crucial da história , simplesmente , virava um gay histérico .

Não me atrevia sei lá porque, a questionar se necessariamente o trauma da guerra era responsável por tal transformação , era pequeno e muita coisa a gente e vê e guarda , afinal o mundo dos adultos é cheio de placas e sinalizações , ainda mais em se tratando de sexo .

Mas o fato era que o homem afinava a voz , se escondia onde fosse, e desmunhecava meio destrambelhadamente , um ato de memória e desrepressão , pois a dúvida se instalou em mim: O homem era assim com guerra ou sem guerra ou a guerra que o fez assim ?

Desnecessário dizer, que cada vez que um avião roncava, eu saia correndo para levar adiante minha pesquisa particular que fazia sem dizer nada pra ninguém , pois o tema era proibido de ser tratado abertamente , me parecia por consideração à família .

Pois se aquele homem fosse gay algo estaria errado ali , pois ele era o marido da Dª Clotilde e pai do meu amigo Oséas , e como meter colher de pau em angú de caroço familiar ?

Um segredo guardado a sete chaves , desde que não viesse um avião , senão , pronto , todas suspeitas se escancaravam , o homem era assim ou a guerra o fez assim?

Minha mãe assanhada pra cacete era cúmplice do homem , que era aposentado por reforma, adorava ir lá na casa do vizinho , pois no subúrbio quem não trabalha fora procura companhia em quem não trabalha fora , semelhante atraindo semelhante ,  a lei da homeopatia , e trocavam estórias e como ele cozinhava muito bem , sua comida baiana era deliciosa , e eu a acompanhava sempre , pois adorava cocadas e amendoins feitos por ele .

Cada vez que eu ia lá ficava observando seu jeito e torcendo ( coisa horrível) pra passar um avião , queria presenciar ali , ao vivo , e desfazer o emaranhado de perguntas que a situação me colocava . Mas confesso , sempre que eu ia , seus trejeitos me pareciam bem anterior a guerra , o que me colocava de frente para o inviolável do segredo , o homem era gay?

Gay , é bom lembrar , é uma palavra estrangeira bem mais amena do que dizia tempos atrás , onde as analogias eram muito mais zoológicas , coisa que a luta contra o preconceito e do enfrentamento homofóbico vem mudando conseguindo mudar às nomenclaturas .

Mas sendo o homem homossexual  como constituiu família , casou , teve filho etc?

Por vezes, gostaria de ter sido uma criança sem maiores divagações , o problema é que o subúrbio é monótono , uma vida metonímica , que anda a passos lentos , quase entediantes , me tomar por uma questão assim , me ajudava a tornar a vida mais interessante , lembrando que o mundo também era muito mais estanque.

Nada se falava a respeito , nem minha mãe que só mandava recadinhos implícitos pra eu me calar, era a senha pra eu nada dizer , principalmente , porque jazia ali um segredo mortífero , capaz de ter um efeito mais devastador do que um avião .

Ele sofre dos nervos dizia minha mãe , ficou assim por causa da guerra , propondo um sequência apaziguadora na interpretação , coisa que apesar de amar minha mãe , não conseguia ratificar em mim .

A dúvida piorou quando um dia ao ir sozinho em sua casa pegar algo que minha mãe havia pedido , ele falou entre , entre , de forma bastante carinhosa o que não era seu habitual e me mandou esperar . Daqui a pouco me ofereceu generosamente um doce e pimba ... segurou no meu pequeno pênis inocente , comprometido agora com uma constatação terrível , pois me tornara a testemunha viva do que suspeitava.

Gritar me pareceu inconveniente , pois o medo me emudeceu ,e ele pareceu se dar conta disso, pois me disse uns gracejos e me dispensou sem maiores propostas amorosas , me achou pequeno provavelmente .  E como contar à minha mãe?

A experiência me perturbou completamente , pois era justo o pai do meu amigo , um entrecruzamento de papéis que não havia neurônio pra tanta conexão , optei por me calar (já como preparativo para uma profissão que trabalha com segredos o tempo todo) e embora não tenha feito disso um lacre , revelado posteriormente à minha mãe , via o constrangimento da situação a cada vez que encontrava com meu amigo .

Me perguntava intimamente se ele sabia ? se sua mãe sabia ? quem mais sabia ? mas nada , um concreto em cima do que talvez não valha a pena vir a tona , mas que nem por isso deixava de cobrar seu preço , como viria aprender posteriormente em terapia de família.

Um dia, DªClotilde teve que pular o muro de nossa casa , pois a porta bateu com a chave dentro e ela não tinha como entrar . Acontece que ela era baixinha , tipo mignon , mas bem gordinha e não havia escada para facilitar sua empreitada , tiveram que levantá-la até a borda do muro .

Eu pequeno acompanhando tudo , interessado nessa empreitada digna das grandes construtoras , e eis que de repente , quase caí duro , pois ao levantarem a criatura vi com meus próprios olhos que ela estava sem calcinha e percebi  algo estranhamente cabeludo , que depois , chamaria de perereca .

Isso era demais pra mim , pois se um me obrigava a reflexões de conexões sinistras , já me introduzindo na ordem dos arranjos da vida , a outra me mostrava uma pintura surrealista , onde o surreal era o que naquele momento, nada tinha a ver com o real que me ensinaram.

Ensinamento profundo  que guardaria atentamente , pois nada é como parece ou faz parecer , me adiantando a lição de que entre o que é e o que parece, há distâncias que não interessam à verdade , “A verdade sim, diria Lacan , mas não toda”.

A perereca da vizinha tá presa na gaiola , xô perereca , xô perereca ... diz o refrão da música , aquela perereca ali , pelo contrário , estava solta no matagal , me deixando impressões que só posteriormente poderia recuperar e que me fez  agradecer a esta família, que além de me proporcionar boa amizade , também me deixou marcas, que me fariam pensar a sexualidade fora da moral burguesa  tradicional e pôr Freud e Nelson Rodrigues na mesma estante.

 

 

 

 

 

5.2.13

PARROLO , O BEBADO DESEQUILIBRISTA

 

Sempre gostei do oculto , aquela incrível sensação não-conceitual de que as extensões continuam , que há um outro lado ( acho um lado só chatíssimo ), que tudo pode tomar outro modo , enfim, apesar das insistências dos homens , seja, gnósticos , religiosos , ateus , gosto do outro lado e pronto , chamem à Constituição que me garante o exercício de escolher à face do meu culto .

Este outro lado no entanto , me fascina sua vivacidade , pois como não viajar com Freud em sua descoberta conceitual do inconsciente , a coisa já estava lá e aí precisa de alguém que diga onde está e como está , Jung depois diz que há mais há uma dimensão coletiva que rege simbolicamente a vida através de arquétipos , pois em Lacan abre-se de vez a via da linguagem .

Obviamente o que se diz é que o véu que nos recobre recai a cada rodada e assim diminuímos nossa ignorância a apostamos com esperança ávida que nossa ciência ande logo , não demore muito , pois estamos meio ferrados , com imaginários apocalípticos.

Mas desconfio pra mim mesmo , sem ofender ninguém , que este outro lado está aqui mesmo e assim procuro vê-lo a cada dia , Spinoza gosta de mim me disseram e viver com o oculto vivo a cada dia é minha ficção , minha fantasia , minha crença ou minha paixão , uma forma nem melhor nem pior do que outras , apenas um modo .

Cultivo plantas , e observo o oculto e digo , lá está ele , ontem não estava , eis a flor maravilhosa , sedutora e lá se vai , efêmera como veio . Me rendo ao efêmero , me desapega , me dá e me tira , não com gesto brusco mas de forma suave me ensina que admirar é um refinamento dos sentidos.

Nada tenho contra ficarmos cada vez mais inteligentes , mas convém observar que essa mística , esse ardor , este gosto de passagem que os poetas fazem de musa , não pode se reduzir ao saber convencional , encanto não se estreita .

Estava eu lendo um livrinho fino , que engana muito . É considerado um tratado ocultista consagrado e bastante citado “ A Caminho da Luz” de Mabel Collins , um livro que dizem foi recebido , não escrito pela autora .

Fui lê-lo para receber os ensinos e logo me deparo com a primeira chamada “ Mata à diferença” , o que logo me chocou , pois tenho à diferença como fundamento da liberdade.

Leitura precipitada , logo percebi , pois o ensinamento referia-se ao que nós artificialmente consideramos diferentes, ao custo de estabelecermos barreiras que ao mapearem à vida dessa forma , gera doenças e violências , o preço do insuportável .

Tomando o ensinamento a sério , fiquei tentando vê-lo  me vendo , única maneira que considero válida pra este tipo de matéria e a oportunidade logo viria , de forma contundente .

Uma segunda-feira pela manhã , resolvo estrear uma calça bege que me pareceu de acordo com a claridade do sol . Sou daqueles que começar a semana com entusiasmo é importante, gosto de começos animados , eis-me aqui digo eu pra quem me escuta , pois suponho um público invisível .

Atendi algumas pessoas e em torno de 10 h da manhã , desço para atender uma pessoa em casa e me deparo com um homem caído na calçada do consultório , dificultando à passagem ,e completamente nocauteado , já que estava visivelmente embriagado .

Já o havia visto outras vezes , pois trabalho numa rua que é um pátio ... psiquiátrico , rua de passagem e cheia de transeuntes agitados , alguns pedintes , outros mendigos , como Parrolo, e gente que depois da noitada estica por lá , na loja de conveniência.

Parrolo é parte da rua , incorporado ao cenário , ator diário do mesmo script , e é raro vê-lo de pé , pois vive caído de tão bebum . É feio , nenhum asseio  e tipo melequento , um sem fim de des-razões repugnantes .

É desses anônimos , sem destino , identidade ou utilidade , ninguém conta com ele e ele muito menos se faz contar , um cardinal vazio , ou seja , pula-se .

Desço , aprecio o sol , abro portão dou de cara com ele que eu sequer sabia o nome e cheio de repugnâncias , levanto a perna pra passar , quando ... o oculto com sua linguagem vivaz , resolve me ensinar , ou melhor exemplificar do que se tratava a lição .

Parrolo sai de seu coma , levanta cabeça rápido e me oferece um escarro gosmento que gentilmente escolheu para comemorar minha nova calça , cuspiu e ... caiu duro de novo sem saber o que tinha feito .

Mata à diferença martelava à lição , como se adivinha-se que meu desejo era de matar o próprio, fiquei pasmo , ninguém viu , sem comentários , eu e aquele desacordado a meus pés , o pária anônimo e indesejável e o esotérico puto , tentando raciocinar .

De repente , e sei lá como, me enchi de júbilo ( eta! palavrinha nobre), e a ficha caiu e com pouco mais de coragem eu teria deitado ali mesmo , embora Parrolo não ajudasse muito a ninguém a fazer conversão a céu aberto com seu cheiro desagradável .

O que me veio é que aquela criatura ali caída eu evitava sempre , minhas repugnâncias sempre chegavam primeiro , de formas que eu me esquivava me fazendo bem diferente dele , ou preservando com vigor às diferenças que aprendi como ator social .

Ele lá e eu cá , as margens que não se tocam mas que se precisam, viria eu a descobrir depois , como dizia um mestre do lado de cá , Lacan ,” análise mesmo só depois”. Pois a partir daí me interessei por ele , e fui ao seu encontro .

Amigo , disse eu sempre vejo você por aqui e não sei seu nome ... Mauro , me disse entre os dentes . Me dei conta que não sabia mais pra onde ir , como se um contato pudesse se resumir a uma única pergunta .

Me ocorreu me apresentar , eu sou Alex ...e daí pra lá eu seria Carlinho e ele Parrolo , pois não podia mais me ver que lá vem ele , em geral, me pedir dinheiro e me cumprimentar , não sei em qual ordem exatamente.

Mas não só . Um dia me chega com um presente pra me dar , uns pacotinhos redondos de presunto que tinha recebido . Queria dizer que não como presunto e não consegui , seria um desrespeito com sua alegria de poder me oferecer , uma devolução ( leiam em meu blog “ As devoluções”). Tinha conseguido no supermercado , um tipo “ toma antes que o prazo de validade se esgote “, mas a validade do gesto , essa, impagável .

A diferença não consegui matá-la , mas percebi que recebe-lo me fez bem , me contou em suas truncadas palavras que tinha um irmão , mas seu gosto mesmo é viver na rua e como quer , ou seja, mais uma vez desconfio que esta vida operária  de regras , horários e convenções , é um mundo de imposições detestado por muitos ,que por razões infindas saem e vão para margem, pagando o preço alto que parece ter.

Parrolo era o porre na segunda de manhã , ou o coma público na terça a tarde , enfim, sua vida se regia por horários próprios , como seu almoço às 17 h , hora que conseguia as sobras do dia, e me lembro o quanto tinha curiosidade por sua rotina , o que me dava idéia da minha , quase litúrgica , cheio de horários cronometrados.

Recentemente sumiu e ouvi rumores de sua morte , algo prognosticado com facilidade quando não se serve pra nada na produção social , ou quando já se vê a morte na criatura , que como disse adorava estar na inconsciência horizontal .

Indo à uma enfermaria que visito uma vez por mês , onde senhoras , em geral, moribundas, vivem entregues aos infortúnios do destino e na dor da falta de alguém , toco o elevador para o quarto andar onde era a enfermaria.

O elevador sem eira , nem beira ( vide sem eira nem beira nesse blog), parou no terceiro andar e eu me dei conta que era uma enfermaria de homem e me dispunha a subir um lance de escada , quando meus olhos dão de cara com.... Parrolo , deitado numa cama , asseado e operado do estrago que teve ao ser atropelado por um ônibus.

Mais uma vez a vida me unia a esse homem , dessa vez com tamanha emoção , pois quando me viu , sorriu acabrunhado , talvez porque já não tenha do que sorrir e disse... Carlinho , quase caí duro , agradecendo ao oculto esses encontros fantásticos , nada formal ,que fazem da diferença,  o êxtase da proximidade .

Lá está ele e aqui estou eu , ligados , pois logo irei vê-lo de novo , e quando perguntei o que precisava me disse sem cerimônias : “ voltar pra rua ,gosto de liberdade”.

Agradeço muito as tais sincronicidades que Jung belamente estudou , e cada vez mais sinto que o “ eu” é uma fronteira necessária , até não ser mais , pois matar à diferença me pareceu matar o que em mim quer ser diferente sem ser , pois retira a possibilidade de abrigar um semelhante diferente , mas profundamente enraizado , como eu , no mesmo drama humano.

A título de gozação , meu amigo me perguntou o porque dessa estranha atração por figuras tão desafortunadas ? Como meu amigo é dessas criaturas espertas e inteligentes que fazem perguntas inteligentes também , disse que ia pensar , um dia respondo...

VALEU

 

 

 

 

 

 

 

Há ou não inveja do pênis?